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A força econômica do segmento futebolístico

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De forma inegável, a globalização do futebol transformou este esporte em uma das mais lucrativas atividades do mundo, fortalecendo tanto econômica quanto politicamente os que sabem explorar, com maestria, o alto potencial da indústria futebolística. Desta forma, inserido em um contexto capitalista, o futebol se tornou um produto de alto valor de mercado, de grande penetrabilidade e possuidor de um extenso e inesgotável mercado consumidor. Não somente o desenrolar dos noventa minutos é o relevante, mas, sobretudo, toda uma estrutura que cerca a partida: o campo de jogo, os uniformes, os direitos televisivos, os jogadores, enfim, a totalidade dos rituais que abrangem o espetáculo futebolístico é fundamental para a comercialização do produto futebol.

Assim, o segmento futebolístico tornou-se uma importante fonte de riqueza, movimentando tamanho montante financeiro que o coloca dentre os principais setores da economia mundial, de sorte que qualquer análise comparativa dos indicadores econômicos pertinentes, da ampla gama de negócios e indivíduos direta e indiretamente envolvidos na economia do futebol comprova, inequivocamente, a magnitude do segmento, bem como identifica inúmeras vantagens conjugadas, tais como as relacionadas ao ordenamento social, ao desenvolvimento humano, à cooperação técnica internacional, à melhoria de infraestrutura, ao crescimento da indústria do turismo e, sobremaneira, à promoção internacional de governos e empresas.

Pode-se constatar que a mentalidade liberal e mercantil, características típicas da sociedade capitalista, transformou este esporte em um negócio de escala mundial, especialmente a partir da década de 1990, período em que o processo de globalização e internacionalização do capital se intensificou. Essa globalização contribuiu de forma decisiva para o crescimento do mercado consumidor para o futebol, ainda mais se considerarmos o relevante papel da televisão para o segmento futebolístico, portadora das imagens e símbolos que se apresentam em profusão neste universo. Logo, constata-se a existência de uma estreita e essencial ligação entre o futebol e a televisão, motivada pela compartilhamento mútuo de interesses.

No que tange ao vetor econômico do universo futebolístico – movimentando cerca de U$180 bilhões em 1999, U$200 bilhões em 2000 e U$250 bilhões em 2005 –, a FIFA é vista por inúmeros analistas econômicos como a maior empresa multinacional do mundo, haja vista o segmento futebolísticos empregar, direta e indiretamente, mais de meio bilhão de pessoas em todo o mundo. Com relação à FIFA, as receitas garantidas desta foram de aproximadamente U$1,7 bilhão com os direitos de transmissão televisivos da “Copa do Mundo da Alemanha 2006”, segundo estudo da consultoria Deloitte.

Outros pontos concernentes à força econômica do segmento futebolístico são apontados pelo estudo “Soccernomics 2010”, elaborado pelo “ABN AMRO Bank”. Neste, é analisado o impacto macroeconômico originado pela indústria futebolística em alguns países, bem como é mostrado que, em anos de “Copa do Mundo”, o crescimento econômico tende a ser um pouco mais acentuado, com o país campeão apresentando um adicional de 0,7% na taxa de crescimento econômico, se comparado com o período imediatamente anterior. Ademais, aponta o estudo que os negócios também podem ser afetados pelo mercado futebolístico e que um país que atraia atenção positiva no cenário internacional possui uma capacidade mais acentuada de estabelecer relações comerciais e receber investimentos de outros países, de forma que o futebol pode contribuir, decisivamente, para facilitar a emergência de tais relacionamentos no cenário mundial.

Especificamente no Brasil, segundo estudo elaborado recentemente pelo “Banco Central” (BACEN), a “Copa do Mundo 2014” causará impactos positivos nos preços internos, pressionando-os para cima e, consequentemente, gerando pressões inflacionárias. Neste estudo o BACEN leva em conta, na análise dos impactos econômicos causados pela “Copa de 2014”, o custo total, os benefícios indiretos advindos de uma maior exposição internacional do país, o efeito antecipação (o quanto a economia reage à escolha do país como sede) e o legado, que diz respeito ao quanto a economia pode ser alterada de forma permanente. Cumpre registrar que os cálculos projetados pelo BACEN abrangem o período compreendido entre 2007 (quando o país foi escolhido como sede da “Copa de 2014”) e 2017 (ano imediatamente posterior à realização das “Olimpíadas Rio 2016”), quando, no entender do BACEN, se dissiparia a pressão inflacionária gerada pela “Copa de 2014” e também pela “Rio 2106”, os chamados megaeventos esportivos.

Ainda de acordo com o estudo do “Banco Central do Brasil”, o comportamento do nível de preços interno da economia será, comparativamente a outros países que anteriormente hospedaram a “Copa do Mundo”, mais acentuado aqui, dada a realização de dois grandes megaeventos em curtíssimo espaço temporal. Desta forma, estima a Instituição que a “Copa de 2014” e a “Rio 2016” elevarão em dois pontos percentuais o “Índice de Preços ao Consumidor Amplo” (IPCA) no período considerado. Em realidade, tal estimativa vem encontrando total comprovação prática, e isso já há algum tempo, haja vista os altos preços internos que vêm sendo praticados nos mais diversos segmentos, aluguéis, alimentação, entretenimento, passagens aéreas, tarifas hoteleiras etc..

Por fim, conclui o BACEN que megaeventos esportivos em geral, “Copa do Mundo” e “Jogos Olímpicos”, podem ter impactos significativos na economia do país-sede, tendo em vista que engendram preparativos nos mais diversos campos e têm início anos antes da realização do megaevento, não compreendo apenas o período de realização dos mesmos. Destarte, por envolverem investimentos duradouros, os efeitos econômicos associados à realização de megaeventos são, geralmente, de longo prazo. 

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ImagemO Capital que Faz A Bola Rolar” (Fonte):

http://cafe-pontocom.blogspot.com.br/2010_06_26_archive.html

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Fontes consultadas:

Ver BANCO CENTRAL DO BRASIL. Relatório Trimestral de Inflação. Dezembro, 2013. Disponível em:

http://www.bcb.gov.br  

Ver:

SANTOS, M. A. Esporte e Relações Internacionais: a Diplomacia Futebolística como Ferramenta de Soft Power – o Caso do Brasil. Dissertação de Mestrado apresentada no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – PPGRI/UERJ. Rio de Janeiro: Novembro de 2011.

Ver:

SOCCERNOMICS 2010: Soccer and The Economy. ABN AMRO Bank, 2010.

Ver:

VASCONCELLOS, D. W. Esporte, Poder e Relações Internacionais. Brasília: FUNAG, 2008

Mario Joplin - Colaborador Voluntário

Mestre em Relações Internacionais pela UERJ, Especialista em História das Relações Internacionais e Bacharel em Ciências Econômicas pela UFRJ. Possui experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Política Internacional e Formação Econômica Brasileira. Foi bolsista de FAPERJ por um ano e Bolsista de Vocação para Diplomacia do Instituto Rio Branco (IRBr) por 4 (quatro) anos. Áreas de interesse: Esporte e Relações Internacionais; Diplomacia Futebolística; e Soft Power e Política Externa.

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