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A laicidade e a religião na educação sueca

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A Suécia está no centro de um debate que envolve a laicidade e a religião no setor educacional. Os políticos do Partido Operário Social-Democrata da Suécia (SAP, ou S) são contrários a existência de escolas confessionais, pois advogam que as mesmas trazem segregação e “doutrinação” social. Em contrapartida os políticos do Partido Popular Liberal (L) defendem a não abertura e a não expansão de novas escolas independentes, e a escolha de elementos religiosos nas escolas.

A pauta é sensível e envolve não somente o campo do debate político, mas também o jurídico, visto que o Art. 2º da Constituição sueca e o Art. 9º da Convenção Europeia de Direitos Humanos garantem a liberdade religiosa. Apesar das perspectivas do S e do L, o caminho para a resolução de disputas é o Parlamento, no qual é necessário um amplo consenso para implementar quaisquer modificações.

O Jornal Expressen trouxe a declaração da Ministra da Educação e Pesquisa, Anna Ekström (Partido Social-Democrata), que afirmou: “O que nos opomos é que existem escolas independentes, onde crianças e estudantes devem participar de práticas religiosas, onde não se concentram no conhecimento e na educação. Então, não queremos isso na escola sueca”.

Ministro das Finanças da Suécia, Ardalan Shekarabi

Ainda na mesma mídia, o Ministro das Finanças, Ardalan Shekarabi (Partido Social-Democrata), declarou sobre a pauta: “Vemos sérios problemas com as escolas religiosas e espero que mais partidos estejam preparados para ver mais problemas com a escola sueca que temos hoje. Devemos ser capazes de quebrar a segregação, devemos pôr fim à independência religiosa”. O Jornal Borås Tidning apresentou afirmações mais incisivas do Ministro: “A insolência religiosa desaparecerá. Eu não quero o extremismo religioso financiado com nossos impostos na escola”.

Os analistas observam o zelo pela educação na Suécia como um fator positivo, visto que as crianças devem ter plenas condições de desenvolvimento acadêmico e profissional. Todavia entende-se como fator negativo a atribuição de fomentação de segregação pelas escolas confessionais, pois especialistas apontam também que as mesmas apenas reforçam uma perspectiva identitária e não de desintegração social.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Igreja Torpa, localizada na província histórica de Södermanland” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/45/Torpa_Church4_Sweden.jpg/1280px-Torpa_Church4_Sweden.jpg

Imagem 2 Ministro das Finanças da Suécia, Ardalan Shekarabi” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/74/Ardalan_Shekarabi.jpg

Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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