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O nível de violência a partir da “Faixa de Gaza”  contra Israel tem aumentado nos últimos tempos. De acordo com informações, os responsáveis pelo crescimento gradual dos ataques contra o país vizinho são os pequenos grupos irregulares que desafiam o controle do Hamas que, desde o fim da “Operação Pilar Defensivo”, em novembro de 2012, tem evitado a confrontação com Israel. A decisão da organização muçulmana em manter a trégua é reconhecida pelo Estado israelense mas, segundo uma fonte militar daquele país, o Hamas não se tem empenhado o suficiente para evitar as atividades dos grupos emergentes, dentre os quais são de destacar a “Brigada al-Nasser Salah al-Deeni”, as “Brigadas Abu Ali Mustafa” (as antigas “Brigadas das Águias Vermelhas”) e as “Brigadas Yahya Ayyash”. A situação tem se mantido sob controle, mas o lançamento de rockets se tornou mais frequente, registrando-se também o aumento da tensão ao longo do muro de segurança que separa Israel da “Faixa de Gaza[1].

As condições de vida dos palestinos no território governado pelo Hamas têm se deteriorado, dando fôlego aos novos grupos insurgentes. Desde que o Exército egípcio fechou os túneis de acesso à “Faixa de Gaza”, vários tipos de mercadorias, incluindo alimentos, tornaram-se escassos. Hoje, a “Faixa de Gaza” sofre com a escassez de combustível, frequentes cortes de energia e a estagnação da indústria da construção civil. O nível de desemprego chegou aos 38,5% no final de 2013[2] causando a insatisfação relativamente à administração do Hamas[3] que não consegue atender de modo eficiente as necessidades emergenciais do seu povo.

Procurando amenizar os problemas enfrentados no território e diminuir os atritos com o Egito e Israel[4], o Hamas anunciou que vai passar para empresas privadas a responsabilidade dos postos de controle da Palestina nas fronteiras com Israel e com o Egito, mas a supervisão será feita pelo Governo[5]. O Hamas tem demonstrado preocupação com as restrições da travessia na fronteira com o Egito, impostas pelas “Forças de Segurança” daquele país desde julho de 2013. As limitações egípcias aplicadas aos palestinos é parte da campanha contra os jihadistas da “Península do Sinai”, nas fronteiras com a “Faixa de Gaza” e Israel[6].

A situação econômica difícil na em Gaza é apontada como a principal causa da elevação do nível de revolta dos cidadãos palestinos, o que contribuiu para a criação de novos grupos irregulares. Isto fragiliza o Hamas, que perde a confiança de parte da sua população numa altura em que o Egito está empenhado em minar as suas forças. Segundo as autoridades egípcias, elas pretendem apoiar o descontentamento e os protestos da população da “Faixa de Gaza” contra o Hamas e, assim, neutralizá-lo[7].

A resolução dos problemas de ordem econômica e social e a desarticulação de novos grupos insurgentes são desafios que o Hamas terá que vencer para evitar um possível confronto com Israel e para continuar a manter a sua liderança na parte do território palestino que administra desde 2007.

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Imagem Guerrilheiros das Brigadas Abu Ali Mustafa intervindo numa conferência de imprensa na cidade de Gaza, 13 de novembro de 2012” (Fonte):

http://electronicintifada.net/sites/electronicintifada.net/files/121203-abu-ali-mustafa-presser.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.jpost.com/Defense/Senior-IDF-source-Gaza-violence-slowly-escalating-342225

[2] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/02/21/us-palestinians-gaza-blockade-idUSBREA1K09R20140221

[3] Ver:

http://www.timesofisrael.com/in-gaza-a-slow-burning-escalation-comes-courtesy-of-a-weakened-hamas/

[4] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/02/21/us-palestinians-gaza-blockade-idUSBREA1K09R20140221

[5] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/95031/Egypt/Politics-/Hamas-says-to-privatise-Gaza-crossing.aspx

[6] Ver:

http://english.ahram.org.eg/NewsContent/1/64/95031/Egypt/Politics-/Hamas-says-to-privatise-Gaza-crossing.aspx

[7] Ver:

http://uk.reuters.com/article/2014/01/14/uk-egypt-gaza-exclusive-idUKBREA0D09Q20140114

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Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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