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2014 com protestos de chineses e coreanos contra Tóquio

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Todos os anos autoridades do Japão fazem um ritual que desagrada a Beijing e a Seul: a visita dos primeiros-ministros e autoridades japonesas ao “Santuário de Yasukuni”. Esta atitude é considerada por chineses e coreanos como uma afronta as suas relações diplomáticas. O Santuário foi construído para relembrar os mortos pela pátria japonesa durante a “Segunda Guerra Mundial”, mas, para seus vizinhos, ele apenas representa o passado militarista do Japão.

A visita do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe ao Santuário se deu antes do Natal de 2013 e causou uma série de protestos em frente a seus consulados e embaixadas na “Coreia do Sul” e na China. O ocorrido também desapontou os “Estados Unidos”, aliado de Tóquio e de Seul, fazendo com que Washington não se posicione positivamente em relação aos japoneses nem aos coreanos neste assunto, devido as relações diplomáticas e estratégicas que os norte-americanos têm com ambos países.

O Japão é um aliado valioso e um amigo. No entanto, os Estados Unidos estão decepcionados pelo fato de os líderes japoneses terem tomado esta iniciativa que vai exacerbar as tensões com os vizinhos do Japão[1], afirmou por meio de um comunicado a Embaixada americana em Tóquio.

De fato, a atitude de Abe não foi bem sucedida, pois o ano de 2013 foi marcado por intensos atritos territoriais com duas das maiores potências do leste asiático  e neste ano de 2014 a situação não aparenta que vá mudar. China e “Coreia do Sul” já emitiram comunicados oficiais nesse início de ano contra a postura japonesa e trabalham com marketing para minimizar as declarações sobre a soberania japonesa na região.

Após a visita de Abe, o “Ministro do Interior do Japão”, Yoshitaka Shindo, também esteve no Santuário. A “Porta-Voz do Ministério das Relações Exteriores da China”, Hua Chunying,  declarou que o ato foi considerado uma afronta. Para os chineses, Tokyo não respeitou os povos vizinhos durante a época de guerra e seus crimes cometidos naqueles anos de conflito ainda são comemorados no país, dificultando quaisquer aproximações culturais e diplomáticas na região.

Seul também se mobiliza contra as atitudes japonesas, principalmente na região da “Ilha de Dokdo”, reivindicada por japoneses e coreanos. Após a chancelaria sul-coreana emitir notas oficiais em protesto contra o Japão, o país passou a investir no marketing político e trabalha com forte propaganda sobre a sua soberania na região.

A propaganda de Seul reúne mais de quatro minutos com a apresentação da Ilha, a história coreana e documentos históricos de antes e do pós “II Guerra Mundial”. O “Portal da Ilha de Dokdo” (dokdo.mofa.go.kr) disponibiliza diversos materiais (em coreano) para deixar claro que esta ilha jamais deverá ser chamada de Takeshima.

O ano começará tenso para as relações entre Japão e “Coreia do Sul”, bem como para as relações entre Japão e China. Os líderes de Seul e Beijing se reúnem nesta semana para discutir temas sobre a “Coreia do Norte” e outras questões territoriais, nas quais o Japão está envolvido. Especialistas estão atentos para a nova postura japonesa neste ano de 2014, buscando entender se haverá alguma mudança.

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Fontes consultada:

[1] Ver:

http://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2013/12/26/interna_internacional,482480/visita-de-primeiro-ministro-japones-a-santuario-yasukuni-provoca-indignacao-de-vizinhos.shtml

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Ver Vídeo:

http://dokdo.mofa.go.kr/kor/

Ver também:

http://spanish.yonhapnews.co.kr/national/2014/01/01/0300000000ASP20140101000300883.HTML

Ver também:

http://portuguese.cri.cn/1721/2014/01/01/1s177868.htm

Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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