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A aproximação entre Argentina e Irã

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Segundo notícias divulgadas na mídia internacional, está havendo preocupação entre as potências europeias e o EUA com relação à reaproximação entre Argentina e Irã.

 

De acordo com em declaração feita por um diplomata europeu que pediu anonimato e foi disseminada pelo “Portal Terra, “Enquanto o resto de nós trabalha para pressionar o Irã a acabar com seu programa de armas nucleares e parar de apoiar o terrorismo, o governo da Argentina tem considerado avançar na direção contrária”*.

Ou seja, ele manifestou uma contrariedade existente entre vários países acerca da forma unilateral como o Governo argentino tem agido em sua política externa ao longo dos últimos anos, tanto que muitos citam que foram as tarifas argentinas para produtos europeus que levaram a estagnação das negociações entre “União Europeia” e MERCOSUL durante vários anos.

Conforme apontado por observadores, a estratégia tem sido manter o discurso para consumo da opinião pública internacional, mas vem realizando grandes aproximações visando o incremento do comércio entre os dois países, o qual está crescendo substantivamente ao longo dos últimos anos, desde que o Governo iraniano aceitou conversar sobre a questão das acusações de envolvimento no atentado terrorista ocorrido na entidade judaica Amia, além do atentado ocorrido na embaixada de Israel em Buenos Aires, ocorrido dois anos antes, que deixou 29 mortos.

Cristina Kirchner afirmou na “Assembleia Geral da ONU” em setembro deste ano (2011) que aceita a retomada dos diálogos. Declarou em discurso que “Essa é uma oferta de diálogo que a Argentina não pode e não deve rejeitar”*, desde que cumpra o compromisso de colaborar com as investigações sobre os atentados.

Tais condicionantes, por outro lado, são dissolvidas no fato de a Argentina estar trabalhando para aumentar suas exportações para o mundo e, no caso específico, por ser o maior exportador de trigo para o Irã, tem feito intenso trabalho para fazer crescer as relações comerciais com este país, ao ponto de já ter aumentado 70% no ano de 2010, chegando ao montante de 1,5 bilhão de dólares.

Para o Irã as relações com o Governo argentino são importantes também pelo fato de este país ser um dos 35 membros da direção da “Agência Internacional de Energia Atômica” (AIEA), algo que pode complicar as ações dos ocidentais contra Teerã se ele tiver vários aliados dentro do Órgão.

Segundo divulgado pela mídia, os diplomatas não sabem como interpretar o comportamento do Governo de Cristina Fernandez de Kirchner. Alguns acreditam que a razão é puramente comercial, outros que também deseja se afinar com a “Política Externa” brasileira, outros destacam também o fato de haver firme relacionamento com os líderes bolivarianos da América do Sul, que tendem a se comportar em contraposição às grandes potências do “Sistema Internacional”.

Os analistas, no entanto, lembram que as ações governamentais argentinas precisam ser interpretadas em função da constância de os seguidos Governos do país tomarem decisões unilaterais, dando à sua política externa o caráter de “Pragmatismo Puro”, razão pela qual a possibilidade de alinhamento com o Brasil não diz respeito a uma suposta prioridade de relacionamento com os países não alinhados no “Sistema Internacional”, mas sim em função de algum projeto que possa ser benéfico politicamente ao Governo argentino, independentemente das consequências para os demais parceiros, ou países com os quais tem relacionamento.

Neste momento, em função do comércio do trigo, que é essencial para a balança comercial e para o PIB argentino, as aproximações com os iranianos são positivas, independentemente dos resultados práticos para a segurança do “Sistema Internacional”.

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Fonte:

* Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5503548-EI294,00-Argentina+flerta+com+o+Ira+e+preocupa+os+EUA.html

Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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