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Na semana passada, o Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, efetuou, junto com uma comitiva de 11 deputados e 3 assessores, uma viagem oficial a Israel, Palestina e Rússia[1]. Apesar das críticas que envolveram a viagem, considerada onerosa pelo número de integrantes da delegação e membros das respectivas famílias, o Deputado cumpriu uma agenda que, na primeira etapa, incluiu Israel e a Palestina. Na quarta-feira, 3 de junho, Cunha foi recebido no Knesset, o Parlamento israelense, e saudado no plenário pelo Presidente daquele órgão, Yuli Edelstein que, na ocasião, lembrou Osvaldo Aranha, diplomata brasileiro que presidiu à sessão oficial da ONU, em 1947, a qual oficializou a divisão da Palestina e a criação o Estado de Israel[2].

Yuli Edelstein destacou o fato de o parlamentar brasileiro ter escolhido Israel para a sua primeira viagem internacional após ter sido eleito Presidente da Câmara dos Deputados. A opção pelo destino da viagem, de acordo com o Deputado Eduardo Cunha, prova a vitalidade do relacionamento do Brasil com Israel[3]. Na sequência das conversações, Cunha e Edelstein prometeram ampliar as parcerias entre os dois países no âmbito das tecnologias, energia, água, educação, direitos infantis e da mulher[4].

Em encontro com o primeiroministro Benjamin Netanyahu, as conversações foram direcionadas para um aspecto que corresponde a uma das consequências do conflito israelo-palestino. Netanyahu pediu apoio ao parlamentar brasileiro para que Israel seja mantido na Federação Internacional de Futebol (FIFA), pois há um requerimento de sanção contra o país, feito pela Federação Palestina de Futebol, que alega que o Estado Israelense restringe a livre circulação dos jogadores palestinos[5]. Segundo Netanyahu, “eles querem evitar nossa ida à próxima Copa do Mundo misturando política com Esporte. A ideia é nos isolar. Mas estamos certos de que pessoas justas pelo mundo vão rejeitar essa má medida[6]. Cunha ressaltou que “o esporte não existe para dividir e fazer política, e sim para unir as pessoas[7], sublinhando que “as competições foram criadas justamente para que possamos fugir da discussão política[7].

Na quinta-feira, 4 de junho, Eduardo Cunha se encontrou com o Presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. Em Ramallah, Abbas agradeceu ao Governo brasileiro o reconhecimento do Estado da Palestina, em 2011. Na ocasião, o político e negociador palestino, Saeb Erekat, solicitou do Brasil o boicote aos produtos israelenses produzidos nas colônias da Cisjordânia. Eduardo Cunha, por sua vez, reafirmou o apoio aos palestinos, mas esclareceu que não é favorável às sanções contra os produtos israelenses. Segundo o Deputado, o “boicote de nenhuma natureza é solução para nada[8].

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Palestina, Riad alMalki, também sugeriu a Eduardo Cunha a realização de reuniões para debater eventuais medidas para a resolução do conflito israelo-palestino. Cunha foi cauteloso, tendo prometido conversar com os deputados brasileiros sobre a possibilidade de o Congresso Nacional promover encontros com israelenses e palestinos para debater o processo de paz entre os dois povos[9].

Ante a complexidade do conflito, a postura cautelosa adotada pelo parlamentar brasileiro demonstra senso de realidade, uma vez que o Brasil é inexperiente em negociações dessa natureza. Porém, isto não invalida a iniciativa para a tentativa de reabertura do diálogo entre Israel e a Palestina na busca de uma proposta de paz justa para ambos os povos.

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Imagem Eduardo Cunha, Presidente da Câmara dos Deputados (Brasil)” (Fonte):

https://fotospublicas.s3.amazonaws.com/files/2015/02/pres-da-camara_eduardo-cunha_durante_visita-em-sp12022015_01.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,cunha-faz-turismo-em-viagem-oficial,1699876

[2] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/06/1637401-em-jerusalem-cunha-e-recebido-com-honras-no-parlamento-israelense.shtml

[3] Ver:

http://www.portugues.rfi.fr/brasil/20150603-em-visita-israel-eduardo-cunha-diz-que-esporte-foi-criado-para-fugir-da-discussao-po

[4] Ver:

http://www.portugues.rfi.fr/brasil/20150603-em-visita-israel-eduardo-cunha-diz-que-esporte-foi-criado-para-fugir-da-discussao-po

[5] Ver:

http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/06/no-oriente-medio-cunha-diz-que-recebeu-pedido-para-mediacao-de-paz.html

[6] Ver:

http://www.jpost.com/landedpages/printarticle.aspx?id=404949

[7] Ver:

http://www.portugues.rfi.fr/brasil/20150603-em-visita-israel-eduardo-cunha-diz-que-esporte-foi-criado-para-fugir-da-discussao-po

[8] Ver:

http://www.portugues.rfi.fr/brasil/20150604-na-palestina-eduardo-cunha-diz-que-brasil-e-contra-boicote-de-produtos-israelenses

[9] Ver:

http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/RELACOES-EXTERIORES/489576-CAMARA-PODERA-MEDIAR-NEGOCIACOES-DE-PAZ-ENTRE-ISRAEL-E-PALESTINA.html

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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