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Com o acirramento da crise política e econômica que enfrenta o Brasil, muitos são os cidadãos brasileiros que veem no exterior uma oportunidade para obter uma vida melhor e mais estabilidade. Iludidos por rankings e notícias, ou desapontados pela atual situação, são levados a abandonar sua família, trabalho, estudos e projetos, na busca do sonho de viver melhor e com a ilusão de que serão bem recebidos e bem acolhidos em países com maior grau de desenvolvimento social e econômico, ou com a esperança de voltar ao exterior no caso dos retornados.

O perfil do emigrante brasileiro mudou muito ao longo dos anos e já não se trata de mão de obra sem qualificação das classes mais baixas. O atual emigrante pertence em sua maioria à classe média e média alta e muitos possuem ensino superior. No caso dos que vão para Europa, muitos também possuem cidadania. No entanto, a realidade dista muito dos sonhos brasileirosCada vez mais os países apresentam maiores restrições quanto à imigração. Naqueles onde existe demanda de mão de obra, em sua maioria são cargos com baixa remuneração ou baixa qualificação e não é fácil obter permissão de trabalho, alugar um imóvel ou ter acesso aos serviços básicos.

Os locais que demandam mão de obra não são as grandes cidades conhecidas dos países desenvolvidos, mas regiões menores, dedicadas a atividades ou bem agrícolas, ou industriais, onde o conservadorismo é crescente.

No caso da Europa, a situação varia conforme o país. Muitos enfrentam profundas crises sociais e, mesmo com sua economia crescendo, como no caso da Espanha, que registra 2,5% de crescimento do PIB para este ano, ainda sofrem com elevadas taxas de desemprego, superiores a 20%. Destaca-se que esse número é maior entre os estrangeiros[1].

As políticas e ajudas sociais foram majoritariamente eliminadas e houve uma precarização do trabalho generalizada como resultado das políticas de austeridade e reajustes fiscais, sendo tal processo perceptível na Itália, em Portugal e na França,principais receptores de imigrantes brasileiros, juntamente com o Reino Unido[2].

No caso da principal economia do Bloco europeu, as lágrimas da refugiada palestina, ocasionadas pela postura da primeiraministra Angela Merkel, deixaram clara a postura da Alemanha no que se refere à imigração e aos refugiados[3].

Um vídeo produzido este mês pelo Ministério do Interior Alemão explica para a sociedade que o país não dará asiloeconômico para os cidadãos dos países balcânicos (principais emissores de emigrantes em direção à Alemanha), já que esses países não estão em guerra. O mesmo acontece com o imigrante brasileiro, pois, aos olhos do Governo Alemão, as migrações movidas por motivos econômicos não são um problema humanitário e nem emergencial, já que socialmente não existe uma diferenciação entre o que é a imigração e o que é o asilo político[4].

A Europa está colapsada pela crescente onda de refugiados que chega aos países mediterrâneos e também sofre os efeitos das correntes migratórias internas da própria União, devido às desigualdades econômicas entre os países do bloco e o dumping salarial existente.

O efeito disso é um crescente movimento conservador em todos os países, o aumento das barreiras para a imigração e uma crescente tensão social, onde o estrangeiro, não importa se é legal, ilegal, refugiado, nacionalizado ou não…, é visto como um novo fator social que promove o desequilíbrio do Estado, gerando uma aversão ao processo migratório no seio da sociedade local[5].

O discurso da imigração está presente nas principais economias do mundo. Nos Estados Unidos é um dos principais temas das eleições[6]; na França e na Alemanha são temas do dia a dia, onde existem discursos cada vez mais rígidos; na Espanha foi um dos motivos usados para aprovar uma série de leis, criticadas até mesmo pelas Nações Unidas, por atentar contra os direitos humanos, já que permite ao Governo Espanhol fazer deportações em massa, bem como que qualquer cidadão estrangeiro possa ser abordado e controlado; no caso da Itália, existe até mesmo a denúncia dos ilegais por civis.

O problema é que socialmente não há uma distinção entre os imigrantes, mesmo para aqueles que estão regularizados no país, com outros processos, tais como os refugiados, o que, sem dúvidas, resulta ser um balde de água fria e muitas lágrimas para aqueles que emigram.

Certo é que existem países como a Austrália, Nova Zelândia e Canadá com sistemas e programas de imigração qualificada, mas até mesmo nesses países já aparecem movimentos políticos contrários e a busca interna de soluções para os problemas demográficos, de modo que, como todo processo humano, tem sempre lados e, no caso de emigrar, talvez o outro não seja tão doce.

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Imagem (Fonte):

http://www.euronews.com/2015/08/10/germany-gets-tough-on-balkan-migration/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.20minutos.es/noticia/1712423/0/tasa-paro/extranjeros/espana/

[2] Ver:

http://www.brasileirosnomundo.itamaraty.gov.br/noticias/censo-ibge-estima-brasileiros-no-exterior-em-cerca-de-500-mil/impressao

[3] Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/07/jovem-palestina-chora-apos-ouvir-resposta-de-merkel-sobre-refugiados.html

[4] Ver:

http://es.euronews.com/2015/08/10/alemania-no-hay-asilo-economico-para-los-ciudadanos-de-los-balcanes/

[5] Ver:

http://www.brasil.rfi.fr/geral/20141015-megaoperacao-na-europa-contra-ilegais-atinge-brasileiros

[6] Ver:

http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/imigracao-ilegal-domina-debate-entre-republicanos-cedla0pndjknxr6a9g01le310

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Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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1 Comments

  1. Carlos 12 de novembro de 2015

    curso Sociologando da Francesa Léa Mougeolle, acesse agora em http://sociologando.com

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