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Palmyra, a cidade histórica síria Patrimônio Mundial da Humanidade, voltou ao controle do Estado Islâmico. Em maio de 2015, os insurgentes conseguiram dominar Palmyra e, a partir de então, a cidade antiga sofreu sucessivas depredações de seus tesouros históricos. Após dez meses sob o domínio dos radicais, ela foi retomada pelo Governo sírio, mas, em menos de um ano, caiu novamente em poder dos extremistas. No dia 11 de dezembro, após fortes combates entre os jihadistas e as forças sírias e russas, o Estado Islâmico reconquistou a cidade antiga de Palmyra (Tadmor), parte oriental da província de Homs.

De acordo com informações, na quinta-feira (dia 8 de dezembro), os militantes islâmicos fizeram um ataque surpresa e apoderam-se de campos de petróleo e de gás natural nas proximidades da cidade. No domingo, os russos afirmaram que os ataques aéreos deflagrados por seus soldados haviam afastado os militantes islâmicos do centro de Palmyra, porém, mais tarde, os extremistas anunciaram, através de sua agência de notícias Amaq, que tinham apenas feito um recuo breve e que tinham reassumido novamente o controle. Em seguida, esta notícia foi confirmada pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

O Exército Árabe Sírio, em conjunto com os aliados russos, não saiu totalmente do terreno e continuou com as ofensivas por ar e por terra, na tentativa de expulsar os radicais. Segundo o Centro Russo para a Reconciliação na Síria, o Estado Islâmico se reagrupou para recuperar Palmyra, totalizando 4 mil combatentes. Apesar das baixas sofridas durante os 64 ataques aéreos russos, que mataram cerca de 300 militantes, os insurgentes estão em esforço máximo para garantir o domínio daquela cidade e, para isto, o grupo está recorrendo ao seu contingente baseado em Raqqa e Deir Ezzor.

A determinação dos fundamentalistas não permitiu que o triunfo do Governo fosse duradouro. A brevidade do sucesso do presidente Bashar al-Assad em Palmyra assinala, também, o quanto são frágeis as batalhas vencidas aos milicianos, os quais dominam o terreno e cujas táticas de guerrilha, geralmente, não permitem que eles sucumbam totalmente ante as Forças Armadas convencionais. Neste contexto, torna-se clara a complexidade da guerra na Síria, na qual se confrontam as táticas militares tradicionais e paramilitares. 

O desfecho deste episódio nos remete para mais uma etapa do conflito, no qual diferentes energias estão concentradas em torno de objetivos díspares, mas ao mesmo tempo comuns no que diz respeito à posse e à defesa de áreas economicamente estratégicas e de fácil movimentação de materiais de abastecimentos.

A reconquista de Palmyra representa, para o Estado Islâmico, uma vitória importante frente às forças sírias e russas, depois de ter sofrido grandes perdas territoriais ao longo deste ano (2016). Este último acontecimento poderá significar, para o grupo, uma viragem no conflito, elevando o ânimo dos combatentes e estimulando, ao mesmo tempo, novas investidas, principalmente na Síria e no Iraque, onde eles sofreram até hoje os maiores reveses para as forças governamentais e seus aliados.

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ImagemVista panorâmica do sítio arqueológico de Palmyra, Síria” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/cd/Palmyra,_Syria_-_2.jpg

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Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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