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A presença da Ordem Soberana de Malta na Guerra Civil da Síria

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Em inícios do século XII, Gérard Tum fundou, a partir de um albergue para recolha de peregrinos, propriedade de mercadores da República Marítima de Amalfi, às portas de Jerusalém, a Ordem dos Cavaleiros Hospitalários. A Ordem Soberana de Malta, reconhecida em 1113 pelo Papa Pascoal II, por intermédio da Bula Piae Postulatio Voluntatis, é, atualmente, umaOrdem de leigos católicos de natureza militar, cavalheiresca e nobre. Hoje em dia, a Ordem tem cerca de 13.500 membros,Cavaleiros e Damas, tal como os membros auxiliares: 80.000 voluntários permanentes, assim como 20.000 integrantes do corpo clínico, incluindo médicos, enfermeiras, auxiliares e paramédicos, presentes em 54 países[1].

A agência da Ordem Soberana de Malta com a missão de prestar assistência humanitária, a Malteser International, tem sede emColônia, na Alemanha, cidade onde foi fundada, em 2005. Mais recentemente, desde 2010, a agência começou a prestar auxílio noHaiti, após o sismo que destruiu o país, deslocando-se igualmente para o Paquistão, na sequência das inundações. Em 2011, ela proporcionou ajuda humanitária no Japão, depois do sismo que assolou o território nipônico e, também, no Chifre de África, para combater os efeitos da seca e da fome. Em 2013, a Malteser International se foi para as Filipinas, em decorrência do tufãoHaiyan e, no ano passado (2014), começou a oferecer proteção humanitária às minorias perseguidas no norte do Iraque. Em 2015, após o sismo devastador que teve lugar no Nepal, a agência enviou para lá seu pessoal especializado[2].

Dentre os cenários em crise humanitária no mundo, a Malteser International está prestando apoio de emergência, desde 2012, aos refugiados e deslocados na Síria, Turquia e Líbano, juntamente com organizações parceiras da sociedade civil. À entrada do quinto ano da Guerra Civil na Síria, cerca de 16 milhões de pessoas na região necessitam de assistência humanitária urgente[3]. SegundoOliver Hochedez, Coordenador da Ajuda Emergencial da Malteser International, “a crise síria se tornou uma das piores crises humanitárias de nosso tempo[4]. Se, antes do início do conflito, a Síria possuía um avançado sistema de cuidados de saúde, agora “mais de metade de todos os hospitais foram destruídos ou seriamente danificados devido à guerra[5]. Ainda de acordo com Oliver Hochedez, “a infraestrutura médica do país e os cuidados de saúde quase que colapsaram e os países vizinhos que estão a albergar centenas de milhares de refugiados sírios estão perto do limite de sua capacidade[6].

A Guerra Civil síria causou, até agora, mais de 200 mil mortos e os trabalhadores humanitários estão enfrentando uma situação cada vez mais difícil e perigosa. Em entrevista concedida à Rádio Vaticano, Oliver Hochedez sublinhou o fato de a Malterser International trabalhar “principalmente no setor da saúde e, se nós olharmos o setor da saúde, especialmente na Síria, [verificamos] que ele quase que colapsou nos últimos quatro anos[7]. Deste modo, “é absolutamente difícil alcançar as pessoas – civis –, e oferecer os cuidados básicos de saúde porque já não há médicos suficientes, enfermeiras suficientes, a infraestrutura está destruída, pelo que a situação é realmente muito precária[8]. Contando com o apoio financeiro do Governo alemão, a Malteser International providenciou, em 2014, cuidados médicos a cerca de 15 mil refugiados sírios e pessoas deslocadas em hospitais de campanha, centros médicos e clínicas móveis. Por outro lado, cerca de 110 mil pessoas receberam kits de sobrevivência, comida, artigos para casa e higiene pessoal, tal como roupas para o Inverno[9].

A avalanche de refugiados sírios, em território nacional e, também, nos países vizinhos, exige, da comunidade internacional, uma ação comum relativamente ao conflito interno naquele país do Oriente Médio. A falta de resposta da comunidade internacional, como um todo, tem contribuído para perpetuar esta guerra, que vai caindo no esquecimento da opinião pública mundial. A falta de soluções institucionais, na área dos cuidados de saúde, está colocando crescentemente nas mãos de organizações, como a Malteser Internacional, a prestação da assistência humanitária ao povo sírio, cada vez mais vulnerável em termos de sobrevivência cotidiana.

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Imagem O corpo médico da Malteser International trabalha para aliviar o sofrimento da população síria” (Fonte):

https://orderofmaltarelief.org/four-years-of-war-in-syria-one-of-the-worst-humanitarian-disasters-of-our-times/

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.orderofmalta.int/faq/26466/faq/?lang=en

[2] Ver:

https://orderofmaltarelief.org/history/

[3] Ver:

https://orderofmaltarelief.org/four-years-of-war-in-syria-one-of-the-worst-humanitarian-disasters-of-our-times/

[4] Ver:

https://orderofmaltarelief.org/four-years-of-war-in-syria-one-of-the-worst-humanitarian-disasters-of-our-times/

[5] Ver:

http://en.radiovaticana.va/news/2015/03/12/syrias_humanitarian_crisis_gets_worse_after_4_years_/1128907

[6] Ver:

https://orderofmaltarelief.org/four-years-of-war-in-syria-one-of-the-worst-humanitarian-disasters-of-our-times/

[7] Ver:

http://en.radiovaticana.va/news/2015/03/12/syrias_humanitarian_crisis_gets_worse_after_4_years_/1128907

[8] Ver:

http://en.radiovaticana.va/news/2015/03/12/syrias_humanitarian_crisis_gets_worse_after_4_years_/1128907

[9] Ver:

https://orderofmaltarelief.org/four-years-of-war-in-syria-one-of-the-worst-humanitarian-disasters-of-our-times/

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J. M. de Barros Dias - Colaborador Voluntário Sênior

É Licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto (Portugal) e Doutor em Filosofia pela Universidade de Évora (Portugal). Professor Associado da Universidade de Évora, reside em Curitiba desde início de 2012, onde é Professor na Faculdade São Braz e na Faculdade Inspirar. É autor de doze livros e mais de cem artigos científicos nas áreas da Ética, Filosofia da Educação e Filosofia Social e Política.

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