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[:pt]A investida das empresas chinesas no Ocidente: fusões e aquisições[:]

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As corporações transnacionais oriundas da Ásia têm demonstrado uma trajetória ascendente em sua expansão global na última década. A China está superando neste ano (2016) o posto ocupado pelos Estados Unidos desde de 2008, como a nação com o maior fluxo de investimentos globais na compra e fusão de empresas. Os investimentos chineses na aquisição de companhias estrangeiras alcançaram o montante recorde de US$ 173,9 bilhões nos primeiros nove meses de 2016.

Analistas apontam que uma das causas da intensificação da expansão das empresas da China para o Ocidente decorre da ênfase dada ao aumento da participação do consumo e do setor de serviços como motores da economia do país, o que ocasiona expectativa de queda da rentabilidade dos investimentos domésticos, fazendo com que o capital empresarial busque oportunidades no exterior. A queda relativa do ritmo de crescimento da China e a instabilidade da sua moeda, o Yuan, não devem afetar este movimento de aquisição de empresas estrangeiras, ao passo que esta estratégia é vista como uma necessidade de médio e longo prazo para adquirir tecnologia; expertise gerencial e expertise de processos empresariais.

Entre os exemplos que se destacam na expansão internacional do capital chinês para o exterior encontram-se a aquisição da empresa Syngenta AG (oriunda da Suíça), que atua na área de produção de sementes e produtos químicos voltados para o agronegócio, tendo sido adquirida pela Companhia Química Nacional da China (estatal) por um valor de US$ 43 bilhões. O movimento para a compra de corporações europeias tem sido particularmente notável, sobretudo nas áreas de engenharia, tecnologias renováveis, as do ramo digital e de tecnologia da informação. Apenas no primeiro semestre deste ano (2016), a China concluiu transações para adquirir 24 empresas sediadas na Alemanha, 15 na França e 15 companhias oriundas do Reino Unido. A aquisição da empresa alemã do ramo de robótica KUKA, pelo valor de US$ 5 bilhões, provocou uma reação negativa na opinião pública daquele país.

Dentro deste amplo movimento, começam a aparecer conflitos e pontos de incompatibilidade na gestão das corporações após as fusões. A estrutura de governança e tomada de decisão das companhias asiáticas costuma ser centralizada e conduzida de cima para baixo (top down), demonstrando a importância cultural da hierarquia, fato que pode dar margem ao surgimento de conflitos quando ocorre a aquisição de companhias que não possuam o mesmo perfil.

Ressalte-se que a rápida expansão das multinacionais chinesas na última década não acompanhou a construção de uma cultura corporativa e de marca destas empresas (branding). Uma evidência a ser apontada neste sentido consiste no fato de que na lista das 10 marcas mais conhecidas e desejadas por consumidores na Ásia não figura nenhuma de companhias da China. Neste sentido, as suas empresas podem aprender com a trajetória de algumas de suas contrapartes asiáticas, como a coreana Samsung, que figura no primeiro lugar da referida lista, e companhias japonesas como Canon e Panasonic, que também figuram em alta preferência na pauta de consumo dos países asiáticos.

No entanto, a maior parte das aquisições de corporações ocidentais acima referidas ocorreu por parte de empresas estatais, que ainda compõem predominantemente a lista das maiores empresas de origem chinesa. É possível inferir que a estratégia de aquisição que foi consolidada reflita a necessidade de obtenção de tecnologia e imagem de mercado, devido a dificuldade que companhias chinesas tem em estabelecerem suas próprias marcas a nível global.

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Imagem (Fonte):

https://pixabay.com/static/uploads/photo/2013/05/19/07/12/china-112116_960_720.jpg

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Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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