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No dia 6 de dezembro, Vladimir Putin assinou a Nova Doutrina de Segurança de Informação Russa, sob efetividade imediata. A Doutrina marca o alinhamento estratégico russo na esfera das informações e ciberespaço.

Um dos principais objetivos da nova estratégia de Cibersegurança é, de acordo com os autores, a “dissuasão estratégica e prevenção de conflitos militares, que podem resultar do uso de tecnologias da informação”.

O Documento aponta a crescente tendência da mídia internacional em transmitir notícias prejudiciais à Rússia. De fato, a presença cibernética e possível influência russa nas eleições norte-americanas não passaram despercebidas, de forma que a candidata Hillary Clinton acusa o presidente russo Vladimir Putin de envolvimento direto nos ciber-ataques que obtiveram informações e minaram sua campanha, além disso, a mídia tradicional norte americana entrou em um frenesi, culpando os russos por envolvimento nas eleições. Algo que, por sua vez, gerou comentários de órgãos e instituições internacionais que criticam a falta de evidências com que a CIA e a grande mídia norte-americana acusaram e julgaram os russos pelo seu possível envolvimento no processo eleitoral.

O Documento também aponta a insuficiência do desenvolvimento de seguranças em tecnologias da informação no setor econômico, evidenciando o aumento de casos de ciber-crimes no país.

Porém o mais interessante de ser analisado é o posicionamento estratégico tomado pela Doutrina, de forma que, no Documento, são considerados os meios e táticas usadas por serviços especiais de certos Estados que visam “(d)esestabilizar a situação política e social interna em várias regiões do mundo e levando a minar a soberania e violar a integridade territorial dos países”. A medida, de certa forma, legitima a preocupação com o ciberespaço como representação de uma nova face de combate, assim como a terra, o céu e o mar.

A Nova Doutrina de Segurança de Informação Russa também prevê a contenção e prevenção de ataques, tanto cibernéticos quanto militares, provenientes de informações obtidas em função de esforços que minam as telecomunicações da Rússia. Ainda segundo o texto, seus objetivos estratégicos são: “Garantir a segurança da informação no domínio da segurança pública e do Estado, que são a proteção da soberania, o apoio à estabilidade política e social, a integridade territorial da Federação Russa, a garantia dos direitos e liberdades do homem e do cidadão e a proteção da infraestrutura”.

Pode-se observar, portanto, um posicionamento defensivo na estratégia informacional russa, caraterizada no desejo de se proteger de ataques cibernéticos provenientes de agências especiais de outros países. A Doutrina também é decorrente da mudança no posicionamento da cibersegurança russa, especialmente após o sucesso do ciberataque Stuxnet, em 2010, encabeçado pelos Estados Unidos e Israel, que atrasaram significativamente o programa nuclear iraniano. No entanto, a proteção sob a perspectiva interna também é significativa, principalmente após a Primavera Árabe, que veio minando governos no Oriente Médio desde 2011.

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ImagemVladimir Putin” (FonteMariajoner):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3APUTIN_RUSO.jpg

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Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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