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A dinâmica eleitoral norte-americana: política e sociedade

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O ano de 2015 será especial para a elaboração de estratégias eleitorais dos principais pré-candidatos ao posto de novo Presidente dos Estados Unidos. O sufrágio que acontecerá no final de 2016 colocará à disposição do público e dos delegados dos partidos Democrata e Republicano candidatos com interpretações antagônicas sobre política interna e externa, sobre a economia e sobre a sociedade, com vieses de centro-esquerda, ou conservadores, aos moldes das estruturas já conhecidas das décadas de 80 e início de 90, muito comuns, por exemplo, na militância do Tea Party, segmento social que apoiou o Partido Republicano e era classificado como de extrema direita.

A eleição presidencial norte-americana apresenta uma particularidade importante. Trata-se de um sistema em que normalmente apenas dois partidos conseguem chegar à disputa, que se inicia com primárias, nas quais são escolhidos ao final do período pré-eleitoral os dois principais candidatos de cada partido que concorrerão ao posto na Casa Branca. Esse tradicional formato já permite contextualizar que estratégias aliadas à continuidade e à mudança deverão delimitar os discursos.

Nesse sentido, é consenso para ambos os tradicionais Partidos que a propaganda político-partidária das principais personagens políticas explorarão as competências administrativas da atual gestão para construir os alicerces dos programas de governo dos respectivos elegíveis. Concomitante a tal possibilidade, políticas centristas, de radicais à esquerda e à direita monopolizarão os debates iniciais dessa corrida que promete ser uma das mais identificadas com modelos passados dos últimos tempos.

Com as confirmações de Ted Cruz (Senador republicano pelo Texas); Rand Paul (Senador republicano pelo Kentucky); Marco Rubio (Senador republicano pela Flórida) e Hillary Clinton (democrata, Ex-Secretária de Estado da Gestão Obama) exemplares da heterogeneidade étnico-civilizacional, além da presença de uma mulher como candidata em potencial para o principal cargo na política mundial, desconstrói em partes a imagem de um eleitorado predominantemente Branco, Anglo-Saxão e Protestante (WASP, na sigla em inglês), muito consolidado na história política norte-americana, desde sua construção pelas mãos dos “fouding fathers”. Por outro lado, observadores apontam que a imagem conservadora nas esferas interna e externa prevalecerá.

Segundo especialistas consultados, para a construção de uma plataforma política, os candidatos até aqui confirmados para as prévias deverão levar em conta a composição étnica, além do fato de que a lealdade ao gênero nos Estados Unidos importa, e muito. Na questão étnica, a comunidade latina, por exemplo, não constrói um conjunto harmônico e homogêneo. Existem distinções entre os hispânicos e, mesmo com a presença de dois candidatos cubano-americanos, isso não significa que a comunidade despertará empatia por eles.

De acordo com o Censo de 2010, existiam em território norte-americano 50 milhões de latinos. Desses, 31 milhões eram de ascendência mexicana; 4,6 milhões de porto-riquenhos e apenas 1,7 milhão de cubanos; concentrados em sua maioria na região de Miami. Dessa forma, as disposições eleitorais de democratas e republicanos, com base nas eleições presidências, devem levar em consideração que a proporção de não brancos cresce por decorrência da imigração, ressaltando-se que os republicanos são em sua maioria anglosaxões com restrições quanto a heterogeneidade social da nação. Além disso, os cubanoamericanos, menos obcecados pelo regime Castro, tendem a seguir a linha democrata. Já os grupos formados por feministas e homossexuais, crescentes e importantes nas eleições, também seguem a linha democrata, em repúdio às políticas conservadoras propostas pelos legisladores e candidatos presidenciais da ala mais radical do Partido Republicano.

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Imagem (Fonte):

https://images.politico.com/global/news/110703_declaration_of_independence_605_ap.jpg

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Fontes Consultadas:

Ver:

https://firstlook.org/theintercept/2014/12/17/jeb-bush-v-hillary-clinton-perfectly-illustrative-election/

Ver:

http://www.politico.com/story/2014/07/harry-reid-nevada-2016-election-109569.html?hp=f2

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http://www.politico.com/story/2015/02/jeb-bush-republicans-poverty-114926.html?hp=t4_r

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http://www.politico.com/magazine/story/2015/03/elizabeth-warren-profile-115489.html?hp=b3_r2#.VQmt2I7F8Qw

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https://firstlook.org/theintercept/2015/03/23/e-mails-show-jeb-bush-coordinating-florida-legislature-set-favorable-primary-election-system/

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http://www.politico.com/magazine/story/2015/04/hillarys-path-to-victory-116432.html?hp=t4_r#.VSbH5_nF8Qw

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http://www.politico.com/magazine/story/2015/04/clinton-white-house-the-residence-excerpt-116706.html?hp=m4#.VSbIHfnF8Qw

Ver:

http://www.politico.com/magazine/story/2015/04/rand-paul-ron-paul-2016-elections-116702.html?hp=m5#.VSbIKfnF8Qw

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http://foreignpolicy.com/2013/04/01/the-most-hated-man-in-the-senate/?wp_login_redirect=0

Ver:

http://www.cartacapital.com.br/revista/836/eleicoes-imperiais-4807.html

Ver:

http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,senador-republicano-rand-paul-anuncia-pre-candidatura-a-casa-branca,1665181

Ver:

http://www.publico.pt/mundo/noticia/ted-cruz-o-homem-mais-odiado-no-senado-esta-na-corrida-a-casa-branca-1690062

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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