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Em um mundo imprevisível, a defesa coletiva continua sendo a maior responsabilidade da Aliança (OTAN)”. Com esta frase, Jens Stoltenberg, Secretário-Geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), deu o tom da Reunião de Ministros de Defesa dos países membros da Aliança. A Cimeira foi realizada em Bruxelas, Bélgica, nos dias 26 e 27 de outubro de 2016.

Pautados pela escalada bélica de Moscou em relação à Europa e pelos constantes fluxos de refugiados que cruzam os mares Mediterrâneo e Egeu em busca de abrigo no Velho Continente, o Secretário-Geral e os 28 Ministros de Defesa analisaram a situação atual das iniciativas lançadas na Cúpula de Varsóvia, realizada em julho de 2016. Naquela ocasião, os Chefes de Estado e Chefes de Governo dos países membros delinearam as diretrizes estratégicas para impulsionar a sua capacidade dissuasória e de defesa, além de fomentar a estabilidade nas áreas geográficas adjacentes à Aliança.

O destaque da reunião foi o anúncio da criação de quatro batalhões multinacionais avançados que reforçarão as posições militares da OTAN na região do Mar Báltico. Liderados por Reino Unido, Canadá, Alemanha e Estados Unidos, cada grupamento atuará, respectivamente, na Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia, já no início de 2017. Cada batalhão contará com contingentes de pelo menos três países membros, conforme distribuição informada na figura abaixo.

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Para Stoltenberg, esta é uma ação concreta de dissuasão que não visa provocar o conflito, mas, sim, preveni-lo, além de uma clara demonstração dos fortes laços transatlânticos. Convém ponderar, porém, que o anúncio ocorre menos de um mês depois que a Rússia confirmou o envio de mísseis do tipo Iskander, com capacidade nuclear, para o seu enclave estratégico de Kaliningrado, localizado no Mar Báltico entre a Polônia e a Lituânia.

Além daquele anúncio, outros dois pontos se destacaram nas discussões. Um deles foi o fortalecimento da cooperação entre OTAN e União Europeia acerca do fluxo migratório nas fronteiras marítimas sul e sudeste do Bloco. As partes anunciaram a renovação da operação conjunta no Mar Egeu, que tem apresentado êxito na luta contra o tráfico de pessoas e redução substancial na quantidade de imigrantes que tentam entrar na Europa por essa rota. Na mesma linha, a OTAN anunciou o lançamento da Operação Sea Guardian para a região central do Mar Mediterrâneo, a qual irá somar forças com a Operação Sophia da União Europeia, que já está em funcionamento desde 2015.

O outro tópico abordado pelos Ministros foi sobre as atividades relacionadas às iniciativas de estabilização nas áreas adjacentes aos territórios dos países membros da OTAN, especialmente a luta contra o Estado Islâmico. Acerca deste tema foram informados os esforços de treinamento para impulsionar o fortalecimento das Forças Armadas Iraquianas e a disponibilização do sistema de vigilância e alerta aéreo da OTAN, para uso da coalisão ocidental que luta contra o Estado Islâmico. O primeiro voo de reconhecimento no âmbito dessa colaboração já foi realizado no dia 20 de outubro de 2016.

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Imagem 1 Jens Stoltenberg, SecretárioGeral da OTAN, concede conferência de imprensa antes do início da Reunião de Ministros da Defesa dos países membros da OTAN” (Fonte):

https://www.nato.int/nato_static_fl2014/assets/pictures/2016_10_161025b-mod-pre-pc-sg/20161025_161025b-004.jpg

Imagem 2 Mapa mostra localização e composição dos batalhões multinacionais criados pela OTAN em 26 de outubro de 2016” (Fonte):

http://www.nato.int//multi/2016/pdf/20161027-enhanced-forward-presence.pdf

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Marcos Françozo - Colaborador Voluntário

Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e mestre em Política Internacional e Comparada pela Universidade de Brasília (UnB). Possui experiência acadêmica nas áreas de governança internacional, estudos europeus e regimes internacionais. Atualmente é Analista de Relações Internacional na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com atuação nas áreas de articulação, desenvolvimento e cooperação internacional. Principais ramos de atuação: Relações Internacionais, Políticas Globais, Europa, Cooperação Técnica e Cooperação Científica.

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