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A morte de Kim Jong-il para a política externa japonesa

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Grandes tensões marcaram as relações entre o Japão e a Coréia do Norte durante o governo de Kim Jong-il e de seu pai, Kim Il-Sung, pois os dois países dividem desavenças históricas, sendo o diálogo entre eles muito escasso.

 

Uma das desavenças que vem sendo debatida constantemente é a acusação que o Japão faz à Coréia do Norte desde a década de 1970 sobre o rapto de cidadãos japoneses para que este participem como peças na formação de espiões norte-coreanos.

O Governo norte-coreano somente assumiu o seqüestro em 2002, ao receber a visita do primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi. A partir daí, os japoneses vêm pressionando a Coréia do Norte para a devolução de todos os envolvidos, inclusive, alegando que há mais pessoas seqüestradas que o assumido pelo vizinho.

O ponto de atrito entre os dois países é, certamente, o militar. A Coréia do Norte, apesar de desprovida tecnologicamente e economicamente, vem se mostrando como uma ameaça à estabilidade regional por conta do numeroso Exército que possui, além de seus polêmicos Programas, o “Nuclear” e o “Espacial”. Confirmando a complexidade do problema, em 2009, Pyongyang realizou um teste com um foguete, que se mostrou apto a atingir o Japão. Apesar de os norte-coreanos aparentemente não terem a tecnologia para transportar uma ogiva nuclear, acredita-se que isto seja apenas uma questão de tempo.

A morte repentina de Kim Jong-il deixou os japoneses preocupados. O Governo do Japão e a população esperavam que Pyongyang realizaria uma demonstração de força para manter seu status sem Kim Jong-il. Porém, da parte do Japão, há a consideração de que a transição e o futuro do Governo norte-coreano é incerto, trazendo esperanças positivas, apesar deste imediato sinal ameaçador.

A saída do ex-mandatário provocou reações imediatas do Japão e da Coréia do Sul, já que a configuração política é tensa e insegura. Os dois países ficaram em “Estado de Alerta” após a declaração sobre o desaparecimento do líder norte-coreano e o Governo japonês afirmou a necessidade de um encontro entre Japão, Estados Unidos e Coréia do Sul para discutir a situação.

Após alguns dias, os japoneses declararam que comprarão caças norte-americanos do tipo F-35 para suas “Forças de Autodefesa”. Para entender o nível de investimento, estes caças estão entre as mais caras e tecnologicamente as mais potentes aeronaves de combate, mostrando que os japoneses estão se preparando para um emprego eficiente em um Conflito que possam ser envolvidos, caso a situação regional se torne belicosa e surja a Guerra na região.

A morte do líder norte-coreano também realizou mudanças nas relações que o Japão tem com a China. No dia 25 de dezembro de 2011, o primeiro-ministro japonês Yoshihiko Noda visitou a China para debater assuntos econômicos e alguns temas políticos. A visita já estava programada antes da morte de Kim Jong-il, entretanto, o tema fez parte dos debates entre os líderes dos dois países, mostrando que uma reconfiguração das relações políticas, diplomáticas e estratégicas pode estar no horizonte próximo.

A China é a maior aliada da Coréia do Norte e uma das principais fontes das ajudas energéticas e humanitárias a este país. Dentro do cenário, o Japão e a China afirmaram que irão trabalhar juntos para atingirem a paz e a estabilidade na “Península Coreana”, visando garantir a segurança do nordeste asiático. Por essa razão, o Japão tem consciência de que os chineses, em seu papel de vizinhos e apoiadores, têm papel fundamental nas negociações envolvendo Pyongyang. Como o motivo inicial da visita de Noda a Pequim eram as questões econômicas, foi anunciado um “Acordo Financeiro” entre a segunda e a terceira economias mundiais pelo qual se reduzirá o uso do “dólar norte-americano” nas trocas cambiais, algo que leva a acreditar que serão estreitadas as relações entre os dois Estados.

Ainda não se sabe exatamente como o novo líder norte-coreano irá trabalhar sua diplomacia e sua política de defesa, mas é esperado que ele apresente uma postura menos radical que a do antecessor, Kim Jong-Il, o seu pai.

O Japão tem utilizado de suas parcerias nas discussões que tem feito sobre a Coréia do Norte, por isso acredita-se que as medidas adotas podem ter resultados duradouros, já que tentam contemplar os envolvidos direta e indiretamente nos problemas. Suas políticas para este país são formuladas por meio de debates, acordos informais e formais com outros países, principalmente com os Estados Unidos. Sendo assim, espera-se por parte do Governo japonês que siga a linha que vem adotando, já que ela tem sido trabalhada em meio a constante trabalho diplomático e político com os demais players interessados e diretamente participantes no ambiente tenso que envolve a “Península Coreana”.

Dando seqüência a esta forma de se comportar, o Governo japonês confirmou seu interesse em retomar as “Negociações de Seis Partes” (Coréia do Norte, China, Rússia, Estados Unidos, Japão e Coréia do Sul) em torno do “Programa Nuclear Norte-Coreano”, que havia sido abandonada, e tem trabalhado para resolver de forma política a questão das pessoas seqüestradas por Pyongyang, dando esperanças às famílias japonesas em relação à resolução do caso e ao possível retorno de seus parentes. Diante do quadro, apesar do temor de instabilidade, há expectativas positivas em relação ao rumo que pode ser tomado pela Coréia do Norte com o novo líder que assumiu o poder.

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Fontes:

VerNotícias Terra”:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5533103-EI8143,00-China+e+Japao+unem+vozes+por+estabilidade+na+peninsula+coreana.html

VerO Estado de São Paulo”:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,japao-oferece-ajuda-para-china-lidar-com-coreia-do-norte,815210,0.htm

Ver NHK”:

http://www3.nhk.or.jp/nhkworld/portuguese/top/news04.html

VerO Estado de São Paulo”:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,china-e-japao-fecham-amplo-acordo-financeiro-,815295,0.htm

Imagem:

http://jornal.ceiri.com.br/wp-content/uploads/2011/12/136075941.jpg

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