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[:pt]A Revisão da política externa da Federação Russa[:]

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Recentemente (em 1o de dezembro de 2016), o Presidente da Federação Russa, Vladmir Putin, aprovou uma revisão do Conceito de Política Externa para a Federação Russa, lançado em 2013. Essa revisão (que anula o documento de 2013) reflete o que o Governo russo gostaria de fazer, mas que não necessariamente será capaz de realizar. Tem também como finalidade política (tanto interna como externa) mostrar como o Governo observa o mundo na contemporaneidade. O Documento de 2013 está em concordância com os pontos realçados pelo Governo russo naquele ano, entretanto, a Rússia não estava envolvida nos mesmos cenários globais que se encontra hoje – 3 anos depois – sendo necessário para muitos analistas reforçar seus compromissos e expor quais suas intenções no mundo.

O Documento descaracteriza uma possível análise de que a Rússia busca o embate com o Estados Unidos e o “Ocidente” em nível internacional, ao contrário, demonstra mais de uma vez no texto o desejo de boas relações com todos os “parceiros” da Rússia e a necessidade de promover organizações multilaterais e comércio internacional. Além disso, fala-se a respeito de “valores democráticos universais”, promoção da ideia de “integração regional baseada nas normas e regras da Organização Mundial do Comércio” e diz que a Federação Russa “pretende apoiar ativamente a formação de um sistema econômico e financeiro justo e democrático no mundo”. Entretanto, não deixa passar por completo as tradicionais críticas, pois “o mundo contemporâneo está passando por um período de mudanças profundas, cuja essência é a formação de um sistema internacional policêntrico. Os esforços do Ocidente para impedir isso estão aumentando a instabilidade nas relações internacionais”. E acrescenta: “a Rússia deve resistir às tentativas de Estados ou grupos de Estados de reverem os princípios amplamente conhecidos da ordem internacional, por exemplo, usando a desculpa da ‘Responsabilidade de Proteger’ para intervir nos assuntos internos de outros países”.
É perceptível nesse Documento que o Governo russo está mais preocupado em demonstrar posicionamento para a sua política interna do que externa, uma vez que os grupos nacionalistas têm reforçado e vem ganhando a retórica diante das sanções internacionais e defendido a tese de que a Rússia se vendeu demais às multinacionais e, hoje, não possui pátio industrial para suprir suas próprias necessidades.

Com esse discurso em ascensão, o Governo Putin precisou demonstrar posicionamento de que o caminho optado é o de uma agenda de relações com parceiros internacionais e não de isolacionismo, como tem buscado a agenda “nacionalista russa”, caminhando no cenário contrário ao dos nacionalistas, bem como ao de uma América (EUA) voltada ao protecionismo (de acordo com a possível agenda do presidente eleito Donald Trump), já que um mundo policêntrico tem grandes probabilidades de entregar uma grande vantagem comparativa de mercado para a Rússia.

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ImagemMinistério de Relações Exteriores da Rússia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7b/Ministry_of_Foreign_Affairs_Russia-2.jpg

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Daniel Costa Sampaio - Colaborador Voluntário Júnior

Pósgraduado em Ciência Política (IUPERJ) e Bacharel em Relações Internacionais (UCAM). Experiência profissional em Representação Comercial e atualmente Gerente de Projetos e Novos Negócios na Prefeitura do Rio de Janeiro. No CEIRI Newspaper escreve no grupo Europa desde março de 2013, em que desenvolve publicações com ênfase na Política Externa Russa.

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