LOADING

Type to search

Acirra o conflito entre grupos étnicos e Governo na Etiópia

Share

Constituído de múltiplas etnias com ricas histórias, cultura, hábitos de vida e atividades econômicas, a Etiópia é uma das poucas repúblicas étnicas ao redor do mundo. Sua Constituição de 1995 prevê o direito amplo a cada um dos grupos étnicos existentes à garantia de seus modos particulares de vida, tal qual está previsto no Artigo 10 do capítulo 2 da mesma.

No entanto, conflitos entre Governo e grupos étnicos desde meados do ano passado (2015) põem em risco a garantia dos direitos civis destes grupos. A temperatura dos conflitos acirrou-se no final de março deste ano (2016), quando o líder do grupo Konso, Kala Gezahegn, foi preso pela polícia etíope devido às acusações de corrupção e mal administração, fato recusado pelas principais lideranças do grupo.

Imbuída de rígida estrutura, a Frente Democrática Revolucionário do Povo Etíope (FDRPE) vem sendo duramente crítica por organizações internacionais de direitos humanos por restringir os direitos civis. Além das críticas relacionadas à liberdade de expressão nos principais meios de comunicação, os recentes episódios de conflito entre o Partido e grupos étnicos alimentam as críticas por parte dos observadores internacionais.

Um dos principais episódios de conflito aconteceu no final do ano passado, quando membros do grupo Oromo protestaram contra a expansão urbana da capital Addis Adeba sob o seu território. Segundo fontes locais, o projeto de expansão teria sido elaborado pelo Governo sem a contemplação adequada das reivindicações do grupo, além de o Governo ter concedido somente indenizações parciais. Embora o projeto tenha sido suspenso devido as suas imanentes controvérsias, estima-se que 266 oromos foram mortos nos conflitos diretos com a polícia.

No caso de Kala Gezahegn, os dias posteriores a sua detenção foram marcados pela emergência de protestos contra a polícia, resultando na prisão de 13 pessoas. Porém, tais conflitos podem ser lidos como estopim de uma luta que começou em 2011, quando uma medida oficial decretou que os Konso passariam a ser incluídos à zona Segen, território adjacente a Konso no sul da Etiópia, o que implica em uma perda nos direitos de autoadministração.

Os novos ventos que sopram na Etiópia desenterram dilemas de outrora: além dos conflitos étnicos, o país é assolado pela pior seca dos últimos 30 anos, elevando o risco de fome generalizada. A FDRPE, partido vigente nos últimos 25 anos, sempre utilizou do crescimento econômico encabeçado pela expansão da produtividade da agricultura como estratégia para a estabilidade política. Entretanto, é capaz que a nova conjuntura desequilibre esta equação de governabilidade, aumentando a instabilidade social e pressões sob o partido.

———————————————————————————————–

Imagem (FonteOkay África):

http://www.okayafrica.com/news/oromo-protests-expose-ethiopias-political-vulnerability/

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

  • 1

Deixe uma resposta