LOADING

Type to search

A estratégia política de Shafiq de comparar-se ao brasileiro Lula

Share

O candidato ao segundo turno das eleições presidências egípcias, Ahmed Shafiq, está adotando uma estratégia eleitoral que vem surpreendendo alguns analistas em sua campanha para a votação dos dias 16 e 17 de junho, próximos.

Durante a propaganda eleitoral, está mostrando imagens do ex-presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, adotando como analogia o afastamento do passado em relação ao presente e às propostas de futuro. De certa maneira, seria uma reedição, sem usos explícitos, do slogan “A Esperança Venceu o Medo”.

 

Nos vídeos, com a postagem de imagens de Lula, se pede que o passado não seja julgado para decidir o voto, comparando com situação brasileira em que o “nível educacional de Lula ou de seu passado”* não foram considerados pelos eleitores que o escolheram. Na propaganda está dito: “Apesar de Da Silva ser um simples trabalhador que engraxava sapatos, seu povo acreditou nele e deu a ele sua confiança porque sua competência era conhecida. Eles não o chamaram de traidor ou o xingaram. Eles não falaram de seu nível educacional ou de seu passado. (…) ganhou o respeito internacional e alavancou a economia brasileira a níveis impressionantes”*.

Analistas apontam que a estratégia usa de opiniões disseminadas na comunidade internacional que mostram o desconhecimento da realidade brasileira, da história do ex-presidente Lula, bem como da situação política em que o fenômeno foi criado, além de usar da relação entre passado e presente em contextos que não são análogos.

O brasileiro é apontado como um homem avaliado por sua falta de formação, mas competente politicamente (não foi apenas isso que se deu no Brasil), enquanto que o egípcio não mostra que a questão do seu passado está no vínculo com um Regime considerado tirânico e não por uma suposta falta preparação técnica, ou educacional, algo que pelo contrário ele teve em nível elevado, já que é parte da elite egípcia.

Não foi divulgado ainda se o brasileiro autorizou o uso de sua imagem, algo difícil de ser verídico, já que no início da Revolução no Egito, Lula teceu críticas ao Governo de Hosni Mubarak, do qual Shafiq foi o último Primeiro-Ministro. Além disso, o posicionamento do “Governo Lula” foi dúbio em relação à “Primavera Árabe”.

Analistas apontam ainda que este procedimento pode ser um insucesso, já que, apesar do elevado investimento em “marketing pessoal” feito pela equipe de assessores do ex-presidente brasileiro, internacionalmente ele começou a ser questionado, diante das inconstâncias de sua política externa e contradições dos pronunciamentos frente aos cenários que se apresentavam no “Oriente Médio” e “Norte da África”.

———————-

Fontes:

* Ver:

http://br.noticias.yahoo.com/propaganda-eleitoral-pol%C3%ADtico-eg%C3%ADpcio-se-compara-lula-121420911.html

Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.