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O suicídio do vendedor de frutas Mohamed Bouazizi, que ateou fogo ao próprio corpo como protesto contra a pobreza e a corrupção na Tunísia[1], desencadeou a onda de manifestações contra Ben Ali, Presidente do país desde 1987, que foi retirado do poder em janeiro de 2011, após o início da Primavera Árabe, em dezembro de 2010, a qual, como uma onda revolucionária, espalhou-se pelo norte da África e pelo Oriente Médio. A população tunisiana deu início ao movimento que transformaria a formação política de vários países árabes que lutaram para derrubar os regimes autoritários, os quais estavam em vigor até então. Além da Tunísia, países como Egito, Iêmen e Líbia acompanharam o sentimento de revolta e a luta pela Democracia.

Cinco anos depois da Revolução, a Tunísia é dirigida por um Governo tecnocrata, tem uma nova Constituição, inspirada na transição democrática portuguesa, e é apontada como o farol da mudança da Primavera Árabe. O Quarteto de Diálogo Nacional da Tunísia[2] exerceu papel fundamental como mediador na transição democrática no país, ele reconfigurou o Parlamento e manteve unidos os partidos rivais, leigos e islâmicos, conseguindo evitar os conflitos que enfrentam outros países que fizeram a Primavera Árabe. No entanto, mesmo com avanços na política, a Tunísia continua a ser um país de contrastes, onde a liberdade e a alegria são assoladas por ataques extremistas.

Em março deste ano (2015), 22 pessoas morreram em um ataque[3] ao Museu do Bardo, ao lado do prédio do Parlamento. Em junho, o Estado Islâmico reivindicou o atentado que matou 39 pessoas e feriu 36 em um resort na Praia de Sousse, balneário[4]turístico do país. Em virtude dos ataques, o turismo caiu e tal queda aumentou a taxa de desemprego, que está acima dos 15%, sendo que, no caso dos jovens, ele ultrapassa os 30%. Além dos ataques extremistas, a Tunísia luta para manter a ordem local e impedir desacatos com visitantes dos países vizinhos. No interior do país, o contrabando de gasolina vinda da Líbia é feito à beira da estrada e a AlQaeda continua a reivindicar ataques.

Certamente, o país não é a primeira Democracia do mundo a enfrentar desafios políticos, econômicos e atentados terroristas. No entanto, destoando dos países da região, a Tunísia se destaca não apenas por ser um país onde há separação entre Religião eEstado (o Secularismo), mais também por ser o único país protagonista das revoltas árabes que conseguiu levar sua transição democrática a bom termo e este êxito foi homenageado pelo júri do Nobel da Paz[5], que dedicou o prêmio de 2015 à sociedade civil tunisiana, mais precisamente, para o chamado Quarteto do Diálogo Nacional Tunisiano, quatro organizações da sociedade civil que buscaram uma saída consensual à construção de uma Democracia Pluralista.

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Imagem (Fonte):

http://techpresident.com/news/21941/new-world-bank-report-examines-networked-tunisian-society-wake-its-revolution

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://oglobo.globo.com/mundo/tunisia-berco-da-primavera-arabe-17733824

[2] Ver:

http://expresso.sapo.pt/internacional/tunisia-a-seguranca-tres-anos-depois-da-primavera-arabe=f915769

[3] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-africa-33304897

[4] Ver:

http://www.cartacapital.com.br/internacional/tunisia-entre-a-democracia-e-o-terror-3500.html

[5] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/09/internacional/1444377811_634974.html

Izabel Sales Afonso - Colaboradora Voluntária Júnior I

Graduada em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco; Jornalista; Pós-graduanda em Política Internacional pela Faculdade Damásio, Pós-graduanda em Comércio Exterior e Negócios Internacionais pela Universidade de Araraquara(UNIARA); Graduada em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco; Jornalista; atua como voluntária no Instituto de Reintegração do Refugiado(ADUS).

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