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A convergente relação bilateral entre EUA e França

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No início da última semana, Barack Obama, “Presidente dos Estados Unidos da América (EUA)”, recebeu a visita oficial do presidente François Hollande da República Francesa”. Apesar de essa ser a primeira visita de um presidente francês à “Casa Branca” desde 1996[1], a reunião entre os dois Chefes de Estado assinala a manutenção de relações bilaterais profundas, mesmo após o episódio recente de espionagem e as posições contrárias noConselho de Segurança da Organização das Nações Unidas” (CSNU), quando a França vetou a invasão do Iraque em 2003[2].

Esse panorama otimista entre os dois países justifica-se no percurso histórico de suas relações, haja vista que a França é um dos parceiros e aliados mais antigos do “Governo norte-americano”. Nesse âmbito, diversos eventos evidenciam as intrínsecas relações entre os dois Estados, como: o apoio do “Governo francês” à independência dos Estados Unidos” na luta contra os britânicos; a aliança no período das “Grandes Guerras” (1ª e 2ª Guerra Mundial”), no qual os dois países pertenciam ao bloco dos Aliados, e, com a vitória desses ao final da “Segunda Guerra”, França e EUA compõem parte dos 5 países com “Assento Permanente” no “Conselho de Segurança da ONU”; além disso, o retorno da França ao comando militar da “Organização do Tratado do Atlântico Norte” (OTAN) há aproximadamente 5 anos, após sua retirada em 1966[3]; posteriormente, o apoio francês na queda do ditador líbio Muammar Kadafi durante a investida aérea dos EUA na Líbia; acrescentando-se ainda que, em 2013, o Governo francês apoiou os EUA em uma possível invasão no “Conflito Sírio”, agradando também aos “Estados Unidos” a investida francesa no Mali contra terroristas da “Al Qaeda”. Mais recentemente, ambos, França e “Estados Unidos”, confluem também quanto aos rumos das negociações sobre o “Programa Nuclear Iraniano[4]. Tudo isso reforça que as relações históricas entre os dois países dificilmente são abaladas de forma tácita por eventos pontuais.

Tais acontecimentos evidenciam que, apesar de a França e os “Estados Unidos em certos momentos manterem posições contrárias, os resultados de suas relações são sumariamente amistosas e positivas aos interesses de ambos. O presidente Hollande, nesse sentido, destacou que os dois Estados atuam em conjunto em questões como o combate ao terrorismo, na luta contra as mudanças climáticas, na não-proliferação de armas de destruição em massa e na resolução dos conflitos no “Oriente Médio” e na África[5].Já o “Presidente dos EUA”  ressaltou que “dez anos atrás ninguém diria que os dois países estariam hoje tão próximos[6], revelando o otimismo que os Presidentes tem com relação aos desdobramentos desse encontro.

No presente, a França e os “Estados Unidos” possuem pautas convergentes e de interesse mútuo. Como observa “Christopher Chivvis”, do Instituto Rand”, “o destaque das relações EUA-França atualmente são os desenvolvimentos nas áreas da defesa e segurança, em particular, a cooperação na África, principalmente no que diz respeito à Líbia, ao Mali e, desde o começo do ano, ao conflito na República Centro-Africana[7]. Nesse sentido, Obama e Hollande destacaram durante o encontro que a parceria entre os dois Estados está “em todo o Sahel, nós nos associamos com outros países para impedir que a Al Qaeda ganhe novas posições. Na República Centro-Africana, soldados franceses e da União Africana, com o apoio da aviação americana, se esforçam para acabar com a violência, criando um espaço propício ao diálogo, à reconciliação e ao progresso rápido com vistas a eleições de transição. Em todo o continente, do Senegal à Somália, contribuímos para o treinamento de forças locais, a fim de que elas mesmas garantam a segurança[8].

Assuntos pertinentes a questões de ordem econômica que possam fomentar as relações entre ambos, também foram pauta da agenda. Nesse aspecto, os Presidentes apontaram que tanto a França quanto os “Estados Unidos” possuem diretrizes similares no G8 e G20 e em questões relacionadas a novas técnicas agrícolas e de tecnologia de ponta. Destacaram ainda, que os “dois países” vão defender um acordo global sobre redução de gases e efeito estufa na “Conferência da ONU” sobre mudanças climáticas, que acontecerá em Paris, em 2015[9].

Por fim, o presidente Barack Obama anunciou que aceitou visitar a França, no próximo 6 de junho, quando será celebrado o “70º aniversário do Dia D”, que lembra a invasão da Normandia pelos Aliados, em uma demonstração clara de perpetuar o clima otimista da última semana.

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Imagem (Fonte):

http://www.lemonde.fr/international/article/2014/02/10/une-alliance-transformee-par-barack-obama-et-francois-hollande_4363116_3210.html

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2014/02/10/interna_mundo,412158/presidente-frances-faz-visita-de-estado-aos-eua-a-1a-desde-1996.shtml   

[2] Ver:

http://www.dw.de/obama-recebe-hollande-em-momento-de-sintonia-entre-eua-e-fran%C3%A7a/a-17422598  

[3] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2009/03/532966-otan-comemora-volta-plena-da-franca-a-organizacao.shtml  

[4] Ver:

http://www.dw.de/obama-recebe-hollande-em-momento-de-sintonia-entre-eua-e-fran%C3%A7a/a-17422598

[5] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/02/eua-e-franca-enfrentarao-desafios-de-lideranca-juntos-diz-obama.html  

[6] Ver:

http://www.portugues.rfi.fr/franca/20140210-hollande-e-obama-destacam-relacao-modelo-em-artigo-conjunto-na-imprensa  

[7] Ver:

http://www.dw.de/obama-recebe-hollande-em-momento-de-sintonia-entre-eua-e-fran%C3%A7a/a-17422598  

[8] Ver:

http://www.portugues.rfi.fr/franca/20140210-hollande-e-obama-destacam-relacao-modelo-em-artigo-conjunto-na-imprensa

[9] Ver:

Idem.

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Ver também:

http://www.dw.de/em-washington-hollande-e-obama-celebram-momento-da-alian%C3%A7a-eua-fran%C3%A7a/a-17425166

Jessika Tessaro - Colaboradora Voluntária Júnior

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.

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