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A militarização da fronteira dos EUA pelo olhar mexicano

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De acordo com o Jornal Reuters, na última quinta-feira (dia 5 de abril), o presidente estadunidense Donald Trump ordenou que tropas da Guarda Nacional intensificassem a segurança na fronteira com o México até que o muro seja construído.

Entretanto, tal decisão repercutiu negativamente. No mesmo dia, o Presidente do México, Enrique Peña Nieto, declarou que o plano de enviar tropas da Guarda Nacional à fronteira tratava-se de uma frustração política, pois Trump acabou não conseguindo fazer com que o Congresso dos EUA nem o México financiassem plenamente seu muro de fronteira.

Muro fronteiriço em Nogales (Arizona/EUA) e Nogales (Sonora/México)

Em um discurso incomumente combativo e de aparência severa, Peña Nieto instou Trump a parar de semear a discórdia entre as duas nações e exigiu um tom mais respeitoso nas relações bilaterais. Afirmou: “Se suas recentes declarações se devem à frustração com questões relacionadas à política interna, suas leis ou seu Congresso, dirija-se a eles, não aos mexicanos. Se você quiser chegar a um acordo com o México, estamos prontos. Não vamos permitir que a retórica negativa defina nossas ações”.

Durante meses, o México esteve envolvido em negociações tortuosas com os Estados Unidos e o Canadá para retrabalhar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), mas espera-se atualmente que algum tipo de acordo preliminar esteja próximo de ser alcançado.

Ambos Chefes de Estado tiveram um relacionamento tenso desde que o nova-iorquino lançou sua campanha em 2015 e alegou que alguns imigrantes mexicanos são criminosos e estupradores.

A Casa Branca declara que a mobilização da Guarda Nacional faz parte da estratégia de Trump para impedir que imigrantes ilegais entrem no país, a quem ele culpa por crimes graves. Segundo Sarah Sanders, porta-voz da Casa Branca, o Presidente pretende utilizar entre 2.000 e 4.000 soldados na fronteira em um primeiro momento, mas, caso necessário, esse número pode ser ainda maior.

Ele não é o primeiro presidente a adotar essa medida. Este contingente da Guarda Nacional é uma força reservista que normalmente é dedicada à segurança dos Estados e para vigilância de fronteiras. Barack Obama recorreu à Guarda Nacional em 2010, mas utilizou apenas 1.200 soldados. Antes do democrata, o republicano George W. Bush também enviou 6.000 soldados para complementar a função das patrulhas de fronteira.

Peña Nieto enfrentou críticas por não ter adotado uma linha dura contra Trump no passado. Os comentários de Trump colocaram a relação entre os países no centro da campanha presidencial mexicana, fato que vem diminuindo as chances do partido que está no poder se reeleger.

Engarrafamento na alfândega de San Ysidro, California

Todos os candidatos presidenciais do país criticaram na quinta-feira (dia 5 de abril) o plano de Trump de militarizar a fronteira. O favorito da corrida eleitoral, Andres Manuel López Obrador, declarou que o esquema do Presidente norte-americano é uma “propaganda” política baseada em desinformação que visa provocar “xenofobia” e “racismo”. “Essa grande ameaça na fronteira sul dos Estados Unidos, que ele diz estar lá, não existe. Essa política anti-mexicana funcionou politicamente porque infelizmente há setores conservadores nos Estados Unidos com pouca informação e ele sabe como despertar um sentimento anti-mexicano”, disse Obrador, durante um evento de campanha na cidade fronteiriça de Nuevo Laredo, no norte do país.

Na mesma linha, Ricardo Anaya, candidato à Presidência mexicana que segue em segundo lugar nas pesquisas, liderando uma coalizão que abrange partidos de direita e de esquerda, apresentou na mesma quinta-feira uma moção ao Senado mexicano pedindo ao governo que pusesse fim à cooperação com os Estados Unidos sobre migração e segurança, caso Trump não recuasse da decisão tomada. “Você não pode negociar ou cooperar com ameaças”, disse ele.

José Antonio Meade, candidato do Partido Revolucionário Institucional, de Peña Nieto, também atacou o plano de fronteira. Já a candidata independente, Margarita Zavala, chamou Trump de “erro histórico”, classificando sua decisão como um “ato hostil”, em uma carta dirigida ao norte-americano.

De forma unânime, a política mexicana se voltou contra a decisão de Trump e por um instante a corrida eleitoral enxergou um único adversário. “Como presidente de todos os mexicanos, concordo com as observações deles. Ninguém está acima da dignidade do México”, disse Peña Nieto.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Cerca separa a densamente povoada Tijuana, no México (à direita), de San Diego, nos Estados Unidos” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Muro_fronteiri%C3%A7o_Estados_Unidos-M%C3%A9xico

Imagem 2Muro fronteiriço em Nogales (Arizona/EUA) e Nogales (Sonora/México)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Muro_fronteiri%C3%A7o_Estados_Unidos-M%C3%A9xico

Imagem 3Engarrafamento na alfândega de San Ysidro, California” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Muro_fronteiri%C3%A7o_Estados_Unidos-M%C3%A9xico

Tainan Henrique Siqueira - Colaborador Voluntário

Mestrando em Direito Internacional pela Universidade Católica de Santos. Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Santos. Experiência acadêmica internacional na Cidade do México e atuação profissional no Consulado do Panamá e no Turismo Nuevo Mundo. Concluiu trabalho de extensão sobre Direitos Humanos e Refugiados, iniciação científica na área do Direito Internacional e da Política Externa Brasileira, sendo esta segunda iniciação premiada em terceiro lugar entre as áreas de ciências humanas e ciências sociais aplicadas da UniSantos em 2015. Atuou como Monitor na disciplina de Teoria das Relações Internacionais­I, durante o último semestre de 2015. Atualmente é monitor e pesquisador do Laboratório de Relações Internacionais da UniSantos em parceria com o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (LARI­IPECI), onde auxilia no desenvolvimento de projetos semestrais pautados por três frentes de pesquisa: 1) Direitos Humanos, Imigração e Refugiados; 2) Política Internacional e Integração Regional; e 3) Relações Internacionais, Cidades e Bens Culturais. Tem objetivo de seguir carreira acadêmica.

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