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[:pt]À medida que avançam conflitos na região norte, regime federalista étnico etíope é posto em xeque[:]

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Conflitos entre membros do grupo étnico Amhara e a polícia, ocorridos na região norte da Etiópia, na cidade de Gondar, põem em xeque a atual estrutura política etíope. Pelo fato de ser uma república organizada em federações segundo critérios étnicos, as tensões entre o Estado e as etnias desestabilizam esta estrutura, abalando o atual projeto desenvolvimentista da Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (FDRPE), o Partido governista.

Constituída por onze unidades administrativas, de acordo com a etnia em cada uma delas (Addis Ababa; Afar; Amhara; Benishangul-Gumaz; Dire Dawa; Somali; Harari; Gambela; Tigré e Região das Nações; Nacionalidades; Povos do Sul), tradicionalmente, o povo de Gondar, em especial do distrito de Welkait, pertenceu à unidade administrativa de Amhara. No entanto, nos últimos 25 anos, o local esteve sujeito ao controle da Frente de Libertação dos Povos Tigrinos (FLTP), Partido aliado à FDRPE e administrador da região administrativa de Tigré.

Desafiantes a este controle, parte da população do distrito de Welkait reivindica um retorno da região à unidade administrativa de Amhara, alegando maior identificação étnica a este grupo. Nas últimas duas semanas, porém, as reivindicações da população tornaram-se mais intensas e gradativamente uma maior violência tomou conta dos protestos.

A violência e a temperatura do conflito acentuaram-se quando o Comitê de Identidade Welkeit Amhara acusou a polícia local de tentar aprisionar parte de seus membros. A acusação foi seguida de um gradativo conflito armado entre manifestantes e a polícia, a qual defende não haver tentado a prisão de membros do Comitê. Do outro lado, manifestantes responsabilizam a polícia pela gradativa violência, alegando que as ações começaram em tom pacífico. Versões à parte, o fato é que, segundo autoridades locais, estima-se que mais de 12 pessoas já foram mortas nos conflitos na última semana.

Juntamente com parte dos grupos Oromo, que reivindicaram autonomia de seu território no projeto de expansão urbana de Addis Ababa, também parte dos Amhara clama por maior direito político, à medida que acusam o Governo de discriminação étnica, já que, segundo eles, oferecem os principais cargos governamentais a membros da etnia Tigré.

A estabilidade política etíope, sustentada por uma federação étnica, pode ser posta em risco e com ela o projeto de desenvolvimento econômico, caso não seja respeitada a autonomia étnica prevista na Constituição do país.

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Imagem (Fonte Geeska Africa):

http://www.geeskaafrika.com/22240/ethiopia-was-sliding-towards-ethnic-conflict-pm-hailemariam/

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Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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3 Comments

  1. maria josé gil conde 11 de agosto de 2016

    Estou começando a receber vossos emails, que muito aprecio, visto que já trabalhei na rádio como radialista de programas musicais, seguindo-se a Informação e ai, sim, era o que mais apreciava, sobretudo "andar no terreno". Fui convidada a ir para Lisboa por alguém muito conhecido e respeitado, que já faleceu, infelizmente. Se não fora, já teria ido ao seu encontro para regressar na minha área. Comecei a escrever e foi lançado pela Chiado Editora meu 1º livro, que é essencialmente jornalístico. Vou continuar a debruçar-me sobre estes temas. Sigo com interesse a forma de trabalho de reportagem da CNN.

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