LOADING

Type to search

[:pt]Acordo de Paz na Colômbia é ameaçado por parte dissidente dos guerrilheiros das FARC[:]

Share

[:pt]

O ano de 2016 foi marcado pelas intensas negociações de Paz entre o Governo colombiano e os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Entretanto, como diria Mahatma Gandhi, “Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho”. Sendo assim, percebe-se que ainda não há um resultado definitivo neste suposto aperto de mão conclusivo.

O Acordo de Paz assinado no último dia 26 de novembro de 2016 veio para coroar os esforços de ambos os lados em, finalmente, alcançar a Paz que tanto se espera para a região. Foi mais de meio século de intensos combates, conflitos sangrentos e perdas de muitas vidas, provocando a destruição da Colômbia e o atraso do país em relação aos outros países da América Latina. A própria região perdeu muito ao longo do tempo com essa guerra.

Foram mais de quatro anos de negociações que envolveram outros países e líderes políticos e religiosos de todo o mundo para mediarem as conversas. Nesse ínterim, a população rejeitou o Acordo através de um Referendo convocado pelo Governo, algo que foi um duro golpe para quem já celebrava a pacificação da Colômbia, mas o Presidente do país, Juan Manuel Santos, foi o ganhador do Nobel da Paz por ter portado a bandeira pela pacificação do conflito com as Farc, e foi celebrado festivamente pela sua iniciativa. Na ocasião da entrega do Prêmio, ele afirmou inclusive que a guerra entre a Colômbia e as Farc tinha terminado.

Entretanto, alguns dissidentes da Guerrilha vêm ameaçando esse objetivo comum, uma previsão que já havia sido feita e era temida durante as negociações do Acordo. Isso porque cinco líderes de alto e médio escalão do grupo guerrilheiro, juntamente com seus subordinados, deixaram a Organização, e já são cerca de 300 a 400 dissidentes que não aceitaram ser parte do Acordo celebrado.

Essa debandada de alguns guerrilheiros se deu principalmente devido ao enfoque dado no que foi acertado. Segundo o professor Jorge Giraldo Ramírez, da Universidade EAFIT de Medellín, “foram dadas muitas garantias aos altos comandos e aos guerrilheiros comuns, mas não se pensou nos chefes de médio escalão”. Além disso, conforme a análise do professor, o que ocorre é que os dissidentes não poderão entrar facilmente na política porque não são tão conhecidos como os chefes mais graduados e nem começar uma vida nova, pois são pessoas acima de 50 anos que já prestaram mais de 20 anos de suas vidas à Guerrilha.

Os desertores fazem parte da Frente Primeira, que é considerada uma das principais das FARC e tem mais contatos internacionais. O número de desertores chega a 6% do total de integrantes da Força. A própria Guerrilha já tinha declarado que não ia aceitar dissidentes, já que adotaram suas decisões “por maioria” e, como têm cumprimento obrigatório, não é possível “a formação de dissidência de qualquer ordem”, conforme destacou um comunicado difundido pelo Observatório de Paz e Conflito da Universidade Nacional da Colômbia.

A tensão foi sentida quando o Governo colombiano anunciou que esses guerrilheiros fugitivos têm a última chance de se dirigirem às “zonas de segurança”, senão “todo o poder de nossas Forças Armadas se concentrará naqueles que ficarem de fora desse processo”. O Ministro da Defesa da Colômbia, Luis Carlos Villegas, ainda complementou que “aqueles que se declararem em dissidência das Farc, ou simplesmente se tornarem bandidos por ambição (…) serão alvo de alto valor que vamos perseguir”.

O Estado-Maior das Farc está tentando colaborar com o Governo colombiano nesse sentido, já que fez um apelo aos guerrilheiros que estão sob o comando dos cinco dissidentes de médio escalão, anunciando, em comunicado, para que se afastem da equivocada decisão adotada por seus chefes imediatos e regressem às fileiras do grupo, onde serão acolhidos por seus camaradas. Além disso, as Farc acrescentaram que o momento histórico da Colômbia não deve ser bloqueado por um “grupo de insensatos que, ignorando os desejos de paz da imensa maioria do nosso povo, se lança no abismo por ambição pessoal.

É importante frisar que a dissidência de alguns membros se deu também pelo fato de que o Acordo de Paz não alcançou de forma isonômica a todos os membros do grupo. Um exemplo disso é que foi definido um valor considerado muito baixo a ser recebido mensalmente pelos ex-guerrilheiros (cerca de US$ 280). Segundo os especialistas ouvidos pelo Jornal Folha de São Paulo, é um valor muito baixo para quem operava nas áreas de produção e transporte de cocaína. Dessa forma, é mais lucrativo ficar na marginalidade.

Ademais, segundo reportado pelo jornal, houve a demora entre a derrota do “sim”, no plebiscito de 2 de outubro, e a chegada de um novo Acordo, pois esse período configurou-se como uma indefinição jurídica e os guerrilheiros não puderam retornar às atividades ilícitas de extorsão, sequestro e narcotráfico.

O ano de 2017 já se inicia com essa crise entre o Governo colombiano e as FARC, que, por meio de uma minoria que a compõe, pode trazer à tona um passado cruel e sangrento que América Latina, sobretudo a Colômbia, tenta superar para que a tão sonhada Paz se torne realidade.

———————————————————————————————–                    

Imagem 1Bandeira das FARCEP” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/For%C3%A7as_Armadas_Revolucion%C3%A1rias_da_Col%C3%B4mbia

Imagem 2Juan Manuel Santos” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/File:Juan_Manuel_Santos8.jpg

Imagem 3Treinamento pessoal do Exército Colombiano” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_na_Col%C3%B4mbia

[:]

Jamile Calheiros - Colaboradora Voluntária

Bacharel em Relações Internacionais e Direito, com especializações em Direito Público Municipal e em Política e Estratégia. Aluna especial no Mestrado Acadêmico em Administração pela UFBa. Possui experiência na área jurídica adquirida em estágios em escritórios de advocacia, Petrobrás, Assembléia Legislativa e Câmara dos Deputados. Tem experiência internacional, em Dublin – Irlanda. Diretora Institucional da BBOSS. Voluntária [email protected] - Project Management Institute – Capítulo Bahia, Diretoria de Alianças e parcerias desde Agosto de 2015.

  • 1

1 Comments

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!