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[:pt]A Vice-Presidência do EUA e seus candidatos em 2016: o debate[:]

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No tradicional cronograma eleitoral dos Estados Unidos há espaço para que os eleitores possam conhecer e compreender os running mates (Companheiros de Chapa) atrelados aos candidatos presidenciais, um fator extra na complexa equação político-estratégica, que pode auxiliar ou derrubar uma candidatura, quando expostos e interpelados ao público ao longo das chances de destaque que recebem em um debate.

Este sensível cenário ocorreu na última semana, na Universidade Longwood, no Estado da Virgínia, entre o democrata Tim Kaine, de 58 anos e senador por Virgínia, desde 2013, e pelo republicano Mike Pence, de 57 anos e atualmente Governador licenciado do Estado de Indiana. Os dois candidatos à Vice-Presidente são casados há mais de trinta anos, não possuem históricos com escândalos políticos e familiares e declaram-se profundamente religiosos, embora haja por parte do democrata uma tendência a posições progressistas em alguns temas, como, por exemplo, o aborto. Mike Pence, por sua vez, tem um histórico mais alinhado ao conservadorismo dos republicanos tradicionais. Ele é contra a interrupção voluntária da gestação, além de restrições aos direitos da comunidade LGBTI (acrônimo para “Lésbicas, Gays – homossexuais masculinos –, Bissexuais, Transgêneros, Travestis e Intersexuais”), por exemplo.

De acordo com especialistas políticos, o encontro entre os dois postulantes ao cargo de VP acarretou em grande interesse popular, em virtude da conjuntura política deste pleito colocar dois presidenciáveis com altos índices de rejeição entre os potenciais votantes de todos os níveis sociais: Hillary Clinton e Donald Trump. Concomitantemente, há ainda uma preocupação com ambos, em virtude de apresentarem idade avançada e saúde vulnerável, pois, em situações extremadas, terão que ser substituídos por seus respectivos vice-presidentes. Além disso, inicialmente, dentro de suas atribuições, eles devem agir como um interlocutor importante e com experiência política satisfatória para atuar com equilíbrio, evitando inserir os Estados Unidos em qualquer conjuntura que imponha enfrentamentos internos ou internacionais.

4O debate em Farmville, Virgínia, se destacou pelo bom desempenho de ambos, segundo medições feitas com a mídia especializada. Tim Kaine e Mike Pence conseguiram inicialmente não piorar o cenário de voto dos candidatos à Presidência que representam e, ainda sim, no caso do candidato republicano, se sair melhor no debate que seu superior, Donald Trump, uma semana antes.

Com um tom moderado, o Governador de Indiana conseguiu transmitir uma imagem mais coerente com a de um político que disputa a Casa Branca, sobretudo ao produzir defesas firmes contra os ataques do candidato democrata, Tim Kaine, que, por outro lado, aparentava nervosismo, algo que diminuiu o impacto de sua participação, além do excesso de agressividade. Embora o tempo destinado para que os running mates fizessem a defesa de seus respectivos superiores tenha sido elevado, outros temas importantes para os estadunidense foram abordados e cada candidato ponderou sobre aquilo que interpretam como melhor estratégia de governança.

No âmbito da política externa, Mike Pence demonstrou pouco domínio, chagando a afirmar que o “Iraque foi invadido pelo ISIS”, quando, na realidade, o grupo insurgente tem sofrido sucessivas derrotas no terreno, incluindo recentes reveses na cidade de Ramadi e em Fallujah. O republicano ainda erroneamente afirmou que dois refugiados sírios fizeram parte dos atentados em Paris, em novembro de 2015.

Tim Kaine, em contrapartida, optou por continuar com o tom agressivo ao declarar que Trump “ama ditadores”, nomeando Putin (Rússia), Kim Jong-un (Coréia do Norte), Muammar al-Gaddafi (Líbia) e Saddam Hussein (Iraque).

Sobre uma nova vertente tributária, ambos os candidatos ficaram em posição de defesa. Pence defendeu a posição de Trump de não liberar suas declarações de imposto e Kaine afirmou que o candidato republicano pretende aumentar os impostos sobre a classe média. Contudo, o plano fiscal do magnata do ramo imobiliário mudou por diversas vezes e especialistas econômicos destacam a possibilidade de aumento de impostos que atingiria aproximadamente 7,8 milhões de famílias com crianças dependentes, muitos atrelados à classe média.

Outro tema discutido com destaque no único debate entre os VP no pleito foi à imigração. Mike Pence argumentou sobre o desejo de Clinton e Kaine manterem as políticas de fronteiras da maneira como se encontra atualmente, fato refutado pela própria candidata democrata que pleiteia por um caminho à cidadania, cumprindo as leis de imigração do país. Na atual administração democrata, como paralelo à afirmação de Pence, o presidente Barack Obama deportou muitos imigrantes indocumentados, ao incluir também uma recente alteração na Lei de Imigração para imigrantes haitianos que tinham recebido autorização para permanecer nos EUA por um período de três anos, sem visto, após o terremoto de 2010 no Haiti.

O candidato à Vice na chapa de Clinton, Tim Kaine, por outra via, afirmou em mais uma ofensiva ao candidato republicano que Trump deseja deportar 16 milhões de pessoas, 11 milhões de imigrantes indocumentados e mais 4,5 milhões de cidadãos que nasceram nos EUA, de pessoas sem qualquer registro no país.

Este tópico, por ser um dos assuntos mais polêmicos na agenda do republicano, foi bem explorado por Kaine, haja vista que, publicamente, Trump afirmou que crianças norte-americanas nascidas de imigrantes indocumentados não são realmente cidadãos, deveriam receber cidadania inata. Entretanto, nos últimos comícios, Trump tem suavizado sua retórica por buscar endosso das demais comunidades que compõem a sociedade atual.

A corrida presidencial está chegando ao fim, mas ainda será necessário analisar os dois últimos debates presidenciais, em St. Louis, Missouri, ocorrido ontem, domingo, dia 9 de outubro, cujos impactos só podem ser vistos concretamente ao longo da semana, e o seguinte, que ocorrerá em Las Vegas, Nevada, no próximo dia 19.

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Imagem 1Mapa do colégio eleitoral para as Eleições Presidenciais dos Estados Unidos de 2012, 2016 e 2020, usando dados de rateio divulgado pelo US Census Bureau” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Eleição_presidencial_nos_Estados_Unidos_em_2016

Imagem 2Chapa Democrata Clinton Kaine” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Eleição_presidencial_nos_Estados_Unidos_em_2016

Imagem 3Chapa Republicana Trump Pence” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Eleição_presidencial_nos_Estados_Unidos_em_2016

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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