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A parte oriental do continente Europeu – Mais conhecida pela denominação geopolítica de Europa do Leste – sempre foi um ponto de tensões e instabilidade devido ao atrito entre povos e nações que passaram pela região. Desde tempos remotos, ela tem sido utilizada como porta de acesso terrestre ao continente, além de cenário de guerras entre diversas culturas e civilizações, a citar os hunos, otomanos, mongóis, russos e outros povos categorizados como bárbaros, demonstrando que foram muitos os que usaram esse caminho.

Por esse motivo, a formação territorial da região reflete bem seu passado de tensões e atritos, oscilando sempre entre dois mundos, o ocidental e o oriental, e reunindo em um pequeno território grande parte da dualidade que paira sobre todo o globo, bastando apenas uma pequena fagulha para começar uma guerra na região ou aumentar tensões históricas muitas vezes esquecidas, ou negligenciadas pela comunidade internacional.

Por diversas ocasiões foi na Europa do Leste onde o mundo enfrentou o dualismo e rivalidade entre as nações. Foi nesta área onde Roma foi atacada por diversas vezes e depois dividida; onde, posteriormente, Constantinopla fora travada e depois foi convertida ao islã, tentando ampliar sua influência e dando fama aos embates por diversas regiões, sendo uma delas a Transilvânia. Foi lá onde o império mongol – maior império da história da humanidade – conheceu seus limites. É a região onde começou a primeira Guerra Mundial e onde o mundo construiu uma fronteira humana, dividindo-se – tanto como em Berlim – entre capitalismo e comunismo, reforçando mais uma vez o dualismo que vive e deu forma à região.

Embora seja testemunha da evolução histórica do continente europeu, a Europa do Leste não representa em si um ponto de gravidade no continente, mas, sem dúvida, um importante bastião que se acredita dever ser vigiado de perto. E é por esse motivo que a União Europeia está cada vez mais preocupada com os acontecimentos na região, dentre eles, a consolidação da União Euroasiática, que surge como uma alternativa para o avanço da própria União Europeia; a vitória do líder conservador Edorgan, na Turquia; as tensões na fronteira dos países da antiga Iugoslávia e na região dos Balcãs; a tensão engessada da crise da Crimeia; os movimentos políticos da Rússia e, por último, as mudanças em países que pertencem ao Bloco, mas são influenciados pelos acontecimentos da região, tais como a Hungria e a Polônia. A situação chegou a um ponto no qual o Conselho Europeu discutiu sobre a atuação de ambos países e seus respectivos posicionamentos frente aos valores que dão forma ao Bloco, ameaçando, no caso da Hungria, intervir na hipótese de o Governo continuar promovendo leis e discursos opostos aos princípios da UE.

Muitos são os fatores que colidem nessa parte do mundo e a União Europeia se sente pressionada pela atual conjuntura na qual se encontra, já que, por um lado, a imprevisibilidade de Donald Trump se reflete nas ações da OTAN, por outro lado, a crise dos refugiados tende a se intensificar durante o verão, aumentando as pressões populares e as crises na área.

Já o cenário político da União Europeia está marcado pelas eleições na França, que se aproximam e possivelmente devem chegar ao segundo turno, e, no final do ano, pelas eleições da Alemanha, algo que engessa todo o processo político da região, já que afeta os principais membros, dificultando a tomada de decisões, além de levantar o alerta para o crescimento do nacionalismo e populismo de direita, que, por sua vez, se caracterizam pelo discurso eurocético.

Qualquer pequena mudança parece desencadear um efeito dominó e tudo indica que o tabuleiro volta a se posicionar justamente na Europa do Leste e nas suas proximidades, tanto da Rússia como da Turquia, e em como os processos políticos da região vão se refletir na realidade europeia.

Outro ponto importante relacionado a essa tensão regional se deve a questão Síria e ao posicionamento das potências mundiais nessa parte do mundo. Acrescente-se ainda que a Europa do Leste é onde se localizam as maiores assimetrias da Europa, mas também é o único espaço geográfico pelo qual o Bloco pode se expandir, sendo outro paradoxo do seu caminho. Seja como for, é importante para a Europa analisar cada passo e movimento que ocorre na área, já que os ecos do Oriente podem ser maiores do que esperado.

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Imagem 1 Europa do Leste” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/bc/Eastern-Europe-small.png/300px-Eastern-Europe-small.png

Imagem 2 Europa em chamas” (Fonte):

https://www.barenakedislam.com/wp-content/uploads/2016/07/Brexit-Angela-Merkel-683224.jpg

Imagem 3 Mapa com representação dos partidos na Europa, por composição de representação municipal” (Fonte):

https://3.bp.blogspot.com/-0FxIY0oWc8o/U4R5yjMmxkI/AAAAAAAAJm4/lkq9VJUirW4/s1600/mapa+da+europa.jpg

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Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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1 Comments

  1. Thiago 26 de Abril de 2017

    Parabéns pelo artigo!

    Responder

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