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A importância do engajamento político por parte de atletas

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Eu não consigo respirar[1], foram as últimas palavras de Eric Garner quando este foi morto em New York, nos Estados Unidos, em julho de 2014. Infelizmente, esta não foi a única morte causada por ação policial, silenciadas pela justiça estadunidense que inocentou os membros do aparato repressivo do Estado, de acordo com o que foi disseminado pela mídia. Os movimentos sociais através do mundo saíram às ruas para protestar contra estes excessos de violência recorrentes contra minorias étnicas, uma vez que o problema não se resume somente aos Estados Unidos[2].

A frase “Eu não consigo respirar[3] estava estampada em diversas camisetas de atletas ao redor do mundo, mais especificamente nos Estados Unidos. Eles a utilizaram de maneira a protestar contra a morte de inocentes que, supostamente, foram atacados devido ao pertencimento a uma minoria étnica, destacando-se que são atletas que pertencem a diversos níveis esportivos, com destaque a Lebron James e Ariyana Smith[3].

Conforme a opinião de observadores, dentre eles o escritor esportivo Dave Zirin e a assumida neste artigo, o protesto que teve maior impacto foi justamente o desta jogadora de basquete de nível universitário. Ao chegar na quadra, ela ficou um minuto e quarenta e sete segundos deitada no chão dela, em memória da absurda uma hora e quarenta e sete minutos que o jovem Michael Brown ficou esperando por socorro no dia de sua morte.

Para analistas, este protesto pode e deve ser colocado no mesmo patamar dos protestos de atletas como Tommy Smith e John Carlos (em 1968) e de Mohamed Ali e Mahmoud Abdul-Rauf, que tiveram participação ativa em movimentos sociais e lutas em seus respectivos períodos[4].

Protestar para que ocorram melhorias políticas para minorias étnicas e também para outras minorias que são colocadas de lado ou vistas com preconceito é algo entendido como prioritário no mundo contemporâneo, por essa razão, trouxe satisfação coletiva que em 2014 tenha ocorrido o retorno do fato de atletas se posicionarem publicamente com críticas abertas contra essas situações, além de lutarem como podem para que existam mudanças essenciais na sociedade.

A título de exemplo do grau de significação de ações como essas, pode ser citado o caso da Argélia. Quando de sua independência, ocorreram manifestações extremamente importantes no país, destacando-se à deserção de jogadores argelinos de seus times franceses durante o ano de 1958 para formar a seleção da Frente de Liberação Nacional (FLN), o partido político que lutou contra a França para tornar a Argélia independente[5].

A relevância destes atos de atletas demonstrando suas opiniões políticas, tal qual aquela de atletas escolhendo jogar por um time com o objetivo de tonar efetiva a primeira representação oficial de seu “país”, foi ser vista na mídia social após a manifestação destes desportistas no ano passado. Como consequência, falou-se muito mais sobre o tema nas mídias sociais e, por isso, também se falou mais sobre o assunto nos jornais impressos e audiovisuais.

A criação de discussões sobre tais assuntos sempre se mostra importante para que mudanças possam ocorrer. Inclusive, durante os protestos em Ferguson, nos Estados Unidos, foi criada uma corrente de solidariedade entre os habitantes da Palestina e os habitantes de Ferguson, pois, na avaliação deles, também sofrem de abuso, tal qual se deu nos EUA, uma vez que o comparam o que passam com aparato militar do Estado de Israel com o que chamam de abusos sofridos por segmentos populares estadunidenses, causados pelas autoridades estadunidenses.

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ImagemLebron James com camiseta em homenagem (e protesto contra violência policial) antes de um jogo de seu time no Brookyln, em dezembro” (Fonte):

http://www.lequipe.fr/Basket/Actualites/Lebron-james-soutient-i-can-t-breathe/520938

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[1] Notícia sobre a morte de Eric Garner, ver:

http://gawker.com/i-cant-breathe-asthmatic-father-dies-after-nypd-chok-1607277393;

Ver também:

https://br.noticias.yahoo.com/manifestantes-protestam-ny-homic%C3%ADdio-pai-fam%C3%ADlia-negro-193819871.html

[2] Notícia sobre abuso de poder na França, disseminadas pela Amnesty International, ver:

http://www.amnesty.fr/node/1467

[3] Notícia sobre o protesto de Ariyana Smith, ver:

http://www.galesburg.com/article/20141204/News/141209906

[4] Textos sobre Ariyana Smith, escritos por Dave Zirin:

https://www.oximity.com/article/From-Rams-to-Ariyana-Smith-Athletes-Ho-1;

Entrevista:

http://www.thenation.com/blog/193401/interview-ariyana-smith-first-athlete-activist-blacklivesmatter

[5] Artigo sobre o assunto no CEIRI:

http://jornal.ceiri.com.br/a-utilizacao-do-futebol-na-independencia-da-argelia/

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Ver TambémVídeo: protesto de Ariyana Smith”:

https://www.youtube.com/watch?v=9wtBFiBlSy4

Thomas Farines - Colaborador Voluntário Júnior 1

Mestrando em Estudos Políticos do Oriente Médio e do Mediterrâneo no King’s College London. Especialista em História e Política do Oriente Médio e Maghreb. Possui Bacharelado em Historia pela UFSC. Participou de diversos projetos de pesquisa ligados ao CNPQ: A imagem do Outro em relatos de viajantes; Diáspora Africana no Brasil e Movimento Sem Terra. Hoje, além de trabalhar academicamente com Esporte para o Desenvolvimento e para a Paz, é treinador voluntário em um projeto que ensina jovens de bairros desprivilegiados a jogar futebol.

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