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A política europeia de armamentos à Arábia Saudita

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Na semana passada, o Ministério da Defesa da Espanha anunciou o cancelamento da venda de bombas guiadas a laser à Arábia Saudita. Tal medida surgiu a reboque das recorrentes evidências acerca do uso indiscriminado de armamentos utilizados pela Coalizão saudita na Guerra Civil do Iêmen, objetivando alvos civis. Entretanto, dias após, o Governo reviu esta decisão e aventou novamente a possibilidade do comércio de armas com os árabes, em função de um contrato que prevê a construção de cinco corvetas pela empresa espanhola Navantia.

Mapa do Iêmen

Esta postura flexível da Espanha não é uma particularidade dela. Outros países europeus, além dos Estados Unidos da América, também estão inclinados em comercializar equipamentos militares com a Arábia Saudita, um país altamente estratégico para o equilíbrio de forças na região. Esses ativos têm sido usados ostensivamente na campanha contra os Houthis, xiitas opositores ao governo iemenita eleito de Abd Mansur Hadi. A Guerra começou em 2015, quando a Coalizão interveio em favor de Hadi contra os rebeldes iemenitas favoráveis ao Presidente anterior, Ali Abdullah Saleh, e apoiados pelo Irã, ocasionando em um conflito sangrento e um caos humanitário.

O Iêmen é um Estado importante para a geopolítica regional e global. O mesmo encontra-se em uma posição estratégica em relação à passagem de petróleo oriundo do Golfo Pérsico, em direção ao mediterrâneo. O país defronta o Golfo de Áden, historicamente marcado pela pirataria existente na costa da Somália; o Mar Vermelho; e compõe o Estreito de Bab-el-Mandeb, junto ao Djibouti, na costa africana.

Uma das principais críticas feitas aos países europeus é a falta de coesão no que diz respeito a uma posição comum em relação à venda de armas à Arábia Saudita. Enquanto alguns países como Holanda, Bélgica, Suécia e Alemanha adotam postura mais restritiva aos sauditas; outros como a própria Espanha, a Itália, a França e o Reino Unido não somente alegam que as exportações são legais, como afirmam que as armas não são usadas no conflito iemenita. Porém, organizações como a Anistia Internacional e o Human Rights Watch discordam, dizendo que os sauditas têm utilizado as armas desses países, inclusive sobre alvos civis.

Possível solução seria a intervenção do Conselho de Segurança das Nações Unidas, intermediando o conflito. A crise humanitária que assola o Iêmen é uma preocupação global e as ações atualmente empreendidas tanto pelos Estados europeus, na venda de armamentos, como da Coalizão, a partir de ataques aéreos e do bloqueio naval ao porto de Hodeida, apenas trazem mais dificuldades à vida da população iemenita. A existência de diversas variáveis dificulta a projeção de um cenário otimista para a resolução da situação do país e, conforme vem sendo observado na mídia, observadores tem apontado que a política de venda de armamentos dos países da Europa em nada auxilia uma mudança positiva neste sentido.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Protesto em uma feira internacional de venda de armas” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/campaignagainstarmstrade/27649362833

Imagem 2Mapa do Iêmen” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Yemen-map.png

Matheus Mendes - Colaborador Voluntário

Bacharel em Defesa e Gestão Estratégica Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos da Escola de Guerra Naval (PPGEM/EGN). É pesquisador do Núcleo de Avaliação da Conjuntura, participando da produção do Boletim Geocorrente, ambos da mesma instituição. Suas principais áreas de interesse envolvem as políticas de Defesa do Reino Unido, com enfoque na Marinha; Brexit e movimentos separatistas europeus; questões marítimas globais; e Geopolítica.

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