LOADING

Type to search

[:pt]A “Insustentabilidade” da dívida pública moçambicana impulsiona fuga de capital [:]

Share

[:pt]

A conjuntura fiscal moçambicana preocupa investidores internacionais e grandes instituições financeiras. Previsões negativas passadas sobre o déficit fiscal para o ano de 2016 foram confirmadas pelo Governo de Moçambique, o qual, ao divulgar na página do Ministério das Finanças um relatório sobre o atual panorama das contas públicas, declarou que a dívida pública é “insustentável”.

A declaração remexeu com o valor dos títulos da dívida pública moçambicana nos mercados financeiros internacionais. Os últimos valores revelam um preço de 63 centavos de dólar para o título moçambicano com vencimento em 2023, menor nível em toda a série histórica. A queda reflete a desconfiança dos investidores estrangeiros no compromisso do Governo com o pagamento de suas dívidas contraídas internacionalmente.

A desconfiança entre os investidores cresce ainda mais à medida que quatro importantes empresas públicas do país, a M-Cel, a LAM, a Petromoc e a EDM, preveem queda nos lucros deste ano (2016). Com isso, somado ao decrescimento gradativo da economia chinesa – um dos principais parceiros comerciais de Moçambique –, pode-se esperar uma redução nas receitas, fato que complicará ainda mais o pagamento da dívida pública.

Se observarmos os anos de 2012, 2013, 2014 e 2015, podemos ver um gradativo crescimento do déficit governamental em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB). O atual ritmo de expansão do déficit se faz ainda mais visível se compararmos o valor auferido em 2012, de 41,1% do PIB, com o valor esperado pelo próprio Governo para 2016, de 130% do PIB.

Para investidores, é provável que o tamanho da dívida pública volte a decrescer somente a partir de 2021, data em que se prevê o início dos rendimentos a serem obtidos com a exploração de reservas de gás natural recém descobertas. No documento liberado, o Governo moçambicano demonstra contar com as rendas obtidas neste setor para a solução de parte de seu endividamento. Espera-se que até o final deste ano a empresa italiana Eni chegue à sua decisão final de investimento sobre o projeto de exploração de gás no campo de Coral, bem como para o ano que vem aguarda-se o início de um projeto de 12 bilhões de dólares de exportação de gás da companhia norte-americana Anadarko Petroleum.

Enquanto os rendimentos da exploração de gás não vêm, o Fundo Monetário Internacional espera que o Governo de Moçambique apresente um plano de reestruturação de sua dívida pública para a liberação de crédito. Para tanto, autoridades moçambicanas viajaram a Londres na última semana para conversar com investidores sobre a resolução do problema do endividamento. As conversas fazem parte de um plano para apresentar uma proposta final de reestruturação da dívida no começo de janeiro de 2017.

No entanto, parte dos investidores internacionais seguem descrentes quanto ao plano proposto. Para Robert Besseling, diretor executivo da consultoria Exx Africa, “dada a deterioração na situação financeira e econômica do país, é improvável que a dívida seja reestruturada no período de tempo proposto [pelo governo]”. Com isso, podemos esperar uma crescente perda de valor dos títulos moçambicanos e fuga de capitais deste país até a resolução do pagamento da dívida externa.

———————————————————————————————–

Imagem (Fonte Wikipedia):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mo%C3%A7ambique

[:]

Tags:
Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!