LOADING

Type to search

Adiamento de definição do “Projeto FX-2” do Brasil pode ter encerrado a produção do Rafale

Share

Sem data especificada para por fim ao processo seletivo que envolve o modelo norte-americano “F/A-18 Super Hornet”, da Boing; o francês Rafale, da Dassault, e o sueco Gripen, da SAAB,  o adiamento da escolha do caça brasileiro do “Projeto FX-2” pode ter levado ao fim da produção do caça francês e a vitória do Gripen.

 

Na última quarta-feira, dia 7 de dezembro, o ministro francês da Defesa, Gérard Longuet, anunciou que caso não haja encomendas estrangeiras para o caça da Dassault, a sua produção será interrompida.

Em suas palavras: “Se a Dassault não vender nenhum Rafale no exterior, a linha de produção será interrompida, depois que a França receber as 180 aeronaves que ordenou. (…) Naturalmente a manutenção das aeronaves será mantida.”* A razão apresentada para o fracasso nas concorrências em que entrou foi o alto custo da aeronave, bem como de sua manutenção. Conforme afirmou, comparando-o com o norte-americano, “Quando nós encomendamos 200 Rafale, os americanos produzem 3.000 aeronaves”*.

Tal declaração quase confirmou as críticas feitas pelos especialistas cerca dos altos custos que envolveria a escolha do caça francês pelos brasileiros, o que poderia levar ao fracasso do desenvolvimento de aeronaves no Brasil, pois, no limite, o negócio representava em realidade uma forma de sobrevivência para a empresa francesa e não o desenvolvimento das aeronaves.

Apesar dos seguidos elogios dos técnicos sobre a capacidade do caça e seu elevado nível tecnológico, discutia-se a inviabilidade financeira para mantê-lo, razão pela qual as demais opções se mostraram para muitos analistas como as mais adequadas ao Brasil, com a ressalva da falta de garantia de transferência de tecnologia pela Boing e o fato de o modelo oferecido pela SAAB ser um protótipo.

O “Gripen NG”, no entanto, venceu recentemente a concorrência na Suíça e trouxe um componente novo para o debate acerca do melhor modelo para os brasileiros. Sabendo da vantagem que está ganhando, os suecos resolveram atuar de forma mais agressiva, nomeando Åke Albertsson, o vice-presidente da divisão de marketing da empresa como “Gerente Geral” para o Brasil.

O executivo declarou que “A Saab não oferece somente o Gripen NG para o projeto FX-2, a empresa também pode contribuir com produtos, serviços e soluções líderes de mercado, capacitando o Brasil para cumprir com sucesso suas obrigações de defesa, segurança e crescimento industrial de longo prazo. Tenho certeza de que, com o crescente papel do país na economia mundial e o fato de ser a sede de vários eventos mundiais, a exemplo da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, uma cooperação entre o Brasil e a Suécia e suas respectivas indústrias será muito benéfica para ambos”**.

Com esta declaração visou mostrar que veio disposto a provar que se deseja uma parceria que vai além do setor de Defesa e com objetivos de longo prazo, já que está no planejamento brasileiro desenvolver tecnologia para amplos setores industriais na área civil voltar, além de voltar a ser um dos maiores exportadores da indústria militar do mundo***.

Observadores apontam, no entanto, que a principal vantagem sueca neste momento poderá ser a questão política, já que no ano passado ocorreu a aproximação dos suecos com Luiz Marinho, petista que é prefeito de São Bernardo do Campo e amigo do ex-presidente Lula que tinha simpatia pelo Rafale da Dassault.

Da aproximação foi criado o “Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB) com apoio e investimento da SAAB.  Espera-se agora a reação e resposta dos norte-americanos para ser possível concluir se o cenário está definindo pró-Gripen.

————–

Fontes:

* Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1017859-franca-interrompera-producao-do-rafale-sem-pedidos-estrangeiros.shtml

** Ver:

http://www.infodefensa.com/?noticia=el-vicepresidente-de-marketing-da-saab-ake-albertsson-nomeado-gerente-geral-para-o-brasil

*** Ver:

http://m.folha.uol.com.br/poder/1017658-industria-belica-deve-exportar-u-7-bi-ate-2030-diz-estudo.html

Tags:
Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

  • 1

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

×
Olá!