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A economia estadunidense entre a recuperação e a turbulência

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A última semana foi de apreensão nos mercados do mundo todo por conta dos sinais de exaustão demonstrados pela economia chinesa. Sua aparente fadiga por ser o motor produtivo da economia internacional, uma vez que responde por 15% da produção mundial e por 50% do crescimento econômico nos últimos anos, naturalmente causa e causará impactos em todo o sistema financeiro, ainda em recuperação da recessão de 2008.

Concomitantemente a problemática testemunhada em 2008, é salutar observar mais atentamente a situação chinesa através dos desdobramentos em mercados de países em desenvolvimento e, principalmente, nos Estados Unidos.

Nesse sentido, os entendimentos começam pelas manobras feitas pela China para atenuar a turbulência. Autoridades em condição de anonimato e consultores do Banco Central afirmam que a venda generalizada de ações nas bolsas chinesas derrubou os mercados globalmente, pressionando o Governo a injetar mais liquidez no sistema bancário para compensar os efeitos da desvalorização do Yuan. Essa manobra deixou evidente o grau de dependência mundial, haja vista que, durante a crise iniciada no final da década passada, o país oriental foi responsável por amortecer os choques graças aos planos de estímulo desenvolvidos pelo Partido.

Tais ferramentas que a China usou para sustentar o crescimento tem perdido a eficácia, à medida que a economia cresce e a repetição maquia ineficiências estruturais. A receita de investimento estatal e exportações também perdeu força. De acordo dados macroeconômicos de instituições financeiras, as exportações caíram 8,3% em julho comparado ao ano anterior (2014) e as encomendas das fábricas diminuíram, assim como as novas construções, que caíram 16,8% nos primeiros sete meses de 2015.

O Governo chinês, na tentativa de reequilibrar a economia, anunciou em julho passado cortes de 0,25 ponto percentual no juro básico, e de 0,50 p.p. nos depósitos compulsórios. A redução de 0,25 p.p. de maneira simétrica pode ter efeito maior na expansão do crédito. Ainda dentro das implementações governamentais, as autoridades promoveram ajustes regulatórios para impulsionar o crescimento do crédito por parte de Bancos de pequeno porte. Entretanto, tais medidas ainda não são suficientes para modificar as projeções do PIB chinês em 2015, que estão entre 6,7% e 7%.

Diante de um quadro pouco otimista, os mercados emergentes já começam a sentir os efeitos da desaceleração chinesa. Na Indonésia, o carvão importado pela China acumula nos portos. Na África do Sul, as mineradoras estão demitindo funcionários.

Nos países exportadores de commodities como Brasil, Indonésia, África do Sul e Rússia as moedas desvalorizaram. O rublo russo atingiu o menor valor em sete meses, chegando a atingir a pior marca da história: 70,9 rublos por dólar. A América Latina viu o peso mexicano e colombiano, ambos os países exportadores de petróleo, atingir cotações mínimas recordes. O peso mexicano acumula queda de 23%, o peso colombiano 60%, enquanto o real no Brasil despencou para quase 36%.

Nos Estados Unidos, a pergunta é se o país tem condições de defender sua política macroeconômica mesmo com as oscilações da semana passada. Com um crescimento lento, mas estável, com a compra de títulos para estimular investimentos (quantitative easing QE) suspensos pelo Federal Reserve (FED, na sigla em inglês) e com a tendência de aumento dos juros de curto prazo, Janet Yellen, Presidente do FED, se vê pressionada a tomar medidas protecionistas para resguardar a recuperação econômica.

No entanto, o cenário mostra que um crescimento desigual fortalecerá o Dólar, que, por sua vez, torna os produtos norte-americanos mais caros em outros países, inviabilizando as exportações e afetando o crescimento nos próximos meses. Além disso, uma possível queda nas bolsas poderia abalar a confiança nos gastos do consumidor e tornar os investimentos empresariais menos competitivos.

Com um crescimento médio anual de 2,1% nos últimos três anos, alguns economistas interpretam que a China não causará um impacto direto na economia norte-americana. O país responde por apenas 7% das exportações, que não influenciam diretamente no crescimento da economia do país ocidental, ainda bastante dependente do consumo. Todavia, o passo mais importante da retomada do crescimento da principal potência do sistema internacional será dado em breve, se os entendimentos quanto à flutuação econômica internacional pressionarem ou não internamente os Estados Unidos a não aumentar a sua taxa de juros, sob o risco de a valorização, mediante a liquidez, pressionar o mercado interno com inflação e restrições ao consumo.

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Imagem (Fonte):

https://static.guim.co.uk/sys-images/Guardian/Pix/pictures/2011/8/10/1312935208176/Wall-Street-007.jpg

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Fontes Consultadas:

Ver:

http://www.cfr.org/international-finance/role-us-federal-reserve/p21020

Ver:

http://br.wsj.com/articles/SB11269488643212654535504581193231310157682?tesla=y

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http://br.wsj.com/articles/SB11051541622060234421004581191253031935410?tesla=y

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http://br.wsj.com/articles/SB11051541622060234421004581191222625214078?tesla=y

Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150826_china_economia_razoes_hb

Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150825_china_explainer_hb

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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