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Em dezembro de 2008, quatro dos seis países membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) – Arábia Saudita, Bahrein, Catar e Kuwait – aprovaram em Muscat, capital de Omã, dois Documentos visando ampliar a integração entre os Estados na região (o Acordo de União Monetária e o Estatuto do Conselho Monetário), o que, das suas perspectivas, será possível por meio da criação de uma moeda única, com o intuito de proteger e beneficiar as economias dos membros da entidade.

Com o resultado, criou-se o Conselho Monetário do Golfo, com as seguintes metas:

  1. Reforçar a cooperação entre os Bancos Centrais nacionais;
  2. Desenvolver e coordenar políticas monetárias e de taxas de câmbio;
  3. Estabelecer um Banco Central supranacional;
  4. Definir o calendário para a introdução e circulação da moeda única;
  5. Facilitar o livre comércio dentro do Bloco.

No entanto, em 2009, os Emirados Árabes Unidos (EAU), inicialmente envolvido nas negociações, manifestaram reservas quanto à decisão de o Banco Central unificado ser sediado na capital saudita, Riad, e decidiu não participar do Acordo, somado a isto, Omã também não formalizou compromisso com a proposta dos outros países do CCG.

Embora exista o interesse da maioria dos membros do CCG quanto ao projeto de união monetária, quatro fatores principais, além da não adesão dos EAU e de Omã, podem ser destacados como impedimento para tal:

  1. O primeiro deles é a uniformidade econômica no CCG, pois o petróleo é responsável, no mínimo, por mais de 50% das receitas governamentais de todos os países do grupo, o que dificultaria manobras econômicas em cenários de crise financeira internacional e de baixos preços da commodity, como vem acontecendo desde meados de 2014*;
  2. O segundo diz respeito à disparidade cambial dentro do Bloco (frente ao dólar, principal moeda do comércio mundial), pois há dificuldade em fixar o valor da moeda única, considerando o dinar kuwatiano, mais caro, e o Rial saudita, mais barato. Existe a dúvida sobre se o Banco Central do Golfo permitiria aos adeptos da união monetária adotar suas próprias políticas fiscais. Esta também é uma situação complexa que envolve muitos outros elementos;
  3. O terceiro fator seria o desafio de um maior avanço na movimentação de capitais, pessoas, bens e serviços entre os países do CCG para criar uma maior integração entre seus membros;
  4. Por fim, há a desconfiança de que os interesses da Arábia Saudita predominem sobre os dos outros Estados, tendo em vista que os sauditas detêm a maior economia do Bloco e quase o dobro do PIB dos EAU, a segunda maior**.

As razões acima comentadas são algumas destacadas que demonstram o quão complexo seria o estabelecimento de uma união monetária à moda do que ocorre na União Europeia, por exemplo, que, apesar da recente crise financeira na Zona do Euro, ainda é o modelo padrão para esse tipo de integração regional.

Desse modo, pode-se inferir que o estabelecimento de um Banco Central do Golfo e a emissão de uma moeda única no âmbito do CCG é um objetivo a ser alcançado no longo prazo, caso ainda haja interesse para tal nos próximos anos.

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Notas e Fontes:

* Ver dados do The World FactbookCIA. Disponível em:

https://www.cia.gov/library/publications/resources/the-world-factbook/

** Ver dados do World Bank. World Databank. Disponível em:

http://databank.worldbank.org/data/reports.aspx?source=2&country=SAU#

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Imagem (Fonte):

http://www.bhatkallys.com/wp-content/uploads/2014/04/GCC-620×330.jpg

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André Figueiredo Nunes - Colaborador Voluntário Júnior

Graduado em Relações Internacionais pelo Centro Universitário da Cidade (UniverCidade) e mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde 2013 pesquisador de geopolítica pelo Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval da Marinha do Brasil (EGN/MB), onde escreve sobre temas relacionados ao Oriente Médio para o Boletim Geocorrente. Principais ramos de atuação: Relações Internacionais, História, Geopolítica do Petróleo e do Oriente Médio.

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