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O panorama político da Turquia foi sacudido em 15 de julho de 2016, após uma tentativa de Golpe de Estado desencadeada por militares. Na ocasião, o presidente Recep Tayyip Erdoğan acusou o clérigo e humanista Fethullah Gülen de estar por detrás de uma trama organizada pela oposição, para destituí-lo do cargo. No entanto, desde 2013, Erdoğan vem aplicando cada vez mais medidas repressivas contra aqueles que são contrários ao seu Governo e, sobretudo, contra a imprensa livre. Em março de 2016, o jornal Zaman, o maior jornal da Turquia, ligado ao Hizmet (Serviço), ou Movimento Gülen, caiu em mãos de interventores estatais. Quatro meses depois, o Golpe falhado serviu de álibi ao Presidente turco, que colocou em prática o seu programa para controlar a imprensa. Atualmente, já foram fechados 170 jornais, revistas e canais de televisão. Esta situação provocou a perda do emprego de 2.500 jornalistas, sendo que, nos últimos meses, 200 foram presos e 125 permanecem detidos. Trabalhar como jornalista, na Turquia, tornou-se uma aventura perigosa, um risco para aqueles que tentam exercer a profissão com base no critério da verdade dos fatos. A situação tomou uma proporção tão grave que a ONG Repórteres Sem Fronteiras classificou Erdoğan como “predador da liberdade de imprensa”.

Nos últimos dias, o Governo tem acirrado o controle sobre a imprensa. Recentemente, Murat Sabuncu, Editor-Chefe do jornal Cumhuriyet, e o colunista Guray Oz foram presos. Em início de 2016, Can Dündar, outro Editor-Chefe do mesmo jornal, que hoje vive na Alemanha, foi condenado a cinco anos de prisão em decorrência de uma reportagem na qual tornou públicas informações que confirmam o envio de armas turcas para grupos insurgentes na Síria. Ele e Erdem Gül, Editor de Redação em Ancara, foram acusados de “espionagem” e de “divulgação de segredos de Estado”.

O Presidente turco nega providenciar qualquer apoio aos grupos extremistas. Porém, não é desconhecido, por exemplo, o fato de que a Turquia tem se beneficiado há bastante tempo da compra de petróleo abaixo do preço de mercado através de relações comerciais estabelecidas com o Estado Islâmico. Paralelamente às perseguições sofridas pelos profissionais da comunicação social, há relatórios que comprovam a violação dos Direitos Humanos, estupros e torturas nas prisões turcas. Segundo a Anistia Internacional, há provas de torturas sofridas por aqueles que foram presos na sequência do Golpe de Estado de julho deste ano (2016). Outra questão que chama a atenção é o desejo por parte do Governo de restabelecer a pena de morte, que foi extinta no país em 2004.

As autoridades turcas têm promovido, também, a higienização da máquina pública a partir da exoneração de funcionários considerados inadequados à atual administração do país. Desde o Golpe de Estado frustrado, mais de 10.000 funcionários públicos já foram demitidos. O processo de engessamento de imprensa e da liberdade de expressão, na Turquia, contribui para a intensificação da violação dos Direitos Humanos e Civis. Com as liberdades democráticas cada vez mais restritas, e com o silêncio da comunidade internacional, o país segue os passos para uma possível consolidação da divisão política e social, na qual a imprensa independente estará à mercê de múltiplos caprichos do poder vigente.

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ImagemFethullah Gülen, cidadão turco, muçulmano, escritor, poeta, líder de opinião, ativista educacional e defensor da paz tem sido acusado, por Recep Tayyip Erdoğan e o Governo da Turquia, sem provas consistentes, de ser o mentor do Golpe de Estado de julho de 2016” (Fonte):

http://gulenmovement.ca/wp-content/uploads/2014/02/fethullah-gulen-60.jpg

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Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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1 Comments

  1. Mariana Alves 6 de dezembro de 2016

    Belo artigo, falar sobre liberdade de imprensa não é facil, li isso aqui no site , e me interessei muito. Parabéns.

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