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Entre os dias 25 e 27 de julho (2018), ocorreu em Johannesburgo, na África do Sul, a 10ª Cúpula dos BRICS, uma conferência entre os líderes dos cinco maiores países emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O BRICS foi formalmente institucionalizado como um bloco político entre essas nações em 2009, quando ainda era BRIC, pois, na época, o país africano não participava do grupo, tendo se juntado oficialmente em 2011.

Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, discursando na 10ª Cúpula do BRICS em Johannesburgo, na África do Sul, em 2018

Desde então, acontece anualmente uma conferência entre os representantes de cada um dos Estados-membros. Nela, assuntos econômicos, financeiros e comerciais sempre foram prioridades, tanto que, em 2014, oficializou-se a criação do Novo Banco de Desenvolvimento* e do Arranjo Contingente de Reservas**.

É possível afirmar que a Cúpula deste ano (2018) trouxe novidades para o cenário das negociações. O foco girou em torno da possibilidade dos cinco países se aproximarem nos campos político, social, cultural e tecnológico. Tal proposta foi feita pelo Presidente russo, Vladimir Putin, e aceita pelos outros 4 membros, tendo sido adicionada à Declaração de Johannesburgo, Acordo que foi assinado por todos ao final da Cúpula.

De acordo com Putin, “A declaração inclui as iniciativas russas sobre a elaboração de um acordo sobre TI e tecnologia de comunicação, formando uma plataforma para pesquisa de energia e estabelecendo uma aliança de negócios para mulheres. Esta nova iniciativa russa surgiu espontaneamente, (…) mas foi entusiasticamente apoiada pelos participantes. Trata da cooperação do BRICS em cultura, esporte e cinematografia”.

Além disso, outro destaque do encontro foi a importância dada em aproximar-se mais do continente africano. A Rússia e o Brasil demonstraram seus interesses em realizar mais projetos, cooperações e acordos comerciais e econômicos com nações da África. O Presidente brasileiro, Michel Temer, salientou em seu discurso ações concretas de cooperação em países como Moçambique, Angola e Etiópia. Já a Federação Russa ressaltou sua intenção de colaborar no setor energético, principalmente em relação ao uso de energia atômica, e de realizar uma cúpula Rússia-África, a fim de aproximar ainda mais essas regiões.

Em suma, a 10ª Cúpula trouxe novas perspectivas para uma relação mais consolidada entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A Declaração de Johannesburgo propõe a aplicação de uma cooperação mais estendida ao nível pessoal, uma união entre as comunidades das 5 nações. Tal visão é uma novidade que provavelmente se fortalecerá ao longo dos próximos anos.

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Notas:

* O Novo Banco de Desenvolvimento é uma iniciativa do BRICS, um banco de desenvolvimento multilateral operado pelos 5 países membros do Bloco. Seu objetivo é promover maior cooperação financeira entre eles, além de também fornecer uma opção alternativa de ajuda a outros países em desenvolvimento.

** O Arranjo Contingente de Reservas é uma plataforma criada para que os 5 países membros do BRICS tenham acesso a ajuda de instrumentos preventivos de liquidez, caso ocorram pressões de curto prazo sobre o balanço de pagamentos.

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Fonte das Imagens:

Imagem 1Foto oficial dos cinco líderes na 10ª Cúpula do BRICS em Johannesburgo, na África do Sul, em 2018: o Presidente da China, Xi Jinping; o Primeiro Ministro da Índia, Narendra Modi; o Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa; o Presidente do Brasil, Michel Temer; e o Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin” (Fonte):

http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/kgJb4zv0AULGREFuS6e0KvOl6fPbk4yc.jpg

Imagem 2Presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, discursando na 10ª Cúpula do BRICS em Johannesburgo, na África do Sul, em 2018” (Fonte):

http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big/QcGik8kTBut4mNZba2iQN0AfIYGZM2zz.jpg

Isabela Joia - Colaboradora Voluntária

Bacharela em Relações Internacionais e em Ciências Econômicas, ambas pelas Faculdades de Campinas (FACAMP). Participou da Newsletter do Centro de Estudos de Relações Internacionais (CERI) da FACAMP como redatora e corretora de artigos. Fez sua tese de conclusão de curso sobre as relações diplomáticas entre a Rússia e os Estados Unidos no pós Guerra Fria. Tem grande paixão pela escrita e por assuntos relacionados à Segurança Internacional e Diplomacia.

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