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[:pt]A perspectiva da política externa dos Estados Unidos para a Península Coreana[:]

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Analistas vem apontando que a expansão dos laços de cooperação na Ásia, promovida ao longo dos anos da administração Obama, parece não ter sido capaz de reduzir o nível de tensão existente na Península Coreana. Pela projeção e demonstração de poder militar, tentou alinhar sua proteção na região, bem como garantir sucesso nas negociações que se sucedem a cada ameaça à sobrevivência do regime comunista na parte norte da Península.

A República Popular Democrática da Coreia, ou simplesmente Coréia do Norte, produz uma retórica diplomática condicionada a incertezas de ações que representam uma grave ameaça à segurança e à estabilidade do continente asiático, assim como de outras regiões do mundo.

A diretriz de política externa adotada mais recentemente pelo atual membro da considerada Dinastia Kim, Kim Jong-un (2011), mantém a firmeza de seu pai e antecessor, Kim Jong-Il (1994-2011), e, através do desenvolvimento de armamento nuclear, cria bases que agravam o cenário com as principais potências atuantes da região, as quais estão diretamente envolvidas no contencioso político-militar, a citar: Coréia do Sul, Japão, China, Rússia e Estados Unidos.

O papel político-diplomático dos Estados Unidos, com recorte específico nos anos referentes à gestão do Presidente Barack Obama, produziu o fortalecimento das relações com os vizinhos dos norte-coreanos, tendo como principal premissa impedir a deflagração de uma guerra, embora, nas palavras de analistas internacionais, a avaliação de Pyongyang seja de que é mais produtivo o desafio que a conciliação.

Nesse sentido, a condução diplomática perpetrada envolve maior pressão sobre o regime de Pyongyang, através da necessidade de retomar a Negociação dos Seis, ou Six Party Talks, em que participam Coreia do Sul, Japão, China, Rússia e Estados Unidos e cujos elementos da negociação seguem a orientação para a desnuclearização da Coreia do Norte.

Paciência Estratégica” é a forma como ficou conhecida essa reaproximação nas negociações coordenada com os aliados. Recentemente, contudo, Coreia do Sul, Japão e China adotaram uma linha mais dura com o regime de Kim Jon-un, por meio de interdições de armas e outras sanções, muitas delas já implementadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Segundo autoridades consultadas, esse posicionamento mais brando da administração estadunidense visa alcançar um pacote abrangente que contemple a desnuclearização completa do país, em troca da normalização das relações e auxílio significativo no âmbito humanitário, com uma coordenação atuante por parte de Seul, que, apesar dos esforços para a pacificação da região, juntamente com Washington ainda produz exercícios militares constantes, mas com o fim de demonstrar força e solidez na relação, passando uma mensagem de que poderá responder com eficiência para a manutenção do status quo da região, se for requisitada.

Entretanto, há especialistas em política internacional que criticam a abordagem “Paciência Estratégica”, pois entendem que ela permitiu a Pyongyang controlar o cenário e produzir melhoramento constante de suas atividades envolvendo o programa de mísseis nucleares.

Dessa forma, o que pode ser entendido como colapso das negociações do Six-Party Talks sobre a desnuclearização intensificou as preocupações sobre a proliferação nuclear. Uma Coreia do Norte sem recursos, fruto das recorrentes sanções impostas pelo Conselho de Segurança, possivelmente irá recorrer a outras fontes de renda e há um forte receio de que essa tecnologia nuclear, ou material físsil possam ser adquiridos por grupos que controlam hoje os territórios da Líbia e da Síria, por exemplo.

Há também, dentre outras construções de cenários, percepções de que as exigências impostas por Pyongyang para a desnuclearização, como um Tratado de Paz com os Estados Unidos, seja apenas um movimento tático que não inviabilizaria a desistência do programa de armas nucleares, ou seja, é entendido também como uma diplomacia aos moldes da “paciência estratégica” adotada pelos analistas que observam a condução da política externa atual dos EUA para a Coreia do Norte.

Diante de um quadro complexo, há outras modelagens que evidenciam oportunidades de restabelecer uma geopolítica que privilegie o soft power na região. Nesse sentido, Mike Mullen, Almirante, da Marina dos Estados Unidos, e Sam Nunn, ex-senador democrata pelo Estado da Geórgia, conduzem trabalho independente sobre política dos Estados Unidos para a Coreia, com participação do Council On Foreign Relations.

Essa força tarefa propõe medidas que criariam bases para incentivar a cooperação, através da imposição de custos crescentes à Coreia do Norte, dentre as quais:

  1. Planejamento das crises militarizadas, papel de uma Coreia unificada, e modelagens de segurança para o Nordeste Asiático. Esse enfoque passa impreterivelmente pelo auxílio de Beijing, que trabalhará com parceiros regionais à luz do planejamento conjunto do futuro para a península coreana;
  2. Acordo de Paz abrangente e congelamento do Programa Nuclear. Essa reestruturação propõe aumentar os incentivos posteriores para a cooperação;
  3. Exercer pressão continuamente sobre a Coreia do Norte sobre a importância de proteger os direitos humanos, bem como apoiar a suspensão das credenciais do país nas Nações Unidas, caso não as cumpra;
  4. Impor sanções e pressão financeira a fim de restringir a gama de atividades consideradas criminosas de Pyongyang e criar mecanismo multilateral para fiscalização;
  5. Fortalecimento da dissuasão e defesa com o aprofundamento da aliança dos Estados Unidos com a Coreia do Sul e Japão, com o compromisso assegurado de segurança coletiva em caso de ataque norte-coreano, assim como com a habilitação para interceptar lançamentos de mísseis que tenham capacidade de longo alcance.

Por outra medida, uma provável recusa nos termos sugeridos e negociados poderia implicar, para os Estados Unidos e seus aliados, no restabelecimento de novas medidas militares, com intuito de negar à Coreia do Norte o benefício de suas ações e fortalecer a dissuasão contra possíveis ataques militares.

Nesses termos, com um dos desafios que faz algum tempo está entre os mais perigosos para a segurança internacional, caberá também a Beijing o papel de seguir uma agenda de estabilidade conjunta com Washington na região, para evitar que o caos seja instaurado na Península e, como consequência, que os seus interesses econômicos, comerciais e geoestratégicos sejam suprimidos por uma guerra que poderia ser evitada.

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Imagem (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d9/Victorious_Fatherland_Liberation_War_Museum_Monument4.jpg

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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