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“Acordos Internacionais” para o combate ao narcotráfico

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Nesta semana, dois “Acordos de Cooperação Internacional” foram firmados entre países para o combate ao narcotráfico. No primeiro caso, os Governos russo e peruano assinaram um Acordo para reforçar o combate ao tráfico de drogas por meio de cooperação bilateral entre ambos os países.

A assinatura foi feita por Carmen Masias, diretora-executiva da “Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Vida sem Drogas” (Devida) peruana,  e por Viktor Ivanov, o diretor do “Serviço Federal de Controle de Drogas” (FSKN) russo, que é apelidado de o “czar antidrogas”.

Pelo Documento, deverá ser criado um curso de formação, organizado pela Rússia, para agentes do país sul-americano, além da troca de tecnologias e informações policiais e de inteligência.

De acordo com o que vem sendo divulgado, o interesse russo se deve ao fato de três países latino-americanos (Colômbia, Peru e Bolívia) comporem o “centro global de produção de cocaína[1], responsabilizando-se pelo fornecimento de 950 toneladas de drogas para os EUA e para a Europa. O outro centro importante é o Afeganistão, que distribui 550 toneladas de heroína para a Europa. A Rússia recebe a cocaína sul-americana por meio do comércio de bananas vindas do Equador e de flores da Colômbia, que passam ainda pela Holanda.

A postura de Viktor Ivanov é rígida no combate ao tráfico, posicionando-se totalmente contrário a sua legalização, afirmando ainda que “aqueles que levantam esta proposta o fazem porque não conseguem encontrar uma solução para o problema[1].

O segundo caso de cooperação internacional se deu entre Equador e Colômbia. O dois países, por meio de seus respectivos ministros da Defesa, a ministra María Fernanda Espinosa (Equador) e Juan Carlos Pinzón (Colômbia) assinaram um Acordo com o objetivo de controlar os 580 km de fronteira entre os dois países para o combate ao tráfico de drogas.

Segundo o comunicado do ministério equatoriano, foram firmados “procedimentos operacionais para a transferência de informações sobre alvos de interesse e tráfico não identificado[2], além disso, foi acertado o “controle das passagens ilegais na fronteira, o desenvolvimento de ações cívico-militares binacionais, o fortalecimento da segurança fronteiriça, o funcionamento da Comissão Binacional Fronteiriça e a cooperação interinstitucional[2], com o intuito de fortalecer a segurança na região e proteger os cidadãos colombianos e equatorianos.

De acordo com observadores internacionais, os Acordos firmados representam um esforço importante no combate ao tráfico de drogas, mas as atividades precisam se estender a outras esferas, principalmente no combate à produção e na educação da sociedade acerca do consumo, uma vez que, na opinião dos especialistas, o principal estímulo ao narcotráfico se deve ao expressivo mercado consumidor existente.

No caso do Acordo entre Equador e Colômbia, há um fator positivo extra, pois ele representa uma renovação das aproximações entre os dois países, cujas relações bilaterais estiveram estremecidas e reduzidas a zero desde 2008, quando houve o ataque por tropas colombianas a um acampamento das “Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia” (FARC) em território equatoriano, o qual era usado como “Santuário”* pelos guerrilheiros, e somente em 2010 houve retomada de contatos entre os dois Estados, com trocas de informações sobre o combate a crime na região fronteiriça[3].

Este Acordo porém, assinado no dia 19, terça-feira passada, é um salto significativo, que representa uma reaproximação para ações conjuntas no cenário regional, se sobrepondo as divergências que possam existir entre os dois países contribuindo para a integração da região.

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* Termo usado para significar uma região em país vizinho a outro em que esteja ocorrendo atividade guerrilheira, revolucionária, ou guerra civil, o qual passa a ser usado por determinado grupo como uma base imune aos ataques do opositor a ele (normalmente as tropas oficiais do Estado), uma vez que qualquer avanço neste território poderá ser acusado de desrespeito a soberania do país vizinho, como ocorreu no caso entre Colômbia e Equador, em 2008.   

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.diariodarussia.com.br/internacional/noticias/2013/03/20/russia-e-peru-fortalecem-cooperacao-na-guerra-contra-o-narcotrafico/

[2] Ver:

http://www.dialogo-americas.com/pt/articles/rmisa/features/regional_news/2013/03/20/feature-ex-4012

[3] Ver:

http://www.jornaldebrasilia.com.br/site/noticia.php?colombia-e-equador-fazem-acordo-para-combate-ao-trafico&id=458132

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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