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[:pt]A influência russa na Transnístria [:]

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A Transnístria é uma região de jure da Moldávia, mas também de facto independente, ou seja, o território pertence de direito aos moldavos, porém é visto como um país na perspectiva jurídica, por não sofrer interferência externa de Chisinau. A atual situação da Transnístria teve início em 1990, quando ocorreu a independência moldava da União Soviética e a posterior proibição do ensino do russo na região autônoma. Neste momento a Transnístria proclamou sua independência sem ter reconhecimento. Em 1991, a Moldávia ingressou em uma guerra civil com a Transnístria cujo término ocorreu em 1992, após a assinatura de um cessar-fogo entre as partes e a Rússia, que interveio no conflito com o objetivo de garantir proteção às populações russófonas.

O Conselho da Europa compreende a questão no âmbito de um congelamento de conflitos e a Transnístria mantém seu status mediante a assistência econômica de Moscou, que lhe transfere, aproximadamente, 1 bilhão de dólares anuais, e pelo contingente de tropas russas da Organização das Nações Unidas (ONU) nas fronteiras dos beligerantes. Entretanto, o futuro da Transnístria parece ser incerto, dadas as recentes atuações feitas pelos governos locais, como a substituição do ensino do alfabeto latino pelo cirílico na região, e o Referendo, de 2006, com a intenção de integração territorial com a Rússia, o qual obteve 97,2% de aprovação.

No último dia 11 de dezembro, a Transnístria realizou eleições presidenciais, as quais contaram com a participação de sete candidatos: Vadim Krasnoselskii, ex-Ministro do Interior; Yevgeny Shevchuk, ex-Presidente; Oleg Horjan, líder do Comitê Central do Partido Comunista; Alexander Deli, Procurador-geral; Vladimir Grigoriev, ex-Presidente do Tribunal Constitucional; Irina Vasilachi, blogueira; e Gennady Kuzmicev, ex-Ministro do Interior. Em primeiro lugar ficou Vadim Krasnoselskii, com 62% dos votos, e, em segundo, Yevgeny Shevchuk, com 28% dos votos. Oleg Horjan ficou com a terceira colocação, com pouco mais de 3% da votação e os demais candidatos obtiveram resultados inferiores a 1%, com exceção de Gennady Kuzmicev que teve suspensa a candidatura por fazer propaganda ilegal.

Após a vitória de Krasnoselskii, o clima de tensão local poderá vir a desfazer-se, pois o também recentemente eleito Presidente da Moldávia, Igor Dodon, demonstra otimismo para negociações. Conforme sua afirmação: “Em nossa história comum foram muitos os complicados períodos, mas acho que as coisas que nos unem são muito mais do que as que nos dividem”. Além disso, o Chefe de Departamento da Moldávia e Transnístria do Instituto de Estados da Comunidade de Estados Independentes (CEI), Sergei Lavrenov, salientou: “A eleição não era de um contexto geopolítico, pois todos os principais candidatos não questionaram a prioridade das relações entre a Rússia e a Transnístria. Portanto, quaisquer alterações importantes nesta área não devem ser esperadas”.

Os analistas concordam que a relação Moldávia-Transnístria e Rússia é sensível, e compreendem a pauta de diálogos como condicionada pela divisão entre questões domésticas e questões internacionais. Nas questões domésticas, observa-se uma disposição entre as partes para conversações, as quais poderão ser úteis no apaziguamento de tensões de caráter cotidiano, todavia mantem-se a perspectiva de independência de facto, dado o fator pragmático de formação inicial. Nas questões internacionais, percebe-se a influência soft de Moscou sobre a política e a economia da região, todavia não veem a possibilidade de anexação da Transnístria à Federação Russa, visto que os russos não possuem com ela vínculos histórico-culturais, tal qual ocorre no caso da Criméia, e afirmam o distanciamento físico do território russo como mais um fator de divergência. Logo, a motivação de Moscou faz-se presente na defesa da população russófona e na perspectiva da expansão de áreas comerciais.

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* Capital da Moldávia.

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ImagemTransnístria” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4e/Transnistria-map.svg/1000px-Transnistria-map.svg.png

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Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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