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A mudança de nome da Statoil e seus impactos políticos na Noruega

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Em 1969, a Noruega descobriu petróleo na sua plataforma continental e desde esse período o Estado buscou aproveitar os recursos advindos da exploração de óleo e gás. Os noruegueses tiveram êxito na gestão da Statoil, desenvolvendo tecnologia offshore e toda uma infraestrutura de referência no setor. A própria história da Noruega contemporânea funde-se com a exploração de petróleo, o qual é responsável pela transformação social que o Estado experimentou nas últimas décadas.

Eldar Sætre, CEO da Statoil

A questão atual é o impacto político que a mudança do nome Statoil para Equinor trará para empresa e para a imagem do Estado. A nomenclatura Equinor significa “igualdade” e “equilibro”, e foi escolhida com a motivação de valorizar o comunitarismo norueguês. O novo nome aponta para contribuição que a empresa trouxe para a sociedade, desenvolvendo o país, e para o desejo de permanecer como pilar de inovação do setor de petróleo, gás e energia renovável.

A corporação possui uma ligação forte com a política norueguesa e encontrou resistências à troca de nome por parte dos parlamentares. O Jornal Dagens Næringsliv trouxe um exemplo dessa rejeição com a afirmação de Marit Arnstad, do Partido do Centro: “Na minha opinião, é desnecessário e lamentável gastar um quarto de bilhão se transformando de uma marca compreensível e incorporada em algo que pareça completamente sem sentido.

Apesar da oposição de alguns políticos, a perspectiva geral é de boa expectativa, visto que a pauta é de interesse do governo norueguês, por ser acionista majoritário, e é refletida no entusiasmo de Eldar Sætre, CEO da Statoil, o qual afirmou em comunicado da empresa: “Equinor diz algo importante sobre quem somos, de onde viemos e como queremos nos desenvolver. Somos uma empresa baseada em valor e a igualdade descreve como queremos abordar pessoas e comunidades nas quais contribuímos com nossos negócios. A plataforma continental norueguesa continuará a ser a espinha dorsal da empresa e usaremos nossas origens norueguesas no posicionamento, à medida que continuamos a crescer internacionalmente tanto em petróleo, gás e energia renovável”.

Os analistas observam que a troca de nomenclatura é positiva, à medida que a mesma busca reinserir a companhia no mercado global de energia renovável, que é a força motriz do futuro. Percebe-se também a forte correlação histórica da Statoil com a sociedade norueguesa, e entende-se que um cenário muito nacionalista poderia vir a trazer prejuízos para ela, que busca se renovar diante dos desafios postos pelo mundo globalizado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Plataforma de petróleo Campo de Troll no Mar do Norte” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/b4/Troll_A_Platform.jpg/1280px-Troll_A_Platform.jpg

Imagem 2 Eldar Sætre, CEO da Statoil” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/13/Eldar_S%C3%A6tre_p%C3%A5_scenen2_%2816724106795%29.jpg/1024px-Eldar_S%C3%A6tre_p%C3%A5_scenen2_%2816724106795%29.jpg

Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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