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[:pt]A situação da desigualdade na China sob o olhar de Thomas Piketty[:]

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A desigualdade de renda e patrimônio é um dos maiores desafios para a estabilidade da economia global. A desigualdade entre os Estados bem como a desigualdade manifesta no âmbito intraestatal, causam efeitos negativos sobre o desenvolvimento e sobre os níveis de bem-estar das populações. A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu a redução da desigualdade como um dos objetivos da Agenda do Desenvolvimento Sustentável para o ano de 2030.

Segundo a ONG de origem britânica Oxfam, que utiliza dados disponibilizados pelo Banco Credit Suisse, desde o ano de 2015, os 1% mais ricos da população global possui um patrimônio maior do que os 99% restantes, além disto, os oito homens mais ricos do mundo possuem a mesma riqueza que a metade mais pobre da população global.

Thomas Piketty chamou atenção para os riscos do crescimento da desigualdade no seu livro “O Capital no Século XXI”, lançado em 2013. Um recente estudo conduzido por este autor e outros pesquisadores acerca da situação da desigualdade na China aponta que o país possui uma renda per capita média que é de 3 a 4 vezes menor do que a renda dos Estados Unidos, entretanto, possui ainda um recorte de 130 milhões de pessoas que detêm uma renda equivalente à dos países desenvolvidos. Adicionalmente, a participação dos 50% mais pobres da população chinesa na renda nacional caiu de 28% para 15% no período de 1978-2015, enquanto a renda dos 10% mais ricos subiu de 26% para 41% do total da renda nacional, no mesmo período.

O mesmo estudo afirma que a concentração de renda do grupo dos 1% mais ricos da China ainda é menos preocupante que a situação encontrada nos Estados Unidos, visto que na China este grupo controla 13% da renda nacional, enquanto nos Estados Unidos a cifra chega a 20%. A desigualdade é um problema que afeta de maneira mais intensa as pessoas que estão no início de suas vidas profissionais e lutam para adquirir patrimônio. Estima-se que haja 385 milhões de chineses entre as idades de 18-35 anos, denominados como a geração “Millennial”. O agravamento da desigualdade terá efeitos perniciosos, sobretudo para este grupo, caso não haja políticas que assegurem o acesso a empregos qualificados e redistribuição de renda.

Nos países desenvolvidos, já se observa um fenômeno no qual os jovens possuem, em média, níveis educacionais mais elevados do que a geração anterior, no entanto, possuem menos renda e patrimônio do que os seus pais eram capazes de conquistar, considerada a mesma faixa etária. No médio e longo prazo, a China precisa promover políticas públicas de modo a evitar que a desigualdade em sua economia alcance níveis similares aos encontrados nos países centrais do capitalismo.

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Imagem 1 Poster: The answer to Inequality cant be blindness” / “Poster: A resposta à desigualdade não pode ser cegueira” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9f/Answer_to_inequality_cant_be_blindness_poster_vector.svg/2000px-Answer_to_inequality_cant_be_blindness_poster_vector.svg.png

Imagem 2 Thomas Piketty” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9a/Thomas_Piketty_2015.jpg

Imagem 3Three people that appear to be Millennials using smartphones” / “Três pessoas que parecem ser Millennials usando smartphones” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Millennials

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Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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