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A Suécia é um país que possui uma política externa com foco nos valores de construção da paz, prevenção de conflitos, desenvolvimento sustentável e no feminismo, tendo logrado êxito na última eleição para o mandato de Membro Não Permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Nesse sentido, terá o privilégio de participar das decisões do Conselho pelos próximos 2 anos (2017-2018), o qual é de fundamental importância para a manutenção da paz e segurança internacional, visto que o mesmo pode autorizar a intervenção militar como garantia de execução do Direito Internacional.

De forma simplificada, o Estado sueco defende dois discursos. O primeiro é de caráter cooperativo e com ênfase na perpetuação da paz, defesa dos inocentes e emergência da sustentabilidade. Conforme afirmou a Ministra dos Negócios Estrangeiros, Margot Wallström: “Estamos prontos para assumir a nossa responsabilidade”. A Ministra exemplificou a complexidade da tarefa ao observar a necessidade de paz entre Israel e Palestina, a questão da guerra civil síria, a atuação do Estado Islâmico no Iraque e o caso dos refugiados na Europa. Complementarmente, o primeiro-ministro Stefan Löfven declarou: “A Suécia está a aumentar a sua assistência e mais crianças devem ter a oportunidade de ir à escola mesmo quando estão em fuga. A Suécia é um dos maiores doadores para a agência de refugiados, o ACNUR, e nós estamos estimulando mais países a receberem mais cotas de refugiados”.

O segundo discurso dá ênfase à propagação do feminismo e de ideologias de gênero, com alinhamento a uma retórica de democracia, a partir dos quais a Suécia visa expandir éticas subjetivas presentes em sua sociedade para o âmbito do sistema estatal de segurança. Em consonância aos fatos expostos, a Ministra Wallström também afirmou: “Vamos trabalhar para que o Conselho de Segurança veja o nexo entre segurança, desenvolvimento, clima e igualdade de gênero. Vamos trabalhar para destacar a perspectiva das mulheres em situações de conflito”. Ela reforça tal perspectiva ao declarar: “Nós vamos lidar com temas da agenda do Conselho de Segurança, com base em nossos valores”.

Com relação ao Conselho de Segurança, deve-se destacar que o Órgão é o de maior poderio no interior da ONU devido a sua capacidade de aprovação de Resoluções Obrigatórias a todos os membros das Nações Unidas, logo com reflexo para todo o sistema internacional, e, em sua composição, ele se divide em dois grupos: os Membros Permanentes e os Membros Não Permanentes.

O primeiro grupo é fixo, com poder de veto e compõe-se dos Estados vencedores da Segunda Guerra Mundial (Estados Unidos, Federação Russa*, Reino Unido, França e República Popular da China**). O segundo grupo é composto por dez membros eleitos periodicamente de forma intercalada, por dois terços da Assembleia Geral da ONU. Na presente eleição, os Membros não Permanentes escolhidos para assumirem são: Bolívia, Cazaquistão, Etiópia, Itália, Holanda (que dividirão o mandato) e Suécia, em substituição a Espanha, Venezuela, Nova Zelândia, Malásia e Angola.

Em conformidade com a opinião dos analistas, o ingresso da Suécia no Conselho é positivo, na medida em que o Estado sueco demonstra disposição em trabalhar a favor de causas nobres, contribuir na diminuição dos belicismos e lutar pela reforma da própria estrutura da instituição. Todavia, é preciso salientar que alguns analistas apontam como negativo o que chamam de excesso de idealismo teórico*** na formulação e execução da política externa sueca.

Além disso, alguns analistas tendem a considerar que esta abordagem sobrepõe as perspectivas valorativas do mundo ocidental e acabam pressionando os não adeptos dessas concepções e perspectivas políticas, fazendo com que tais ações, paradoxalmente, resultem em desrespeito às sociedades terceiras, bem como em falhas de direcionamento por parte dos formuladores de política externa da Suécia.

No entanto, o posicionamento mundial tende, primordialmente, a ver como positiva a presença da Suécia nos debates, acordos, processos de mediação, bem como sua ação e presença na política internacional.

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* Como herdeira da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), a vitoriosa na Guerra.

** Que foi introduzida em 1971, pois, em 1949, diante da Guerra Civil entre Comunistas e Nacionalistas, estes foram vencidos e retiraram-se para Taiwan, onde, apesar do território reduzido, receberam o reconhecimento dos países não comunistas como o legítimo Governo da China. Esta situação se prolongou até 1971, quando a China Continental, ou seja, a República Popular da China, substituiu a República da China, ou seja Taiwan (também chamada de Formosa). Taiwan mantém relações diplomáticas oficiais com apenas 21 Estados-membros da ONU, mais a Santa Sé. De forma não-oficial, no entanto, tem relações com quase todos os membros da ONU, mas por intermédio dos “Escritórios de Representação Econômica e Cultural de Taiwan” (TECRO, na sigla em inglês) e suas filiais, os “Escritórios Econômicos de Taipei” (TECO), que, na realidade, atuam como as embaixadas e consulados para defender os interesses de Taiwan nos países onde estão localizados.

*** Não sendo possível fazer juízo de valor sobre isso, uma vez que, aqui, se afirma o idealismo da perspectiva da Teoria das Relações Internacionais, ou seja, o investimento por princípio na cooperação, no pacifismo, na construção de organismos internacionais, na diplomacia de praça pública, na concepção de uma bondade humana que prevalecerá com o diálogo entre os povos e atores, sendo este considerado um método por excelência de política internacional para os idealistas.

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ImagemBandeira da Suécia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/4/4c/Flag_of_Sweden.svg/1600px-Flag_of_Sweden.svg.png

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Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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