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Essa semana, enquanto os Estados Unido decidiram intervir no Iraque em resposta à situação humanitária e de segurança no norte do país, oficiais americanos têm discutido com frequência a respeito de uma “solução política para o país[1].

Já na semana passada, o analista Abdulrahman Al-Rashed apontou que seria necessário remover o atual primeiro-ministro Nuri Al-Maliki, para “salvar o Iraque do caos e repartição[2], consequentes da ameaça insurgente jihadista no norte do país[3]. No entanto, após o político sênior Haider Al-Abadi ter sido apontado esta semana como candidato favorito da coalizão Estado de Direito Xiita ao cargo de Primeiro-Ministro[4], Maliki não demonstrou sinais de intencionar deixar o cargo facilmente.

Ao contrário, no último domingo, Malikifez um discurso televisionado acusando o Presidente iraquiano, Fuad Masum, de ter violado a Constituição ao ignorar datas limites para indicação de Chefes de Governo[5],discurso esse que foi seguido de uma mobilização de milícias leais a Malikinas ruas Bagdá[6].

A demonstração de força preocupou os Estados Unidos, que culpam Malikipor levar uma minoria sunita alienada a iniciar revolta que agora ameaça destruir o país[7]. Nesse sentido, o secretário de estado americano John Kerry aconselhou o Primeiro-Ministro a não tentar interferir no processo de escolha de um novo líder iraquiano, alertando que uma tomada de poder levaria a um corte do apoio internacional[8]. Além disso, o Governo americano, por sua vez, apoiou a nomeação de Al-Abadi e pediu pela rápida formação de um novo governo de coalizão[9], o que foi logo seguido, na terça-feira, 12 de agosto, pelo apoio do Irã, que declarou acreditar que a era de Malikiestá terminada[10].

Críticos apontam que Malikiprecipitou a crise de seu Governo devido a suas políticas sectárias[5]. De fato, o Primeiro-Ministro deixa um legado marcado pelo acirramento da animosidade entre ele e seus oponentes (a ponto de obrigar dezenas de políticos iraquianos a fugirem para o Curdistão iraquiano, Jordânia, Beirute e Londres), além de haver gasto bilhões de dólares em sua guarda pessoal, aumentando o número de guardas em Bagdá de 6.000 para 70.000, e nomeando parentes para supervisionar sua segurança[2].

Críticas a seu Governo se dão não apenas por sua inabilidade em conter a violência crescente desde o ano passado (2013), mas também pela corrupção desenfreada, pelo nepotismo e pela crescente sectarização das forças de segurança interna e do Exército que já estavam presentes nas últimas eleições[11], por parte de sunitas, curdos e mesmo xiitas que, agora, pedem que Malikideixe o cargo[5].

Em discurso nessa segunda-feira, 11 de agosto, Obama afirmou que “a única solução duradoura é que iraquianos se juntem e formem um governo inclusivo, que represente os interesses de todos os iraquianos e que possa unificar a luta do país contra o ISIL [ou ISIS][9], evidenciando uma estratégia americana que fundamenta a luta contra o ISIS calcada no fortalecimento político do Iraque e, portanto, menos dependente da intervenção militar estadunidense.

No entanto, em um contexto em que apenas um novo Presidente e um novo Porta-Voz do Parlamento foram eleitos desde as eleições parlamentares de abril[12], surge o questionamento acerca de em quanto tempo o país será capaz de formar um Governo de coalizão forte o bastante para enfrentar a ameaça sectária do ISIS.

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ImagemForças de segurança foram vistas nas ruas de Bagdá na manhã seguinte ao discurso televisionado de Maliki” (Fonte):

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-28736604?utm_source=Sailthru&utm_medium=email&utm_term=%2AMorning%20Brief&utm_campaign=2014_MorningBrief.August.11.2014

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.foreignpolicy.com/articles/2014/08/11/humpty_dumpty_in_kurdistan_iraq_islamic_state_maliki_sunni_shiite

[2] Ver:

http://www.aawsat.net/2014/08/article55335101

[3] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-28735641

[4] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-28748366

[5] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-middle-east-28736604

[6] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/08/10/us-iraq-security-maliki-militias-idUSKBN0GA0X620140810  

[7] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/08/11/us-iraq-security-idUSKBN0G808J20140811

[8] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/08/12/world/middleeast/kerry-iraq.html

[9] Ver:

http://thecable.foreignpolicy.com/posts/2014/08/11/washington_wants_maliki_out_what_if_he_refuses_to_go_coup_terrorism_isis_obama

[10] Ver:

http://thecable.foreignpolicy.com/posts/2014/08/12/maliki_used_to_have_the_support_of_both_iran_and_the_us_now_hes_lost_them_both

[11] Ver:

http://jornal.ceiri.com.br/eleicoes-iraque-e-sectarizacao-da-politica-iraquiana/

[12] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/08/11/opinion/iraq-s-rot-starts-at-the-top.html

Ricardo Fal Dutra Santos - Colaborador Voluntário

Mestre em Segurança Internacional pela Paris School of International Affairs, Sciences Po, com especialidade em direitos humanos e Oriente Médio. Especialista em Ajuda Humanitária e ao Desenvolvimento pela PUC-Rio. Bacharel e licenciado em História pela UFF. Atualmente, atua como pesquisador da ONG palestina BADIL Resource Center, e possui experiência de campo na Cisjordânia. Escreve para o CEIRI Newspaper sobre crises humanitárias, violações de direitos humanos e fluxos migratórios e de refugiados.

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