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A relação de tensão entre Estônia e Rússia

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Desde os acontecimentos que sublevaram as minorias russas no leste da Ucrânia, cuja máxima ocorreu após a anexação da Crimeia pela Rússia, formou-se um clima de mal estar diplomático nos Estados bálticos, pois teme-se que o episódio ucraniano possa ter repetição na região que contém quantitativos consideráveis de minorias russas, ou, no pior dos casos, uma invasão da Rússia.

O Governo da Estônia decidiu tomar uma medida drástica e construir um muro de 108 Km de extensão ao longo de sua fronteira com a Federação Russa, sob vigilância de câmeras de vídeo e patrulhamento por drones. O projeto de 71 milhões de euros tem previsão de início para 2018, com a alegação de que o país precisa proteger-se contra violações de fronteira, sobretudo após o Caso Eston[1], por parte de “imigrantes ilegais e animais selvagens[2], conforme palavras da Polícia de Fronteira da Estônia e Serviço de Guarda.

O Governo Russo considera a obra “sem sentido[2] e, mediante declaração de Konstantin Kosachev, Chefe do Comitê Internacional do Parlamento Russo, replica: “Não há nenhum confronto militar, nem qualquer situação de contrabando de mercadorias, tráfico de drogas, ou qualquer outra coisa. O objetivo da iniciativa é apresentar a Rússia como uma ameaça ao resto da Europa[2].

Os Russos dizem que a Estônia interpreta os exercícios militares feitos, regularmente na fronteira comum, como uma ameaça de invasão[3] e aconselharam o Governo estoniano a usar o dinheiro gasto na resolução de problemas econômicos de seu próprio país, ao invés de erguerem “um monumento ideológico sem finalidade prática[2].

Dentro de uma perspectiva geopolítica, em conformidade com às palavras de Yury Dolinsky, analista russo sobre países bálticos, os residentes destes países preocupam-se com uma ameaça russa e “acreditam que sua participação na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) afastará Moscou de invadi-los, ou forçará os russos a retirarem-se a testarem a aliança ocidental[4]. Entretanto, Jaan Murumets, analista militar estoniano, disse que a Rússia não invadirá os bálticos, pois “falta-lhe as forças disponíveis para apreender, manter o território dos três países, e controlar as suas fronteiras[4]. Murumets alega que seria impossível uma ação deste porte, pois seria necessário a Moscouum mínimo de duas divisões para cada uma dessas tarefas[4]. Ele argumenta que a Estônia, e demais vizinhos bálticos, deveriam considerar que a Rússiacertamente usaria uma abordagem soft ou indireta[4] e, por isso, na hipótese de uma “guerra híbrida[4], possivelmente os exércitos nacionais, e mesmo da OTAN, não estariam “em uma posição para responder[4].  

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Imagem Estônia” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Est%C3%B3nia#/media/File:Estonia_in_European_Union.svg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver Tribunal russo condenou Eston a 15 anos de prisão”:

http://www.ohtuleht.ee/690264/venemaa-kohus-moistis-eston-kohveri-15-aastaks-vangi (Acesso em: 20.08.2015)

[2] Ver Rússia zomba de planos da Estônia sobre cerca de fronteira”:

http://www.baltictimes.com/russia_mocks_estonian_plans_to_fence_border/ (Acesso em: 26.08.2015)

[3] Ver Tal como a Ucrânia, a Estônia decidiu construir um muro na fronteira com a Rússia”:

http://br.sputniknews.com/charges/20150825/1954183.html (Acesso em: 27.08.2015)

[4] Ver Moscou carece de forças disponíveis para tomar e manter Bálticos”:

http://www.baltictimes.com/moscow_lacks_available_forces_to_seize_and_hold_baltics__estonian_defence_expert/ (Acesso em: 27.08.2015)

Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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