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10 anos do Euro: Sua “Ascensão” e “Queda”

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No próximo domingo, 1o de janeiro de 2012, o Euro completará seu décimo aniversário. Inicialmente foi utilizado como moeda virtual, desde 1o de Janeiro de 1999, nas operações de pagamento que não envolviam notas e moedas, bem como para fins contabilísticos, enquanto as antigas moedas européias continuavam a ser utilizadas nas operações de pagamento em numerário e a ser consideradas subdivisões do Euro. Em 1o de Janeiro de 2002, a moeda única foi introduzida fisicamente sob a forma de notas e moedas.

 

A criação do Euro foi considerada pelos líderes políticos uma positiva evolução na estrutura econômica e política do Bloco europeu: Uma “uma moeda estável, com um baixo nível da inflação e taxas de juro baixas, contribuindo para a solidez das finanças públicas; (…) um complemento lógico do mercado único, cuja eficácia aumenta; (…) aumenta a transparência dos preços, elimina os custos de câmbio da moeda, melhora o funcionamento da economia europeia, facilita o comércio internacional e confere à União Europeia uma voz mais forte nos fóruns internacionais;  a dimensão e a força da zona euro protegem-na dos choques econômicos externos, como a subida inesperada do preço do petróleo ou a perturbação dos mercados cambiais”, afirma o site da “Comissão Européia”*.

Mas, com a crise da dívida, que iniciou na Grécia em 2010 e depois se espalhou para toda a “Zona do Euro”, a Europa percebeu que sua moeda não a manteria imune das crises e problemas orçamentários impensáveis nos últimos 10 anos. Os eurocéticos ganharam mais adeptos e a extrema-direita avança no continente, enquanto crescem vertiginosamente as diferenças entre os países do norte e do sul da Europa.

Tudo parecia ir cada vez melhor até a crise financeira, que revelou as falhas institucionais da zona do euro”, afirmou Philip Whyte, pesquisador do “Centro de Reforma Europeu”, baseado em Londres, citado pela “Folha de São Paulo”**.

Sem dúvidas, em dez anos de existência, a moeda única melhorou as trocas comerciais entre os países que o adotaram e contribuiu para controlar a inflação, mas, devido à falta de coordenação de políticas econômicas, integração fiscal e de supervisão bancária, não teve os efeitos desejados no crescimento das economias da “Zona do Euro”, desencadeando grandes desequilíbrios financeiros. A dívida de 12 dos 17 países do Euro encareceu e, além dos casos extremos da Grécia e Itália, a situação afeta seriamente a Espanha, país que também está pagando a taxa de juros mais alta para bônus há dez anos desde que a moeda única foi adotada.

No novo ano já se prevê dificuldades, não só para as pessoas, mas também para os Estados europeus e a moeda única prepara-se para enfrentar a sua primeira crise. Já se debate se o Euro é ou não válido para os países da Europa com uma menor capacidade econômica. A “União Européia” e o Euro enfrentam neste momento tempos difíceis, em que importantes decisões precisam ser tomadas. Os pilares fundamentais da Europa podem estar abalados e, para reverter a situação, mudanças têm de ser feitas na estrutura-base da UE.

Já se especula que a probabilidade da “Zona do Euro” resistir, ou existir, nos moldes atuais dentro de uma década é de 20%, devido à incapacidade dos governos tomarem medidas para contrabalançar os desequilíbrios**. Para o próximo ano (2012) também há previsão** de ocorrer uma nova crise da dívida na primavera (segundo trimestre), quando a Espanha e a Itália tiverem de se financiar em mais de 400 bilhões de Euros.

Até o momento, não consideram seriamente um possível retorno às velhas moedas europeias, embora os eurocéticos debatam abertamente a ideia do fim do Euro, sobretudo entre os alemães, que lembram orgulhosos de sua moeda, o marco alemão, emblema do milagre econômico do pós-guerra.

Por outro lado, os economistas advertem** que o fim do Euro seria uma catástrofe para os Bancos europeus e faria com que a inflação e o desemprego disparassem a níveis incontroláveis, instaurando a desordem completa no velho continente.

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Fontes Consultadas:

*Ver:

http://ec.europa.eu/economy_finance/euro/index_en.htm

**Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1026251-euro-completa-10-anos-em-momento-de-crise-com-endividamento.shtml

*** Ver:

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1746295

Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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