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A ameaça de Guerra no Oriente Médio

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Desde o final da última semana, após a divulgação antecipada das conclusões da “Agência Internacional de Energia Atômica” (AIEA) sobre as intenções militares do “Programa Nuclear” iraniano, a situação do “Oriente Médio” tem entrado numa ascendente de tensão com ameaças por parte de Israel e Irã. Pelo primeiro, de efetuarem um ataque preventivo. Pelo segundo, de realizar retaliação violenta. Por parte de ambos, de realizar a invasão dos respectivos territórios, além da declaração do governo iraniano de que tornará o possível conflito bilateral numa guerra regional, ou global.

 

AIEA revelou na terça-feira, dia 8 de novembro, o que os analistas internacionais e autoridades governamentais das grandes potências afirmaram ao longo dos últimos anos: que o nível de desenvolvimento do “Projeto Nuclear” alcançado pelos iranianos já chegou ao ponto de capacitá-los a produzir um artefato nuclear, mostrando que o trabalho foi desenvolvido sem interrupção desde 2003, quando se comprometeram interromper o processo.

Segundo o Relatório, o Projeto do Irã é “mais ambicioso e estruturado, (…) está focalizado na construção e teste de uma arma nuclear que possa se acoplar a um míssil de longo alcance”*. Pelo material disseminado na mídia, foi descoberto que o Programa iraniano inclui:“aquisição clandestina de equipamento e projetos necessários para fazer tais armas atômicas; testes de explosivos e desenvolvimento de detonador para disparar carga nuclear; desenhos de computador do centro de uma ogiva nuclear; trabalho preparatório para um teste de armas nucleares; desenvolvimento e montagem de uma carga nuclear para seu míssil de alcance intermediário Shahab 3  (arma que pode atingir Israel, seu arqui-inimigo)”**.

De acordo ainda com os diplomatas que se manifestaram, “Em vez de frear, parece que o Irã fez uma pausa temporária nesse momento, mas o programa avançou a um ritmo mais lento desde então”*.

Esta afirmação foi complementada pelo diretor do “Instituto de Ciência e Segurança Internacional”, David Albright, que foi “Inspetor de Armas da ONU” e revisou o Relatório, ao declarar que “O programa nunca se deteve realmente. (…). Após 2003, foi investido dinheiro na pesquisa em áreas que parecem dedicadas às armas nucleares, mas estavam ocultas dentro de instituições civis”*.

Diante do quadro, Israel está colocando na mesa a opção que se lhe apresenta: “ataque preventivo”, tal qual realizaram em 1981 contra a “Usina Nuclear” iraquiana, numa operação decidida pelo então primeiro-ministro Menachem Begin.

O atual “Chefe de Governo” de Israel, Benyamin Netanyahu, declarou que se põe no cenário à repetição da façanha, estando seu país disposto a iniciar um conflito que, se ocorrer, terá grande possibilidade de desestabilizar o sistema internacional.

Os israelenses já estão preparando a população para mobilização de guerra e para o socorro em caso de receberem ataques com “Armas de Destruição em Massa”, além disso, estão investindo no desenvolvimento e produção de armamentos e mísseis capazes de alcançar seus inimigos regionais, neste caso, o Irã.

Parte dos analistas considera que a declaração das autoridades israelenses visa apenas alertar o Ocidente para que tome medidas mais rígidas contra Teerã, tentando evitar que se torne inevitável o recurso ao ataque militar contra os iranianos. No limite, alguns especialistas apostam que seja um blefe, embora o termo não seja adequado, também pela conjuntura atual.

As grandes potências já estão trabalhando para entrar com solicitação de nova rodada de Sanções contra o Irã no “Conselho de Segurança da ONU” (CS da ONU), objetivando  estrangular o Regime, mas esta intenção, implícita, ou explícita, está recebendo todas as contraposições dos russos que não admitirão ações externas contra os iranianos, nem propostas que possam significar a deposição do governo do país.

Nas palavras do presidente russo Dmitri Medvedev, esta é uma “(…) retórica perigosa, É preciso que as partes envolvidas permaneçam tranquilas. Precisamos evitar ameaças e comentários violentos. (…) Tudo isso pode levar a um conflito muito grande, o que seria uma catástrofe para o Oriente Médio”***.

Em declaração feita ontem, dia 9 de novembro, o vice-chanceler russo, Guennadi Gatilov, foi mais explícito. Afirmou: “Qualquer sanção adicional contra o Irã será interpretada na comunidade internacional como um instrumento para mudar o regime em Teerã. Este enfoque é inaceitável e a parte russa nega-se a examinar qualquer proposta neste sentido. (..). Consideramos que o único caminho possível para uma solução é o diálogo. É preciso fazer com que os iranianos falem dos verdadeiros problemas. O que nos preocupa é o recurso unilateral dos ocidentais a mais sanções contra o Irã, o que impede o estabelecimento do diálogo”****.

Como exposto, o repúdio a medidas unilaterais que possam ser aplicadas pelas potências ocidentais, deixa aberto um leque muito extenso de significados. Como a Rússia está envolvida diretamente com o desenvolvimento do “Programa Nuclear” iraniano, divide reservas de “Gás Natural” na região do “Mar Cáspio”, tem relações comerciais intensas com o Irã e está presenciando a perda de influência sobre a região do “Oriente Médio” em momento delicado economia internacional, analistas começam recear estar sendo criado um impasse que poderá tornar concreta as ameaças israelenses e desembocar uma guerra da qual o sistema internacional não se recuperará.

Como os observadores estão anunciando pelo mundo, estão “rufando os tambores da guerra”, cabendo aos líderes mundiais o papel de neste momento buscar uma solução para ganhar tempo suficiente para que a água do copo evapore, antes que um última gota o leve a transbordar.

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Fontes:

* Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5459757-EI294,00-AIEA+afirma+que+Ira+tem+capacidade+para+construir+arma+nuclear.html 

** Ver:

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/ira-trabalha-para-ter-armas-nucleares-diz-agencia-da-onu/n1597359746932.html

*** Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5460401-EI308,00-Ira+rejeita+por+antecipacao+relatorio+da+AIEA+e+desafia+EUA.html

**** Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5462175-EI294,00-Russia+se+opoe+a+novas+sancoes+contra+o+Ira.html

Ver também:

http://acritica.uol.com.br/noticias/expectativa-publicacao-informe-AIEA-Ira_0_586141445.html

Ver também:

http://www.band.com.br/noticias/mundo/noticia/?id=100000466188

Ver também:

http://www.band.com.br/noticias/mundo/noticia/?id=100000465802

Ver também:

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2011/11/06/peres-ataque-contra-ira-e-mais-provavel-que-acao-diplomatica/

Ver também:

http://br.reuters.com/article/topNews/idBRSPE7A60PQ20111107

Ver também:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/17673/russia+adverte+israel+e+eua+ataque+contra+o+ira+seria+erro+muito+grave.shtml

Ver também:

http://portuguese.ruvr.ru/2011/11/08/60053249.htm

Ver também:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE7A60A420111107

Ver também:

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/israel-ainda-nao-decidiu-sobre-acao-militar-contra-ira-diz-ministro/n1597357946864.htm

Ver também:

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE7A70CF20111108

Ver também:

http://veja.abril.com.br/noticia/economia/aiea-divulgara-relatorio-nuclear-crucial-sobre-ira-com-novos-dados

Ver também:

http://www.diariodarussia.com.br/internacional/noticias/2011/11/09/russia-mostra-preocupacao-com-o-caso-do-ira/

Ver também:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2011/11/111109_russia_ira_rn.shtml

Ver também:

http://noticias.r7.com/internacional/noticias/ira-ameaca-destruir-israel-em-caso-de-ataque-20111109.html

Ver também:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/11/apos-relatorio-da-onu-ocidente-quer-impor-novas-sancoes-ao-ira-1.html

 

Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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