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A União Europeia enfrenta a maior crise existencial desde sua criação e o ano de 2017 pode ser um ano decisivo para o Bloco europeu.

Embora a economia da região se recupere aos poucos dos efeitos da crise financeira internacional, o panorama político continua instável e 2017 se apresenta como um ano de profundas mudanças, com eleições nas duas principais economias da União Europeia (UE) – França e Alemanha – e o resultado de processos que começaram na última década e devem culminar no próximo ano, tais como as mudanças políticas na Itália, a questão da Catalunha e a situação da Grécia.

Os resultados das eleições americanas, o aumento das tensões com a Rússia, a saída do Reino Unido do Bloco e a crise dos refugiados são fatores importantes que pesam no equilíbrio político da região e provocam mudanças que podem se refletir em um novo alinhamento dentro da Europa e até mesmo uma reconfiguração regional.

O avanço dos partidos nacionalistas de extrema-direita tanto na Alemanha como na França colocam em risco a sobrevivência da União Europeia e todo o projeto de integração regional, já que esses partidos defendem a desintegração do Bloco ou uma alteração generalizada da estrutura da União, permanecendo apenas alguns acordos e o mercado comum.

Por outro lado, a aproximação dos Estados do Leste com a Rússia pode dificultar a expansão da União Europeia e suas negociações com os países da região. O fracasso das negociações da UE com os Estados Unidos deve refletir na recuperação econômica da Europa no ano que vem, já que a demanda internacional é menor e a maioria dos países emergentes – exceto China e Índia – sofrem com os efeitos de mudanças políticas e econômicas, reduzindo assim outros mercados que podem absorver a produção europeia.

As eleições na França irão servir de termômetro para avaliar a gravidade da situação que enfrenta a Europa, pois mesmo não sendo a maior economia do grupo, o país sempre atuou como ponto de equilíbrio político da União Europeia.

Já as eleições na Alemanha serão decisivas, bem como o ponto central da crise existencial europeia e até mesmo no equilíbrio financeiro do Bloco, já que o país é o maior contribuinte da economia do grupo e uma mudança política em direção à extrema direita pode significar o fim da União como conhecemos e um sério problema para o Banco Central Europeu, que comprou grande parte da dívida dos países do mediterrâneo.

Caso a crise europeia chegue ao ponto de ebulição, seus efeitos serão sentidos não somente internamente, mas em toda a economia global pelo fato de que o continente é um dos maiores investidores do mundo, principalmente na América Latina e na Ásia.

As tensões regionais são outro ponto de debate na Europa que podem causar mudanças no próximo ano devido à instabilidade no norte da África e no Oriente Médio. O terrorismo e os refugiados são duas caras de uma moeda que parece ter sido lançada em uma aposta sobre o futuro da União Europeia.

Enquanto se espera uma recuperação gradual do continente americano, o continente europeu tremula perante as possíveis mudanças que podem ocorrer e, sem dúvidas, o ano de 2017 será um ponto de transição, havendo um antes e um depois deste possível marco que, cada vez mais, se configura nestes termos.

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Imagem 1Colapso da Europa” (Fonte):

https://sesgo.org/images/colapso_europa.jpg

Imagem 2Brasão de armas de Catalunha” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Catalunha#/media/File:Coat_of_Arms_of_Catalonia.svg

Imagem 3Campanha do Brexit do lado de fora do Parlamento em novembro de 2016” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Brexit#/media/File:Brexit_Campaigners_out_side_Parliament_November_2016.jpg

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Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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