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A Campanha de Ataques Contra os Refugiados Sírios no Líbano

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Desde o início da Guerra Civil na Síria, em 2011, aproximadamente 9,5 milhões de sírios tornaram-se refugiados[1], sendo que em torno de 1,2 milhão se encontram no Líbano[2]. Atualmente, esses refugiados passam por sérias dificuldades, na medida em que o país percebe a presença dos sírios como uma “ameaça existencial[3].

Os refugiados sírios têm enfrentado a discriminação racial e econômica, ao mesmo tempo em que são responsabilizados pelos problemas de infraestrutura, dificuldades econômicas e de segurança do país. A responsabilização dos sírios pelos problemas libaneses teve origem a partir das principais elites políticas do país que reforçam a intolerância por parte da população e legitimam várias restrições contra os refugiados, tais como o toque de recolher, a discriminação e os ataques violentos cada vez mais frequentes[4].

A campanha de ataques contra os refugiados sírios agravou-se a partir de atos cometidos pela Frente al-Nusra, grupo insurgente que atua na Síria, contra cidadãos libaneses e pela decapitação de dois soldados das Forças Armadas do Líbano pelo Estado Islâmico. Os “ataques de vingança[5] contra os refugiados estão sendo tratados pela imprensa local como cruéis e semelhantes a uma prática esportiva[5].

Recentemente, dois vídeos ganharam espaço na mídia, após serem divulgados por seu autor nas redes sociais, onde crianças sírias aparecem sendo ameaçadas. “O primeiro vídeo mostra pais libaneses incentivando o seu filho a bater numa criança síria com uma vara de madeira. O segundo vídeo mostra um homem libanês armado com faca ameaçando decapitar três crianças sírias, acusando-as de pertencerem ao Estado Islâmico, enquanto elas choram[6].

Os ataques se espalham de Beirute à costa sul de Beqaa Oriental e é cada vez mais comum ver sírios sendo espancados por populares[7]. Em Baalbek, segundo informações, dois homens sírios foram amarrados e colocados voltados para o trânsito na entrada da cidade, como se fossem “obstáculos humanos[7]. Por outro lado, cidadãos libaneses armados vistoriam os postos de controle ao longo das estradas do vale de Beqaa e, quando se verifica a presença de muçulmanos sunitas, eles são detidos[8]. Não é incomum encontrar avisos nos muros em vários bairros das cidades, exigindo a saída imediata de todos os sírios, enquanto as tendas nos campos de refugiados são incendiadas, situação que, nos últimos dias, obrigou centenas de famílias a fugirem de uma área xiita, em Beqaa, para uma região sunita[9].

Muitos sírios estão se tornando duplamente refugiados e sem destino a seguir. O momento exige decisões imediatas por parte da ONU, dos defensores dos Direitos Humanos, da comunidade internacional e das autoridades políticas libanesas com a finalidade de se evitar mais uma catástrofe humanitária e assegurar, acima de tudo, a vida, que é um direito de todo ser humano, independentemente de nacionalidade ou de religião.

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ImagemCampo de refugiados sírios, no Líbano” (Fonte):

http://cskc.daleel-madani.org/sites/default/files/syria_refugeess3.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-26864485

[2] Ver:

https://www.opendemocracy.net/arab-awakening/mahmoud-mroueh/antisyrian-sentiment-in-lebanon

[3] Ver:

http://english.al-akhbar.com/node/21557

[4] Ver:

http://english.al-akhbar.com/node/21557

[5] Ver:

https://www.opendemocracy.net/arab-awakening/mahmoud-mroueh/antisyrian-sentiment-in-lebanon

[6] Ver:

https://www.opendemocracy.net/arab-awakening/mahmoud-mroueh/antisyrian-sentiment-in-lebanon

[7] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/reportsfeatures/563253-anti-syrian-pogroms-point-to-darker-future-in-lebanon

[8] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/reportsfeatures/563253-anti-syrian-pogroms-point-to-darker-future-in-lebanon

[9] Ver:

https://now.mmedia.me/lb/en/reportsfeatures/563253-anti-syrian-pogroms-point-to-darker-future-in-lebanon

 

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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