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[:pt]A política russa e a reunificação com a Crimeia[:]

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No dia 18 de março, os russos comemoraram o terceiro ano de retorno da Península da Criméia a sua soberania, a qual permaneceu sob a administração de Kiev desde 1954, visto que o então líder soviético, Nikita Khrushchov, a entregou à responsabilidade da Ucrânia, que era uma das unidades que compunham a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Porém com o desmantelamento da URSS a questão permaneceu confusa e constituiu-se em um ponto sensível entre ambos os atores que surgiram do desmantelamento do Estado Soviético: a Federação Russa e a Ucrânia. Na atualidade, a Crise Ucraniana acabou por impulsionar o renascimento da identidade russa na população descendente que vive no território ucraniano, por conta de divergências políticas em torno de uma Ucrânia pró-União Europeia (UE), ou pró-Rússia, algo que culminou com o surgimento de uma guerra civil.

Em 2014, durante os reveses ucranianos, o grupo de maioria russa decidiu realizar um Referendo sobre a adesão da Criméia à autoridade de Moscou, cuja consulta resultou na concordância de cerca de 96% da população para a proposta. Neste interim, abriu-se uma oportunidade de ganho político para o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, que buscou restaurar seu percentual de popularidade e, especialmente, proporcionar à Rússia mais um elemento no projeto de elevação de seu status de superpotência, portanto, ao projeto de restauração da narrativa de poder perdida após o período soviético. Conforme sinaliza o sociólogo, Alexei Levinson, do Levada Center, “Para os russos, a anexação da Criméia curou o trauma da desintegração do império soviético, descrito melhor por Putin como a maior catástrofe geopolítica do século XX”.

O mundo Ocidental possui a interpretação de que a Rússia violou o Direito Internacional ao anexar a Criméia sem a manifestação positiva de Kiev e, como forma de repulsa, impôs sanções econômicas a Moscou, apostou no isolamento do país no plano internacional e deslocou a estrutura da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para as proximidades das fronteiras russas, com receio de que outras ações possam vir a ocorrer no Leste Europeu e no Norte da Europa.

Apesar das dificuldades, as percepções sobre os atos russos apresentam mudanças de perspectivas. Consoante a Presidente do Conselho da Federação Russa, Valentina Matvienko: “Estamos vendo uma mudança de atitude nos representantes individuais de nossos parceiros ocidentais, a passagem da total rejeição e condenação às tentativas de descobrir o que realmente aconteceu na Criméia, em março de 2014”, conforme destaca, após observar as declarações de Richard Belf, membro da Câmara dos Lordes, e de Hëyre Willock, do Partido Conservador da Noruega, ambos com posições favoráveis a uma Criméia russa.  

Como salientam os analistas, emerge no sistema internacional uma compreensão dupla sobre a situação da região. Ou seja, há uma vertente que entende que houve uma agressão à soberania ucraniana, e outra que aspira uma pauta democrática, visto que a escolha dos crimenianos foi respeitada e os mesmos não foram forçados a tornarem-se cidadãos russos. O fato abrange uma dinâmica não tradicional, cujo benefício pode ser compreendido no âmbito da cooperação a partir da satisfação de um desejo de ser russo e de um anseio por maximização de poder, que trouxe à Rússia a vantagem de sua autoafirmação no jogo internacional.

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Imagem (Fonte):

Imagem 1Sala de reunião do Conselho da Federação” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c3/%D0%97%D0%B0%D0%BB_%D0%B7%D0%B0%D1%81%D0%B5%D0%B4%D0%B0%D0%BD%D0%B8%D0%B9_%D0%A1%D0%BE%D0%B2%D0%B5%D1%82%D0%B0_%D0%A4%D0%B5%D0%B4%D0%B5%D1%80%D0%B0%D1%86%D0%B8%D0%B8%2C_25.02.2013.jpg

Imagem 2 Valentina Matvienko” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/36/Valentina_Matviyenko.jpg

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Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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