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A política externa sueca e a construção de uma nova ordem de segurança global

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A atual política externa sueca é feita pela Ministra dos Negócios Estrangeiros, Margot Wallström, e, especificamente, pauta-se em duas linhas de ação: a linha pragmática e a linha ideológica. A linha pragmática representa a preocupação de Estocolmo com sua própria sobrevivência, e em segundo plano com a política de paz e segurança global. A linha ideológica representa o empenho sueco na promoção de seus valores sociais, ou seja, em ações a partir da ênfase em políticas ambientais, feministas e de gênero.

A política externa representa uma das faces do corpo político de um Estado e uma das preocupações que recaem sobre a Suécia é a questão da geopolítica, ou seja, a preocupação com a sua segurança, observada dentro da perspectiva do espaço e da posição que ocupa, mais especificamente, tendo como base de orientação a segurança na região Nórdica e Báltica.

O receio centra-se em especulações sobre possíveis incursões russas e a instabilidade que estas supostas ações poderiam acarretar, sobretudo após a anexação da Criméia pela Rússia, ato que os suecos consideram constituir-se em ilícito, diante do Direito Internacional. O cenário é visto com atenção, pois os vizinhos da Suécia são membros União Europeia (UE), com exceção da Noruega e Islândia, e todos, com exceção da própria Suécia, compõem a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). 

A nível global, os suecos aderem a uma ordem internacional que privilegia o respeito às instituições e normas internacionais e sua política externa busca influenciar a segurança por meio de ações ativas, destemidas e construtivas, tais como as que operam na crise síria, no combate ao Estado Islâmico, na busca de uma solução para o caso de Israel e Palestina, no apoio à União Africana de Nações, no que tange a segurança e o desenvolvimento regionais, e na aproximação com a China sobre a temática dos direitos humanos.

Dentro da perspectiva de sua política externa é importante frisar a existência de compreensões realistas e idealistas no jogo político, contudo, nenhuma decisão é feita ao acaso, pois, no tocante ao interesse, observam-se esforços construtivistas com o intuito de provocar mudanças pontuais em escala mundial.

Percebe-se o impacto dessas posturas por meio da cooperação ambiental internacional, sobretudo, em parcerias chaves com países Latinos, Caribenhos e do Pacífico, e na inclusão do feminismo na política externa da Ministra Wallström, que incentiva a participação de mulheres em negociações de paz.

Consoante a opinião de analistas, considera-se que a política externa sueca é eficaz, à medida que almeja robustez em suas ações na defesa da segurança dos inocentes, e na reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), para o qual Estocolmo faz campanha neste momento em busca de conseguir um assento, porém, entende-se que certas afirmações no âmbito de políticas feministas e de gênero, como o envio de mediadoras à Síria, refletem uma posição idealista que pode conter carência de crítica, de cálculo político e irrealismo diplomático, podendo colocar a perder oportunidades estratégicas por conta de equívocos antropológicos ou de exageros ideológicos.

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ImagemMinistra dos Negócios Estrangeiros da Suécia Margot Wallström” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/29/Margot_Wahlstrom_Sveriges_EU-kommissionar.jpg

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Leitura Adicional:

* Apresentado por Margot Wallström, Ministra dos Negócios Estrangeiros, no Debate Parlamentar dos Assuntos Externos (quarta-feira, 24 de fevereiro 24 de 2016):

http://www.government.se/speeches/2016/02/statement-of-government-policy-in-the-parliamentary-debate-on-foreign-affairs-2016/

** Debate de Política Externa:

http://www.riksdagen.se/sv/Debatter–beslut/Ovriga-debatter/Utrikespolitiska-debatter/Utrikespolitisk-debatt/?did=H3C120160224ud

*** Wallström estabelece a linha de política externa:

http://www.aftonbladet.se/nyheter/samhalle/article22321236.ab

 

Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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