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A COMUNIDADE INTERNACIONAL COMEÇA A SE MOBILIZAR PARA APOIAR E ACOMPANHAR A TRANSIÇÃO POLÍTICA NO EGITO

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Após 18 dias de protestos, o regime de três décadas de Hosni Mubarak no Egito caiu em 11 de fevereiro. No rescaldo desse evento histórico, vários dos principais doadores internacionais se comprometeram em apoiar a transição política da nação árabe islâmica.

 

A necessidade de apoio financeiro internacional para a concretização da transição política egípcia é um indicativo de que o país terá de caminhar para um modelo político mais “ocidentalizado”. Os grandes doadores começaram a coordenar esforços para auxiliar na preparação do caminho para uma Democracia, para o bom funcionamento das instituições e  investimentos para geração de emprego.

De imediato, o Presidente dos EUA, Barack Obama, prometeu fornecer “todo e qualquer apoio necessário” à realização de uma “transição crível para a Democracia”. Os EUA e o Egito mantêm laços importantes de longa data. Ao lado de Israel, o Egito é o maior beneficiário de ajuda externa dos norte-americanos no mundo.

De acordo com o relatório do “Congressional Research Service 2009”, desde 1979 o Egito recebe anualmente dos EUA um valor aproximado de US$ 250 milhões em ajuda econômica (“Ajuda Oficial para o Desenvolvimento” – AOD) e US$ 1,3 bilhão em assistência militar.

Abaixo são apresentados dados da “Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico” sobre o montante da “Ajuda Oficial para o Desenvolvimento” (AOD) comprometidos para o Egito, em 2009, de seus parceiros bilaterais.

 

Ajuda Oficial ao Desenvolvimento no Egito em 2009

Bilateral

 

País

Milhões de US$

1 – Estados Unidos

247.1

2 – Alemanha

173.9

3 – França

145.3

4 – Reino Unido

37

5 – Japão

28.2

6 – Suíça

21.3

7 – Grécia

14.3

8 – Dinamarca

12.2

9 – Espanha

6.8

10 – Áustria

6

 

Neste contexto de transição política, a “Casa Branca” e o “Departamento de Estado Norte-Americano” começaram a debater o envio de novos fundos destinados a apoiar os partidos políticos egípcios, concentrando-se nas questões estruturais e de governabilidade.

A Alemanha, segundo maior doador, pretende criar um fundo especial no valor de 4 milhões de dólares para auxiliar a transição política para um regime democrático, declarou o “Ministro Federal alemão de Cooperação Econômica e Desenvolvimento”, Dirk Niebel, em uma declaração no dia 11 de fevereiro. Além deste mecanismo, o governo alemão irá fornecer 8 milhões de euros (aproximadamente: 10,8 milhões de dólares) para apoiar a formação profissional de jovens no Egito.

A Suíça, além de congelar os bens de Mubarak, também anunciou que apoiará o país, coordenando a ajuda a ser enviada em parceria com a “União Européia” (o montante ainda não foi divulgado).

Apesar de a França ser o terceiro maior doador, é considerado o país mais exposto aos riscos de uma crise na nação norte-africana, já que os bancos franceses emprestaram ao Egito 12,82 bilhões de euros (aproximadamente: 17,317 bilhões de dólares).

O temor francês ainda continua, pois mesmo com a “queda” de Mubarak, os movimentos sociais passaram a se multiplicar no Egito. Greves e manifestações ocorrem nos setores de transporte, o bancário, de petróleo, têxtil, nas mídias oficiais e certos organismos governamentais. Os militares solicitaram a interrupção destas greves para não prejudicar a recuperação econômica do país, mas os movimentos continuam.

De acordo com o “Banco Mundial”, cerca de 40% da população egípcia vive abaixo da linha da pobreza, com menos de US$ 2 por dia. Estas pessoas dependem dos subsídios que o governo paga para os setores vários setores, principalmente de alimentos e combustíveis, que devem atingir um total de US$ 17 bilhões neste ano (2011).

A sustentabilidade do crescimento egípcio dependerá, em boa parte, da confiança dos investidores estrangeiros, dos turistas que visitam as atrações do país e das empresas que enviam suas cargas através do estratégico “Canal de Suez”, mas, enquanto a situação política não se tornar estável, tais setores continuarão comprometidos e a ajuda internacional será cada vez mais indispensável.

Daniela Alves - Analista CEIRI - MTB: 0069500SP

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).

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