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A Líbia Enfrenta a Ameaça de Dissolução do Estado

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Na última segunda-feira, 17 de fevereiro, a Líbia – país independente desde 1951 – comemorou o fim do regime autocrático do coronel Muammar al-Gaddafi. A morte de al-Gaddafi pelas forças rebeldes, em outubro de 2011, despertou o otimismo, nos cidadãos líbios e na comunidade internacional, pelo fim de um ciclo governativo que, durante quatro décadas, impôs a sua vontade e cerceou a liberdade dos cidadãos líbios. Porém, a hipótese de um Estado livre no período pós-revolução não se concretizou e, hoje, o país enfrenta dificuldades políticas, econômicas e sociais. Persistem as profundas divisões entre as províncias de Benghazi e Trípoli, por um lado, e entre as tribos do deserto e as duas capitais que rivalizam em importância, por outro.

O autoritarismo que governou a Líbia durante a Jamahiriya (“Estado das Massas”), permitiu Acordos que agravaram as condições de vida da população e contribuíram para a queda do Regime, que colapsou no decurso da “Primavera Árabe”. A natureza da política de Muammar al-Gaddafi estimulou os interesses externos, tendo despertado a especulação financeira mundial. Recentemente, o “Fundo Soberano de Investimentos da Líbia” acusou o “Banco Goldman Sachs” de ter provocado um prejuízo de, aproximadamente, USD$ 1 bilhão entre 2007 e 2011. Os Acordos estabelecidos durante a “Era al-Gaddafi” contribuíram para o seu fim e, segundo as autoridades financeiras líbias, esse “inimigo” não usou nenhuma arma contra o Estado. “Em vez disso, a Líbia enfrentou um arsenal do século XXI diferente de tudo para o qual se havia preparado na sua longa, árdua e sangrenta história[1].

Hoje, a Líbia enfrenta, para além de sérios problemas econômicos, a ameaça de dissolução do Estado. O Governo pós-revolucionário não conseguiu pôr em prática uma política eficiente para amenizar os problemas estruturais do Estado e da Economia, agora agravados com o agudizar dos enfrentamentos entre as facções politicamente divididas que controlam o país[2]. No momento, há a possibilidade de um “Golpe de Estado”. Grupos irregulares, como as brigadas al-Qaqaa e al-Sawakek, formadas por ex-rebeldes que integram oficiosamente o Exército líbio, exigem a dissolução do Parlamento. O “Congresso Geral Nacional” (CGN), eleito em julho de 2012, encontra-se numa situação delicada que se agravou em virtude de o seu mandato ter expirado no dia 7 de fevereiro[3].

Em declaração à “Dawlia TV”, em 19 de fevereiro, as “Brigadas al-Qaqaa” deram um prazo de 10 horas para que os membros do CGN se demitissem. Este ultimato causou apreensão entre os membros do Congresso que, ante a ameaça, assistiram à retirada de 20 de seus membros. No comunicado, as Brigadas responsabilizaram a “Irmandade Muçulmana” e as outras organizações a ela afetas pela instabilidade do país[4]. De acordo com o jornal “Libya Herald”, o comunicado, ao referir a Irmandade, classificou-a como uma “epidemia e uma doença que somente as brigadas poderiam curar[5].

Os últimos acontecimentos não oferecem uma solução esperançosa para a Líbia, que vive horas difíceis. A dúvida que prevalece no momento é se as diferentes facções e os grupos políticos serão capazes de superar as rivalidades ou se, pelo contrário, as rivalidades que polarizam a política daquele país africano prevalecerão. Na realidade, três anos após o fim da “Era al-Gaddafi”, a Líbia continua instável, insegura e com a difícil tarefa de se manter enquanto Estado viável num território politicamente dividido.
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Imagem (Fonte):

http://newssafetyblog.files.wordpress.com/2013/01/ap261552711702.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.thedailybeast.com/articles/2014/02/03/how-goldman-sachs-rescued-libya.html

[2] Ver:

http://www.cbsnews.com/news/libya-major-general-khalifa-haftar-declares-govt-suspended-in-apparent-coup-bid/

[3] Ver:

http://www.jornal.ceiri.com.br/congresso-geral-nacional-libio-sob-ameacas/

[4] Ver:

http://www.libyaherald.com/2014/02/18/revolutionary-brigades-alleged-to-give-congress-ultimatum-to-withdraw-from-power/#axzz2ttgJgRW1

[5] Ver:

http://www.libyaherald.com/2014/02/18/revolutionary-brigades-alleged-to-give-congress-ultimatum-to-withdraw-from-power/#axzz2ttgJgRW1

          

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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