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Neste mês de dezembro de 2015, encerraram-se as discussões na Conferência sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 21, que ocorreu em Paris (França) e resultou na cooperação dos Estados em torno da redução dos Gases de Efeito Estufa (GEE), de modo a limitar o aquecimento global até a faixa de 1,5 Cº. Porém, esta notícia não significa que todas as dificuldades terminaram, mas que o debate sobre o uso de matrizes energéticas limpas e a viabilidade da exploração petrolífera se intensifica na pauta global.

Este debate já se encontra presente na Noruega, um dos maiores exploradores de petróleo e gás natural do mundo, que possui a maior parte de sua economia fixada na indústria petroleira e desperta a atenção de ambientalistas, como Frederic Hauge, dirigente da organização Bellona, o qual afirmou nesta semana a necessidade de paralisação da produção de petróleo e gás noruegueses, de forma imediata, para que a Noruega possa atingir a meta de 1,5 Cº, além disso, que o Acordo Climático de Paris representa um ponto final para a indústria norueguesa de óleo e gás.

Na contramão do discurso da Bellona, o Ministro do Petróleo e Energia da Noruega, Tord Lien, é otimista, e declarou sua crença na existência de espaço para o uso de petróleo e de gás nos próximos 20 anos, a partir de um sistema de energia de baixo carbono, sobretudo na intensificação do uso pelos Estados de gás natural em substituição ao carvão, conforme referência feita à Grã-Bretanha, que comunicou esta realidade. O Ministro também afirmou que a Noruega não pode alcançar a meta de 1,5 Cº sozinha, mas que tudo depende de um esforço global.

Na busca pela sustentabilidade, o Governo norueguês propôs no seu orçamento de 2016 o valor de 14,25 bilhões de coroas norueguesas (NOK) – aproximadamente, US$ 1,64 bilhão – a ser aplicado no Fundo do Clima, Energia Renovável e Transição, com previsão de retorno de NOK 1,636 bilhão, em 2016 (aproximadamente, US$ 188,318 milhões). Deste valor, o Governo busca investir NOK 1,506 bilhão (aproximadamente, US$ 173,35 milhões) a favor de projetos de reestruturação do consumo de energia e de projetos de produção e desenvolvimento de energia e tecnologias climáticas. Os demais NOK 130 milhões (aproximadamente, US$ 14,96 milhões) são destinados a projetos e estudos sobre biogás e na captura e armazenamento de carbono.

Segundo analistas, percebe-se que existe uma tênue linha entre a defesa da indústria petroleira e o desenvolvimento de matrizes limpas na Noruega. Isso, demonstra ser positiva a ênfase norueguesa na pesquisa de novas tecnologias capazes de auferir sustentabilidade, as quais preparam o país para ser referência na produção e aplicação de energias renováveis. Todavia, constitui-se como fator negativo a falta de um plano claro de redução do uso do petróleo, sua insistência em explorar o Ártico e a carência de estímulos à formação de uma indústria robusta, independente da exploração de óleo e gás, capaz ainda de poder substituir as perdas econômicas e sociais em um futuro próximo.

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ImagemPeninsula Bygdøy, Oslo” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Noruega#/media/File:Bygd%C3%B8y_lovely.jpg

Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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