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A Frente al-Nusra (Frente de Apoio ao Povo da Grande Síria), grupo irregular sunita pan-árabe, sediado na Síria, com ligações ideológicas e logísticas à al-Qaeda[1], anunciou em 30 de agosto, no Twitter, a captura de 45 membros das Forças de Manutenção da Paz da ONU[2]. No âmbito da Guerra Civil Síria, as ações da Frente al-Nusra vão no sentido de combater o regime de Bashar al-Assad, denominado pelo grupo de Nusayri, [termo utilizado para depreciar o conceito de alauítas], considerado pelos insurgentes um “regime criminoso[3] que, de certo modo, tem sido tolerado pela ONU

A Frente al-Nusra acusa a ONU de não ter agido com rigor em relação aos atos cometidos pelo Regime sírio na atual Guerra Civil, e procura justificar as detenções dos soldados da ONU sob o argumento de que a instituição só coloca em prática o Capítulo VII de sua Cartacontra os muçulmanos”. Para além das acusações de omissão da ONU em várias situações na região e, em específico, na Síria, o grupo também acusa as Nações Unidas de conspiração.

Segundo a al-Nusra, “os crimes do regime Nusayri injusto e de seus aliados do Hezbollah e do Irã e de outros estão acontecendo todos os dias com o reconhecimento das organizações internacionais e não ouvimos o capítulo VII. Isso é para os muçulmanos saberem que tais resoluções internacionais somente são usadas contra eles e contra a jihad, para que permaneçam submissos aos poderes de infidelidade mundial, para pilhar os seus recursos e as fortunas de suas terras e controlar os seus pescoços e vidas como eles quiserem[4].

É com base em acusações e conspirações que a Frente al-Nusra entrou em ação contra as Forças de Manutenção da Paz da ONU, cujo contingente é oriundo das Filipinas e das Ilhas Fiji e serve nas Colinas de Golã, na fronteira entre Israel e a Síria. O Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou a detenção dos soldados e exigiu a libertação imediata de todos os prisioneiros[5].

A crise começou na última quinta-feira, quando os rebeldes sírios iniciaram os ataques contra as Forças de Manutenção da Paz, nas Colinas de Golã[6]. No dia seguinte, a Frente al-Nusra apreendeu e exigiu que os membros das Forças de Manutenção da Paz das Ilhas Fiji se rendessem, porém, os filipinos se recusaram e entraram em combate com os rebeldes. Na sequência dos acontecimentos, um grupo de 35 soldados saiu escoltado com sucesso pelas forças irlandesas de um acampamento da ONU em Breiqa, mas um outro grupo de 40 soldados foi cercado por cerca de 100 rebeldes, tendo ocorrido trocas de tiros; somente à noite ocorreu um cessar-fogo e os filipinos fugiram para se encontrar com as outras Forças de Manutenção da Paz da ONU[7].  

A Frente al-Nusra se pronunciou sobre os membros das Forças de Manutenção da Paz e afirmou que eles estão sendo bem tratados. Porém, em meio de todos os acontecimentos, há uma divergência quanto ao número de prisioneiros. A ONU anunciou o número de 44 soldados enquanto que o grupo insurgente está em posse de 45 cartões de identificação[8]. Esta contradição ainda está por esclarecer e, enquanto isso, permanece a insegurança e a situação complexa enfrentada pela ONU que, neste momento, tem os seus membros sob a ameaça rebelde.

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Imagem Pacificadores da ONU observam os combates perto do lado sírio da passagem de Quneitra, o único ponto de fronteira entre Israel e a Síria, nos Altos de Golã” (Fonte):

https://www.scmp.com/sites/default/files/2014/08/29/mideast_israel_syria_un_conflict_ats03_45192277.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://jornal.ceiri.com.br/o-isis-a-frente-al-nusra-e-as-brigadas-abdullah-azzam-declaram-guerra-ao-libano/

[2] Ver:

http://www.longwarjournal.org/archives/2014/08/al_nusrah_front_anno.php#ixzz3C0b64cGi

[3] Ver:

http://www.longwarjournal.org/archives/2014/08/al_nusrah_front_anno.php#ixzz3C0b64cGi

[4] Ver:

http://www.longwarjournal.org/archives/2014/08/al_nusrah_front_anno.php#ixzz3C0b64cGi

Ver, a este respeito, o Capítulo VII da Carta das Nações Unidas: “Ação em caso de ameaça à paz, ruptura da paz e ato de agressão”.

http://www.unric.org/pt/informacao-sobre-a-onu/12

[5] Ver:

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=48582&&Cr=golan+heights&&Cr1=#.VAOh-OZ0zIU

[6] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/1.613417

[7] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/1.613417

[8] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/1.613417

 

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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